quarta-feira, 1 de abril de 2009

Espinhos, Abrolhos e Cebolas


O mundo evangélico é recheado de jargões. Vários deles já se perderam no tempo e no significado. Muitos daqueles ditos cristãos não entendem o cumprimento: “A Paz do Senhor”! Não se procura entender o porquê de vários símbolos que temos ao longo da história cristã. Agora, o mais grave de todos é o fato de nós nos perdermos no significado da palavra “irmão”.
Já por várias vezes vemos essa palavra sendo usada de modo inapropriado e sem qualquer critério! Usa-se “irmão” para falar daquela pessoa que a gente esqueceu o nome. E nesse aspecto toda palavra é válida: “querido”, “amado” e etc. Nem se preocupa se de fato aquela pessoa é amada e querida mesmo. Na maioria das vezes não o é! A gente esqueceu, e pra não ficar feio esquecer o nome daquele presbítero importante, daquele médico renomado, daquele diácono emérito, a gente prefere chamá-lo de “irmão”.

O nosso Senhor em certa ocasião estava em um lugar onde seus familiares; mãe, irmãos e irmãs; chamavam-no para fora para lhe falar algo. Jesus diz de forma amorosa e profundamente tocante estendendo os braços em direção aos seus discípulos que eles eram seus irmãos, irmãs e mãe. Desde que eles cumprissem a vontade do Pai Celestial, estavam agora fazendo parte da família do Redentor.

Mas o que significa mesmo a palavra “irmão”? Façamos uma análise morfológica da palavra. No sentido primário, porém mais amplo, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a palavra “irmão” significa “filho dos mesmos progenitores”: do mesmo pai e da mesma mãe. Também significa uma pessoa de ascendência e parentesco comuns, particularmente um membro de um mesmo clã ou tribo. O termo também se pode estender aos membros da mesma raça ou nação ou de uma nação amiga. No Novo Testamento, especificamente, a palavra se refere aos seguidores de Cristo como sendo filhos de um mesmo Pai e, portanto, irmãos de Jesus, sendo Ele irmão mais velho dentre muitos irmãos.

Pois bem, tendo essa pequena explanação em nossa mente, podemos entender agora porque Cristo chamou todos os seus discípulos de irmãos, irmãs e mãe. Justamente porque Ele estava dizendo a todos que estavam ali presentes que fazendo a vontade do Pai, seríamos família de Deus. Por isso que Ele diz: “irmão, irmã e mãe”. Esse três elementos, junto com o pai, formam o que chamamos de Família. A questão não estava em saber quem era irmão, quem era irmã e quem era mãe. Todos ali eram tudo isso!

Não nos respeitamos mais como irmãos! O tempo passa e mais e mais percebo que perdemos a magia de conviver e de termos comunhão uns com os outros. Apenas nos encontramos nos fins de semana, e quando nos encontramos sempre acaba acontecendo uma coisinha chata ali, outra acolá que ajuda a aumentar ainda mais a distância que a semana já nos obriga ter!

A Palavra está cheia de versículos que nos ajudam a entender o relacionamento entre nós mesmos e as pessoas que estão à nossa volta! Ela diz como ajudar um irmão que está em pecado, ela dá diretrizes de como nos proceder diante de uma falsa acusação levantada para denegrir a imagem do nosso próximo, ela também nos ensina quando que devemos falar e quando devemos nos calar, entre muitas outras coisas.

Algumas características interessantes podemos aprender e melhorar como pessoas e cristãos nesse mundo que anda totalmente descontrolado, cego e, por conseqüência, incoerente.
Uma das coisas que aprendemos com Jesus é que irmão nunca trai o outro. E se acontecer, como por diversas vezes acontece, porque somos humanos e não somos deuses, graças a Deus, é totalmente viável a reconciliação e o perdão nesses momentos. Tem aquele momento da raiva, do choro e da dor, mas logo vem a paz e o desejo de estar junto de novo para brincar e conversar. Irmão é assim!

O que temos visto são pessoas que não se olham mais! E mesmo que se olhem, não conseguem enxergar a beleza das qualidades de cada ser humano. Só consegue enxergar defeitos e críticas. Passa a ser uma pessoa amargurada com a vida e frustrada consigo mesmo. As pessoas se falam, mas nunca se ouve o que uma está falando para a outra. Nunca que pessoas assim são irmãos! Ou não entenderam ou não experimentaram o relacionamento libertador entre Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo em sua própria vida, fazendo parte desse relacionamento, sendo parte integrante dessa família que aceita a pessoa do jeito que ela é, mas o amor é tão grande que acaba constrangendo a pessoa a ser alguém melhor a cada dia por amor ao outro e por amor ao Redentor!

Uma situação que é bem própria do relacionamento entre irmãos é que mostra qual é o nível e qualidade de relacionamento com seu pai! Sempre quando se vê irmãos convivendo bem, isso é um orgulho para o pai e para a mãe; mas quando se vê irmãos brigando e se devorando por qualquer questão, isso se torna um desgosto para a família. Algumas pessoas até podem falar: “O pai é gente boa, mas o filho não é flor que se cheire”! Dentro desse assunto me vem à mente a seguinte pergunta: “Que imagem temos passado para as pessoas de Deus, de nós e do nosso relacionamento em geral?”. Será que por algum momento a gente parou para pensar nessa implicação importantíssima no sentido prático do evangelho do Senhor? E não só isso. Se a gente é irmão de fato e de verdade, por que essa bagunça toda que temos presenciado e ainda ficamos com a boca fechada achando que não se trata de nós, mas sempre do outro?

Irmão que é irmão jamais se sentirá confortável em deixar o outro na mão; em todos os sentidos! É maravilhoso subir no púlpito e pregar sobre fraternidade e irmandade e sobre todas aquelas verdades bonitas que Jesus falou ao longo do Seu ministério e ver lágrimas no rosto das pessoas. É bonito ver cânticos que enaltecem a comunhão e nos mostram quem realmente somos, ou seja, filhos de Deus. É lindo ver textos e mais textos sobre unidade da igreja e sua urgência. Mas o que precisamos mesmo é mais do que isso. É tomarmos posição mesmo de gente que quer fazer a diferença e não só chorar quando se escuta um sermão tocante, mas tomar aquela palavra como se fosse alimento, como de fato o é, e digerir cada palavra, cada momento, cada verdade revelada. Não só cantar e cantar que “eu preciso de ti meu querido irmão”, mas mesmo não cantando saber que tem gente que se importa conosco e que nos ama impreterível e incondicionalmente. Não só saber da urgência, mas tomar providências para que a urgência seja amenizada e se torne um alvo onde todos persistem e não arredam o pé até que se cumpra a promessa da Redenção Final!

A prova maior que somos filhos de Deus não é o tempo que estamos arrolados em um hall de membros de uma determinada denominação, muito menos o cargo que ocupamos em nossa igreja local, nem sequer o fato de conhecer a Bíblia mais que alguém ou não. Tudo isso é válido desde que a motivação de tudo isso seja a glória de Deus e o amor ao próximo, mas a maior prova de que somos filhos do Pai Amoroso é justamente quando mostramos amor onde não se pode mostrar, onde o amor é negado e a justiça seria a melhor opção! Isso nos faz sermos filhos de Deus e reconhecidos como tais!

É um tanto quanto apavorante vermos como a Igreja, noiva do Senhor, é encarada nos dias de hoje. Ele é vista somente como uma instituição, onde pessoas mandam e desmandam e usam o nome de Deus para justificar suas idéias, pensamentos e conclusões. Não se vê graça, mas muita desgraça. Transforma a Igreja, que é linda em sua concepção divina, em um bando de tagarelas que não sabe fazer absolutamente nada mais do que falar da vida e dos defeitos dos outros! A idéia de Cristo e Seu plano de como se deve funcionar a Igreja estão claros no Novo Testamento, principalmente quando em Atos percebemos como a Igreja Primitiva, com todos os sérios problemas que lá existiam, funcionava. Nunca foi uma instituição apenas, com suas regras e burocracias; mas sim pessoas e suas vidas, uma comunidade que vive e respira, feita de todos aqueles que amam o Senhor, como bem revela o autor de A Cabana.

Ser irmão é compartilhar a vida, é dar risada, é chorar junto e também se alegrar junto. É contar piada e se divertir de coisas pequenas. É não levar os defeitos dos outros tão a sério, mas ajudar em cada um a recuperar o plano de Deus de sermos irmãos de verdade.

Não se trata os membros do corpo do Senhor como a gente bem quer ou entende que deva ser esse tratamento. Devemos tratar qualquer que for a pessoa da mesma maneira como o Senhor ordenou e orou para que fosse. Basta eu e você entendermos isso e praticarmos na nossa vida diária.


É claro que a gente encontra os espinhos, os abrolhos, as cebolas no meio do caminho, mas essas pessoas são assim porque o que elas experimentaram até agora de vida cristã foi espinhos, abrolhos e cebolas. Está na hora de mostrarmos que existe coisa melhor e que é possível estar de bem com a vida, apesar dos espinhos, abrolhos e cebolas!

Um comentário:

wilma disse...

Meu querido pastor, filho e irmão!
Obrigada por vc voltar a escrever.Que Deus continue te usando assim mesmo como vc é (hahhahah).
Vc sabe que aqui em casa vc é nosso irmão/filho querido.
Bjus