quarta-feira, 26 de maio de 2010

A Árvore, O Velho e A Criança!


Numa tarde ensolarada não havia uma folha sequer no chão da varanda da velha casa, havia apenas o barulho de galhos secos balançando com o vento. Sentado na varanda estava o morador dessa pequena casa vendo o movimento de sua rua e pensando no que ia fazer para que sua árvore voltasse a sorrir, a florescer!

Já havia tentado tantas coisas, tantos planos e tanta expectativa e nada. Esperança, moradora da casa, estava ausente por conta de compromissos com outras casas e outras árvores. Havia resolvido tantos problemas e não estava lá para resolver o problema de sua própria casa. Onde estaria Esperança?

O velho morador resolve cortar a árvore. “É mais fácil, mais rápido e assim não preciso olhar para as árvores dos outros e ficar aqui sofrendo”, resmungava o velho morador! Ao pegar o machado começou andar em direção da árvore. Nesse momento algo segura seu pé, ele não consegue andar, não consegue dar mais nenhum passo. Uma raiz prende seu pé, é uma raiz da árvore. O pé torce e ele cai. Com raiva começa a chorar. O machado em suas mãos começa a ficar mais pesado e ele solta. Fica ali sentado com a mão em seu tornozelo e olhando para árvore que continuava em pé, mesmo aparentando estar seca.

Havia uma lenda que dizia que se uma árvore estivesse seca, significava que o coração de seu dono também estava. O velho morador não acreditava em lendas, muito menos ditas por aquelas crianças do parque ao lado. Aliás, uma delas vendo o que estava acontecendo chegou perto do velho e perguntou por que ele estava ali sentado no chão. Muito bravo, o velho respondeu que não era nada e que ela voltasse a brincar. O menino disse que não tinha graça brincar sabendo que a árvore estava seca. O bairro estava bonito, mas faltavam as flores daquela árvore. Era como se algo faltasse.

O menino teve uma idéia. Abriu o portão, entrou no quintal e abraçou o velho morador daquela casa. Quanta saudade! Fazia tempo que não recebia um abraço daqueles! O velho retribuiu o abraço com um beijo na testa daquela criança. Agora se via um sorriso na face daquele velho. A criança estranhou, o velho sorriu! Há tempos que ele não via um sorriso naquela cara emburrada!

Ao ajudar o velho a se levantar algo mágico começou a acontecer. Pequenas flores começaram a brotar nos galhos daquela árvore. Como uma chuva de estrelas, as folhas começaram a nascer e a cada risada do velho, uma flor brotava no jardim. Não demorou muito para que toda a árvore estivesse coberta de flores, folhas e frutos. O velho não acreditava no que estava vendo, mas era bem real. Um espanto de beleza; parecia um sonho! A cada nova gargalhada o velho se transformava em criança. Suas mãos, seus pés, seu rosto foram tomando novas formas. Um novo cheiro estava no ar, um perfume diferente.

Ao olhar ao redor “Aquele que era Velho” percebeu que todo bairro era só de crianças. Só faltava ele! Como foi bom ao olhar para trás ver que Esperança não estava tão longe quanto ele achava; ela estava dentro da árvore, pronta pra nascer de novo!

Um comentário:

Fernaanda Pacifico disse...

Gostei muito Cris!
Seria ótimo se todas as pessoas deixassem a casca, a carcaça de lado. Talvez houvessem mais árvores como essa, talvez um imenso jardim.