quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Palhaços, Mendigos e Falsos Profetas


Já na antiga Grécia se falava sobre essas figuras patéticas. Platão, no seu livro A República, os chamava de “mendigos e adivinhos”, gente que manipulava a fé dos gregos nos deuses para fins lucrativos, e ao mesmo tempo a própria população grega os usava para tentar ludibriar ou subornar os deuses com oferendas e sacrifícios. Creio ser de uma indelicadeza de Platão chamar gente tão mesquinha de “mendigos”. Talvez ele tenha pensado que eles estavam “mendigando” honrarias e prêmios.

O tempo passa, o mundo sofre transformações gigantescas, mas percebe-se que o homem continua o mesmo. Suas carências, necessidades e desejos estão presentes em todas as eras e impérios; e junto disso aparecem em cena os famosos aproveitadores que tentam, com algum sucesso, manipular corações atribulados com o fim de glorificar apenas um deus: eles mesmos. Há líderes religiosos na televisão e na rádio, tanto na nossa região como no nosso país e no mundo que dizem servir a Deus, mas são amantes das riquezas. Sua aliança não é com a Cruz, é com o seu e o meu bolso. Enquanto você compra as toalhinhas da cura, recebe os abraços da prosperidade, paga os horários caríssimos do canal de televisão, você é boa gente; se não, você está em pecado e muito provavelmente não tem fé e, portanto não tem a benção de Deus. Ah, faça-me o favor!

Gente desse porte Jesus chama de “falso profeta”. Tudo que eles dizem Deus não mandou dizer. Tudo o que eles profetizam Deus não profetizou. Tudo o que eles pedem Deus não pediu. Tudo o que eles manipulam Deus vai prestar contas. Outro nome dado a eles é de “sepulcros caiados”, ou seja, túmulos bonitos e bem ornamentados por fora, mas por dentro só carregam mau cheiro, carne podre e morte. Se não há vida nesses “profetas”, como podem falar sobre a vida? Como podem ensinar a viver? O que eles ensinam são morte e desesperança. Nada do que podemos fazer, dizem eles, pode acalmar o coração de Deus. Por isso a necessidade de sempre “ofertar” a Deus nosso dinheiro, posses, riquezas, coisas e nunca o coração. Para esses ladrões da alegria e da fé, o coração não basta. Entendam isso: nada do que podemos fazer, ou para mais ou para menos, fará Deus nos amar mais ou menos. Ele nos ama pelo que somos, e não pelo que podemos fazer por Ele ou para Ele. Os manipuladores existem porque tem gente que insiste em manipular a Deus.

Mas ainda restam aqueles que não seguem essa maré. São artistas, palhaços e andarilhos que não se vendem e não compram escravos. Pelo contrário, por onde passam causam um fantástico reboliço na vida da gente trazendo alegria e a experiência da verdadeira liberdade. Palhaços nos avisam todos os dias: “Como a graça de Deus nos faz felizes e seres humanos melhores”. Andarilhos nos lembram como é importante amar as pessoas e usar as coisas e não amar as coisas e usar as pessoas. Os artistas nos fazem imaginar pessoas vivendo em paz, sem disputas religiosas e de poder e nos fazem acreditar que dias melhores ainda podem vir. Esse tipo de gente Deus tem amizade e intimidade. Escutem o que eles têm pra dizer, pode ser que o próprio Deus esteja querendo aumentar o número de amigos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Uma Nova Utopia, Um Convite Urgente


Todo mundo um dia teve vontade de jogar tudo para o alto e recomeçar a vida, mas faltou coragem. Sentia que o casamento não ia bem, os negócios sempre na corda bamba e a gente com a corda no pescoço. O marasmo da vida, a rotina, o mesmismo, todos esses nomes nos assustam e com razão. Lemos os livros de aventuras ou assistimos aos filmes desses livros e sonhamos em ser os aventureiros, os heróis dessas histórias e no final de tudo perguntamos: “Por que isso não acontece comigo?”.

O Cristianismo verdadeiro tem uma proposta que satisfaz esse desejo de todo ser humano que é o desejo de encontrar valor na vida, mais especificamente o seu próprio valor. Mas dentro dessa verdade não se encontra valor próprio sem o outro; sempre o outro tem algo para nos acrescentar. Agora, com isso em mente, precisa-se entender que existe O Outro, ou Aquele que sem o qual não existiria nenhum outro ou nenhuma outra. Ou seja, sem a fonte de tudo o que se conhece e não se conhece nada do que foi feito seria de fato feito.

Cristo é esse Outro que não cabe apenas em idéias e conceitos religiosos. Não cabe em dogmas ou doutrinas. Cristo é revelado em pessoas à Sua imagem e semelhança. A conversão é o movimento do coração e da mente que entende que não somos donos dos nossos narizes, como se diz, mas somos cooperadores, filhos, amigos e dependentes do Outro e de outros também. Alguém que se converte começa a ter a capacidade de encontrar os atributos de Deus em todas as áreas da vida como as artes, entretenimento, esportes e tantos outros. É o início de uma percepção mais santa, mais apurada e divertida.

De fato, o novo assusta. Não estou falando de uma nova religião, mas de uma nova maneira de ver e de viver a vida. Além de assustar, o novo causa preguiça. A gente não quer mudar de vida porque do jeito que está, mesmo sendo a mais chata das situações, todo mundo está assim. Então, pra que mexer com quem está quieto? É cômodo. Mas se isso fosse verdade o racismo continuaria forte nos Estados Unidos, a ditadura e a escravidão ainda reinariam no Brasil e não teríamos nenhuma história bacana pra contar para nossos filhos e netos.

A verdadeira mensagem de Cristo é uma utopia possível. Utopia por ser considerada louca, revolucionária e impossível aos olhos do homem, mas possível porque quem realiza a revolução é Aquele que faz homens considerados poderosos demais se ajoelharem e aqueles que estão de joelhos permanecerem como estão. Ser o novo é fazer o contrário possível.

A maior contradição da história foi personificada em Cristo. Deus que se faz homem ensinando o homem a ser mais humano. E ao fazer isso, o homem de torna mais divino, portanto mais próximo de Deus e cumprindo seu papel de ser Sua imagem e semelhança.

Há duas maneiras de viver a mesma coisa: jogue tudo para o alto como um sinal de desistência e de completo desejo de anarquia e desorganização da vida ou faça a mesma coisa, mas com um desejo apaixonado de reorganizar sua vida e também como um ato sincero de reconhecimento Àquele que faz novas todas as coisas.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Um Lugar para se Acreditar


Por que se despedir é tão difícil? A impressão que se tem é que todos os pecados são redimidos e perdoados; tudo é facilmente esquecido e as qualidades ficam mais evidentes. Dizer adeus a alguém querido não das mais fáceis tarefas que a vida nos obriga fazer, mas poucos; diria raros são aqueles que conseguem se preparar para esse momento. E para aqueles que não conseguem? E para aqueles que são surpreendidos com aquela notícia que todo mundo tem medo de ouvir e de falar? É... não é fácil dizer adeus.

O céu está reservado para aqueles que insistem em se manter na teimosia de acreditar que as coisas podem melhorar e que Deus sabe o que faz. Ainda que soe como clichê ( e eu detesto clichês), essa coisa de dizer: “Deus sabe o que faz” soa mais como um grito de esperança da alma, é algo em que ela pode se apegar, mesmo que às cegas. Pra mim, é uma declaração da mais pura fé.

Para esse tipo de gente, o céu não é mais uma esperança distante, mas um lugar real, um destino certo, a volta para o verdadeiro aconchego. Eles sabem que para chegar lá há algumas regras, algumas leis de trânsito e um caminho certo. Para o céu não tem atalhos e nem pedágios. É um caminho apertado, estreito, difícil de percorrer, mas não é um tipo de penitência ou algo que deva merecer.

O céu é um presente dado de graça sem porquês ou comos; simplesmente dado, simplesmente presenteado. Não tendo data certa para ser presenteado, para nós passa a ser um presente de desaniversário, mas para Deus é uma data para se comemorar um novo nascimento, portanto um novo aniversário. O céu é onde as aulas terminam e as férias começam, é onde os hospitais são lendas urbanas e as doenças puro folclore popular, é onde as lágrimas têm a conotação somente de alegria e onde a tristeza nem existe no dicionário. Nesse lugar mágico e real não há mais “adeus” ou “até logo”, mas sim eternos reencontros e novas descobertas.

Todo mundo quer ir para o céu, mas poucos aceitam o desafio de caminhar até lá. O céu existe assim como o inferno; ambos podem começar aqui. O único jeito de entrar lá é acreditando que esse lugar existe e que Deus o criou para você como um presente novo todo dia.

Diante de tudo isso fica a pergunta: quem na realidade está morrendo? Aqueles que já desfrutam e sabem o que significa paz ou aqueles que ainda sofrem as dores desse mundo? Insisto; o céu é para aqueles que passam a vida inteira sabendo que aqui nada mais é que uma viagem de volta pra casa.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Isso é Guerra!


Uma mãe que enterra seu filho antes da ordem natural das coisas. Um pai que rala todo dia, sua a camisa no serviço e nos ônibus, carros ou metrôs que o levam para o trabalho e no final do mês parece que o salário ri de sua cara e de seu esforço. Um filho ou filha que só queria brincar de uma forma mais perigosa. Queria subir aquela árvore mais alta, queria pular aquele muro mais alto. Mas a árvore agora se transforma numa viagem mais perigosa chamada “Droga”; o muro agora tem outro nome; é chamado de “Vício”. O que era para ser uma brincadeira de criança se torna problema de gente grande. Quando criança a gente queria ser grande, mas não dessa forma.

Os dias passam e dão a impressão que eles estão cada vez mais malignos, mais vazios, menos divertidos, menos interessantes. Já reparou que por mais que se tenham opções de programas a gente não desgruda o dedo do controle remoto da TV. Por mais que se crie atividades das mais variadas dentro da igreja as coisas parecem iguais. Por mais pessoas que tenhamos nas nossas redes sociais, a sensação é que a gente está falando sozinho.

Estamos numa guerra impiedosa; quer você queira ou não. Uma guerra pela alma desse mundo. É uma guerra entre a segunda chance da humanidade e a sua total condenação. De um lado um Homem/Deus ou Deus/Homem abre os braços e o peito para receber todos os tiros e balas perdidas em direção a cada um de nós. Do outro um príncipe caído, um anjo sem asas, a personificação do mal e seu maior significado. Ambos não desistem de seus objetivos.

Da mesma forma que Cristo não deixa de amar, o diabo não deixa de odiar. No meio disso tudo estamos nós; o alvo desse amor e desse ódio. Representamos o melhor de Deus, a obra prima do Eterno, a Mona Lisa, o teto da Capela Sistina, o jardim suspenso, as pirâmides, tudo o que é belo e de melhor, toda perfeição na relação Criador/criatura foi detalhadamente planejado e sonhado.

Mas também toda destruição e morte, todo desejo maldoso, toda mancha na pintura, todo defeito de fabricação encontrou lugar no nosso coração. Optamos por uma única fruta quando tínhamos todos os pomares do mundo. Preferimos a comida mofada e embolorada quando podíamos repetir todos os pratos e todos os sabores.

A guerra não está perdida. Somos como soldados feridos às portas da Grande Conquista. Os ferimentos doem e entram cada vez mais fundo na carne, mas Aquele que cura todas as feridas e enxuga todas as lágrimas está chegando. Aquele que faz coxos andar e cegos enxergar vem com paixão e fúria trazendo em suas mãos as nossas coroas.

Convoco todos os príncipes e princesas do Reino Celestial, todos os reis e rainhas do Céu a tomarem seus lugares ao lado do exército do Senhor dos Exércitos, a ficarem firmes em suas posições, a não desistirem de seus sonhos e de sua fé, porque Ele está chegando e não demora. Pois lembrem-se: ainda estamos em guerra!

domingo, 6 de novembro de 2011

Entre Prostíbulos e Enfermarias!


G.K. Chesterton, conhecido pensador e escritor britânico católico disse a seguinte frase: "Todo homem que bate na porta de um bordel está a procura de Deus". Confesso que fiquei petrificado diante de tal afirmação. Verdade! Fui tomado por um entendimento que não havia pensado antes. E isso me levou a escrever esse texto que é fruto apenas de uma reflexão diante da hipocrisia que a gente tem vivido.

Se você imaginar um prostíbulo conseguirá imaginar várias cenas acontecendo ao mesmo tempo. Talvez alguns nunca estiveram em um, mas conseguem através de conversas, depoimentos, fotos, filmes levantarem um esquema parecido. Imagine que nesse lugar estão todo tipo de gente com todo tipo de educação, posse e história. Agora saiba você que nesse lugar nada se consegue de graça, nada é gratuito. Um beijo, um abraço, um aperto de mão ou uma salada mista é pago. O entrar no ambiente tem um custo. A alegria de uma companhia, o prazer de um momento íntimo; tudo tem seu preço, mas nada ali é verdadeiro, é tudo mentira. O prazer, a alegria, a companhia, os elogios, os tapinhas nas costas; tudo é uma linda e efêmera ilusão.

As pessoas batem nas portas dos prostíbulos e bordeis porque ali, mesmo que sejam mentira, todos os sentimentos experimentados, todas as confissões, todas as histórias passam a ser verdade, porque é justamente o que todo ser humano quer; atenção, gentileza, compreensão, uma demonstração de carinho, ainda que seja falsa!

Mas na enfermaria não. Ali o sentimento é verdadeiro, é de cuidado. Ali todo mundo sabe a doença de todo mundo e ninguém se sente maior ou menor por causa disso. Nesse ambiente não é necessário mentir, usar máscaras, maquiagem para esconder as marcas e as cicatrizes, aliás, não se pode mentir porque senão a cura é inviável, o tratamento se torna inútil. Nada se faz nesse lugar apenas por dinheiro, mas por vocação. Lá as pessoas não produtos a serem analisados e consumidos; são seres humanos com suas fraquezas, doenças e dificuldades. Não precisam ser perfeitos e nem fingir qualquer postura de alguém impecável. Estão ali em busca da perfeição, estão ali reconhecendo a limitação, mas não se ajoelham perante ela. Lutam e lutam até o fim, porque o que importa não é se vão vencer ou perder, mas sim que não vão se entregar como aquele que luta o bom combate.

Convido a todos a saírem dos prostíbulos que estão vivendo, das maquiagens e cascas que estão impedindo a vida de lhes enxergarem e lhes reconhecerem como seres humanos que estão em busca de alegria, mas verdadeira; de paz, mas verdadeira; de companhia, mas verdadeira; de amizade, mas verdadeira!

Na enfermaria tem gente imperfeita. É como no Instituto do Dr. Hunter “Patch” Adams no estado de West Virginia nos Estados Unidos chamado “Gesundheit”, que do alemão significa “Saúde”, e que também pode ser usado quando alguém espirra. Lá todo mundo é paciente e doutor. Todos tratam e são tratados. Se não acreditarmos nisso e não aceitarmos o desafio de viver como uma enfermaria, onde a verdade vale mais que o bem estar mentiroso, continuaremos sofrendo calados e ninguém vai poder ouvir a nossa voz.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Um Dia A Gente Aprende!



A gente nunca sabe como ganhar; e a gente gosta quando ganha; mas a gente nunca vai saber como perder. Perder dói, perder humilha; quando a gente perde é o mesmo sofrimento quando alguém rouba algo de nós, fica uma mistira de revolta com impotência com indignação; é uma mistura violenta.



Quando a gente perde alguém muito querido fica uma sensação de vazio que com o tempo vai se tornando cada vez mais visível. A cadeira vazia no almoço, o quarto vazio, um amontoado de roupas vazias, sem gente para vestí-las. E aquele abraço que não foi dado? A despedida que não aconteceu? Que direito essas pessoas tinham de morrer sem ao menos nos deixar preparados? Queremos e nos preparamos para ganhar. Engraçado, nunca estamos preparados para perder.



Tem dias que eu queria ter uns poderes miraculosos, do tipo que curaria pessoas doentes, faria gente paralítica andar e cegos enxergarem, facilmente diria para um morto sair do caixão e voltar à vida. Mas não tenho esse poder, não tenho essa facilidade que apenas uma pessoa no mundo tem; Deus! E por que Ele não cura? Por que Ele não ressuscita? Por que Ele não tira a dor como se tira uma unha encravada? Há situações em que Ele cura, mas não todas as vezes. A Bíblia diz que Ele não faz acepção de pessoas, mas Ele cura um e não cura o outro. Como assim?



Existem pessoas especiais aqui nessa Terra, não sei se você já percebeu? Essas pessoas têm uma sensibilidade e uma habilidade incrível que é de não perder a esperança! A vida os sacode de uma forma violenta e eles continuam em pé! Deus diz não para elas e mesmo assim continuam crendo que essa resposta é a melhor de todas, mesmo não sendo aquela que elas querem ouvir! É incrível! E quando você é surpreendido com alguma tragédia, é só olhar nos olhos dessas pessoas e uma força sobrenatural, quase divina invade seu coração e dá vontade de continuar tentando até a dor passar! E ela passa!



Mas você percebe de onde essas pessoas tiram suas forças e esperança. Não é de nenhuma filosofia existencial, não é de nenhuma fórmula mágica ou de um livro de segredos. Essa força, esse poder, essa vontade de viver vem de uma fé que não se explica, mas se experimenta todo dia na batalha contra os leões e os gigantes. o importante não é se os leões serão mortos ou os gigantes derrubados, mas sim o fato de que jamais essas pessoas desistem de lutar, mesmo que dê vontade de parar!



O importante não é se a gente ganha ou perde, mas se a gente insiste em lutar ou não! O luto um dia bate na nossa porta, e aí? Um dia a doença nos surpreende, e aí? Uma dia a gente perde, e aí? É aí que a gente mostra em quem a gente acredita, se no "Não" que o mundo diz ou no "Continue, estou com você" de Deus. Mesmo que pareça que Ele não está nem aí para os seus sentimentos, Ele se preocupa! Existem derrotas que nos assombram a vida toda, mas isso não significa que a guerra está perdida. Mesmo caminhando em dor, somos mais que vencedores.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

SALMO 136 - Versão Brasileira



1 - Ainda que eu fique parado na fila de um hospital, e não tenha mais nada a perder senão a esperança; a Sua misericórdia dura para sempre.



2 - Ainda que mais Realengos insistam em acontecer; a Sua misericórdia dura para sempre.



3 - Ainda que, pela irresponsabilidade de governantes egoístas, aconteçam mais espisódioas de descaso como do Morro do Bumba, Petrópolis, Teresópolis, e tantas outras cidades brasileiras; a Sua misericórdia dura para sempre.



4 - Ainda que a família do ex-governador Joaquim Roriz nos envergonhe chamando a si mesmos de brasileiros; a Sua misericórdia dura para sempre.



5 - Ainda que Paulo Maluf seja procurado pela InterPol, roubado mais dinheiro público que qualquer assaltante profissional, esteja livre amparado pelas leis brasileiras e tenha 80 anos de idade; a Sua misericórdia dura para sempre.



6 - Ainda que garotos e garotas homossexuais sejam violentados todos os dias e seus direitos como cidadãos esquecidos; a Sua misericórdia dura para sempre.



7 - Ainda que bandidos disfarçados de pastores se orgulhem de expor suas mansões e inúmeros bens materiais comprados com dinheiro suado de seus fiéis, e ainda abusam de seus membros dizendo coisas que Deus jamais disse; a Sua misericórdia dura para sempre.



8 - Ainda que o Congresso Nacional seja mais um antro de picaretagem, safadeza e corrupção, manchando assim um dos patrimônios da nossa democracia; a Sua misericórdia dura para sempre.



9 - Ainda que prostitutas, moradores de rua, travestis, crianças abandonadas e movidas a cola sejam constantemente violentadas pela nossa falsa moral; a Sua misericórdia dura para sempre.



10 - Ainda que enterremos nossos jovens, mortos pelo descaso público e pelo abuso de autoridade das polícias; a Sua misericórdia dura para sempre.



11 - Mesmo que nossos filhos e filhas sejam vendidos a preço banal para engordar os bolsos de quem já perdeu a vergonha na cara; a Sua misericórdia dura para sempre.



12 - Mesmo que o usuário de drogas ainda seja confundido erroneamene com bandidos; a Sua misericórdia dura para sempre.



13 - Mesmo que nossas orações por melhoria pareçam não passar do teto; a Sua misericórdia dura para sempre.



14 - Mesmo que percamos a fé em Deus, no Brasil, nas pessoas, nas instituições; a Sua misericórdia dura para sempre.



O Salmo 136 tem muito mais versículos (26 versículos, para ser mais exato), mas esse é apenas um desabafo de quem ainda luta pela verdade e acredita que pode melhorar porque a Sua misericórdia, bondade, amor duram para sempre.

terça-feira, 26 de abril de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

15 Anos sem Mamonas Assassinas!


Há exatos 15 anos perdemos uma banda que chocou e causou grande admiração na população brasileira com seu ritmo alegre, descontraído e muito legal! Estou falando dos Mamonas Assassinas!

Seus integrantes, Dinho, Bento, Sérgio, Júlio e Samuel, arrebataram fãs e criaram canções quase que brincando! O bom humor era a marca dessa rapaziada nova que de maneira precoce perde a vida em um acidente de avião. Fica a saudade de quem ria e relaxava ouvindo músicas como "Pelados em Santos", "Robocop Gay" e outras.

Eu me lembro de quando os Mamonas morreram! Era num domingo de manhã e eu estava na igreja, como de costume, e ouvi alguém falar de um acidente de avião com uma banda famosa! Ouvi também aqueles comentários imbecis que diziam que os Mamonas ardiam no fogo do inferno, como se aquelas pessoas tinham o poder de enviá-los para lá! Graças ao bom Deus que elas não têm!

Fiquei chocado com a notícia, porque eram jovens demais, bacanas demais, legais demais e agora dava a impressão que as músicas não tinham mais graça, só acordes! Os músicos não tinham mais emoção, só técnica. É, naquela madrugada do dia primeiro de março para o segundo do ano de 1996 o meu mundo musical e o de muita gente ficou mais chato, mais sério, mais triste!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Feliz Natal e que Deus abençoe a todos!


Escrevi uma carta para Papai Noel pedindo a ele uma única coisa: que esse dia se multiplique durante todo o ano que vem. Antes sentia uma angústia enorme quando chegava perto do Natal. Era uma sensação de tristeza muito forte, ainda que minha casa estivesse cheia de gente, tivesse ganhado alguns presentes e conseguido conquistar algumas coisas, como passar de ano! Não sei bem explicar o porquê, a razão desse tipo de sentimento!

Mas agora a tristeza passou, mesmo que pessoas especiais que estiveram comigo nos Natais anteriores não estejam mais aqui! Consegui curtir a festa mesmo sabendo que nem tudo no ano acabou dando certo por alguma razão, mas que pode dar certo no ano que vem! Soube me alegrar mesmo não tendo ganhado tanto presente quando ganhava quando era criança!

Uma coisa eu sei; e isso eu desejo muito! Que Cristo nasça na vida de cada um que lê esse pequeno texto, que o Senhor de toda a vida abundante renasça no meio de todas as famílias da Terra, sejam pobres ou ricas, numerosas ou pequenas, problemáticas ou não!

Feliz Natal a todos!

domingo, 31 de outubro de 2010

Imitadores!


Existem textos bíblicos que ao longo dos anos de leitura vão tomando novas formas e adquirindo a sua real identidade. Deixam de ser pretextos para se tornarem texto vivo e de um significado novo que faz a gente repensar a vida cristã de uma forma mais humana, sincera e honesta.

Um desses textos foi aquela passagem onde o apóstolo Paulo diz para sermos seus imitadores como ele o é de Cristo. Achava uma imensa pretensão de Paulo dizer essas palavras. Alguns me diziam que o texto era inspirado e que essa era a única razão suficiente para aceitar o texto da forma como está. Acredito na inspiração das Escrituras que ela é a Palavra de Deus, mas usar a inspiração para usar como desculpa para a falta de interpretação e de entendimento do texto já é demais.

Paulo é muito coerente com seu pensamento. Ele jamais chamaria uma responsabilidade tão grande sobre si. Como ele era um apóstolo, um líder que falava para dezenas de milhares de pessoas, ele jamais pediria que esses ouvintes apenas o imitassem como sendo o exemplo mor de todo comportamento humano. Paulo mesmo em uma de suas cartas diz que ele é o pior dos pecadores. Sendo assim, como imitar o pior dos pecadores?

A questão é que Paulo usa de uma lógica filosófica grega. Não nos esqueçamos que o apóstolo vivia numa época em que a cultura grega é muito comum, inclusive a sua escrita é e língua grega para que assim ele pudesse alcançar mais gente e mais lugares! Paulo, na verdade, está dizendo que devemos sim ser seus imitadores, porque, como conseqüência disso, ele imita a Cristo. Logo, devemos imitar a Cristo!

Paulo não bate no peito e clama por reconhecimento, Paulo não é presunçoso, Paulo é, na verdade, um grande pensador que usa de sabedoria para simplesmente dizer que quem é o alvo de nossa imitação é Cristo. Todos os jeitos, a fala, o modo de pensar, o modo de agir, a maneira de orar e de comunicar, as formas de tratar as pessoas e de entender como funciona o Reino de Deus. Tudo isso é imitar a Cristo.

É muito mais que falar igual ao Silvio Santos, usar os mesmos ternos ou ter o mesmo penteado. É incorporar em sua personalidade a essência de um Deus que viveu como humano e ensinou a humanidade e ser gente! É não negar as suas falhas, mas encará-las de frente e saber que elas nunca foram superiores ao amor do Pai que perdoa e limpa todas as nossas falhas. É saber que o julgamento dos nossos pecados aconteceu no Calvário e o veredicto foi: “perdoado”!

Imitar os outros é muito engraçado! É uma espécie de homenagem a uma personalidade única. Quem imita sabe que aquela pessoa só é imitada porque ela única e todos vão saber quem é! Por isso, imitar a Paulo é imitar a Cristo e nada mais. Sem peso de ser um Deus, mas a graça de ser apenas humano e a imagem de semelhança de Deus!

Arte e Artistas!


Quem nunca escutou a seguinte frase: “Você que é crente peca quando escuta música do mundo”? Eu escutei diversas vezes, inclusive já fui disciplinado porque fui a um show de música popular. “Onde já se viu”, me perguntavam, “um crente como você ir a esses encontros mundanos?”. Eu sou de onde? Desse mundo ou de Plutão? Será que minha mãe na verdade pertencia a uma comunidade de ETs que habitavam um dos anéis de Saturno e meu pai é um foragido da justiça da constelação de Antares? Claro que não. Bem, é claro que nem tudo que se canta e toca por aí é de boa qualidade, tem boa fama ou causa algum bem, mas não podemos também dizer que tudo que está aí é do capeta! Aliás, meus caros, muita coisa dita como “gospel” está mais para “bostel”!


Dias atrás mesmo fiquei meio que perdido quando escutei uma música, um funk, que dizia a seguinte frase: “Vou te comer!”. Não sei se era a dança do lobo mau, mas fiquei meio que escandalizado! Quer dizer que as cinco velocidades do famoso “créu” perderam força e agora o negócio é “comer” mesmo! Djavan que me desculpe, mas o “por dentro eu te devoro” de sua linda poesia está ficando muito tradicional! Chega de hinos poéticos, vamos entrar no “côro”!


Não precisamos ir longe. Nossas músicas, algumas, perderam seu verdadeiro valor de transmitir mensagens que fazem o nosso coração descansar, que fazem nossos olhos enxergarem esperança. Agora o negócio é ir “para esquerda, para direita, para frente e para trás”. Declarar que o Senhor é “Soberano sobre a terra, sobre os céus Tu és Senhor absoluto” é coisa do passado. É mais fácil dizer que “eu vou subir” muitas e muitas vezes até que eu entre em estado de Nirvana e suba mesmo!


Por outro lado, também não curto muito esse negócio bairrista de que só a música do cantor tal é que presta! Fica uma guerrinha de quem é melhor, de quem é mais poeta, de quem é mais. Esses Jihads da música gospel é que estragam com o verdadeiro sentido da música, que é comunicar as belezas do Senhor. Tem gente que entende o evangelho quando escuta Diante do Trono e tem gente que entende o evangelho escutando Stênio Marcius; claro que não há comparação entre eles. Lógico, são propostas diferentes, mas carregam dentro de si a vontade de cantar aquilo que acreditam!


Dizer que esse cantor ou aquela cantora não é de Deus passa a ser acusação séria. Ninguém que é humano pode chamar para si a responsabilidade de julgar quem quer que seja, pois a cadeira de Juiz já tem dono e está ocupada antes mesmo de existir mundo!


Meu convite é que aprendamos a curtir melhor a arte que Deus permite que seres humanos, abençoados com sua graça comum, acabam criando de uma forma belíssima. As artes estão aí para serem instrumentos de benção e de manifestações da presença de Deus aqui na Terra! Sejamos mais artistas, mais palhaços, mais malabaristas, mais compositores, mais poetas, e menos chatos, pelo amor de Deus!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

As Senhoras Primeiro


Enoja-me a forma como algumas coisas no meio cristão são tratadas! Parece muito simples dizer que é contra o aborto, muito fácil dizer que é contra isso ou aquilo. Dá a impressão que somos aquilo que somos contra. A identidade do cristão é determinada por aquilo que ele é contra! Se for contra o aborto, é cristão. Se for contra a prostituição, é cristão. Se for contra o divórcio, é cristão! Tudo muito taxativo, tudo muito certinho, tudo muito chato!

Engraçado como Cristo tratava certos grupos considerados impuros pela sociedade e religiosidade judaicas. Um de Seus discípulos que posteriormente escreve um dos Evangelhos era um cobrador de impostos; Ele curou o servo de um centurião romano, dizendo inclusive que não havia fé semelhante em Israel comparada com a do centurião; disse para andarmos não uma, mas duas milhas com nosso inimigo, ou seja, quantas forem necessárias; come na casa do chefe da coletoria Zaqueu; faz amizade com gente que não era considerada muito certinha, pois comia e bebia com eles, sinal de amizade e intimidade; honra mulheres que antes eram humilhadas e apedrejadas.

As desigualdades sociais e as suas conseqüências são de responsabilidade de todos nós. É muito fácil criticarmos as Paradas Gays e continuarmos a jogar pedras nos homossexuais com a prerrogativa de que estamos com a verdade. Gente, os militantes xiitas do Oriente Médio fazem isso melhor do que nós!

E a prostituição, então? Engraçado que Cristo recebe a adoração de uma prostituta, perdoa e liberta aquela mulher para uma vida de verdade! É recebida pelo Cristo como uma princesa, é tratada como uma filha que volta pra pedir desculpas para o pai depois de uma desobediência e sai dali com a certeza de que acabou de conversar com seu irmão mais velho, aquele que cuida dos passos da irmã mais nova!

Deveríamos repensar nossa maneira de tratar os seres humanos a partir do modelo comportamental de Jesus! Nosso Senhor nunca desprezou e nunca desamparou ninguém, nuca taxou ninguém disso ou daquilo, mas sim exerceu atitudes que mudaram e transformaram vidas, emoções, transformaram o cotidiano daquelas pessoas. Cristo apresentou o verdadeiro Deus e fez com que pessoas, antes enxotadas pela religiosidade, fossem recebidas como reis e rainhas do Paraíso! Se devemos ser como Cristo foi, esse é um bom começo!

Um tanto intrigante é o fato de Cristo dizer que meretrizes entrariam antes no Reino dos Céus! É uma frase forte hoje, e foi uma frase forte para quem a escutou pela primeira vez lá em Israel, mas o fato não é a frase em si, mas quem a disse. Então, desde já vamos nos preparar, senhores pastores, apóstolos, bispos, líderes de louvor, famosos da fé; quando formos entrar pela porta eterna sejamos no mínimo educados e digamos às nossas irmãs: a senhora primeiro!

A Voz de Alguém


Dizem que a voz do povo é a voz de Deus. Não sei até onde isso é verdade, até onde Deus pode mesmo usar da voz do povo para falar alguma coisa. Mas o que sei e o que vi nesses poucos anos de vida é que nem sempre Deus está ecoando a voz do povo. Porém me ocorre que numa passagem específica das Escrituras Sagradas fica essa grande pergunta. Que voz condenou a Cristo à cruz? Seria a voz do povo ou a voz de Deus?

Numa eleição onde o universo inteiro estava envolvido, tínhamos de um lado o candidato do mundo; Barrabás, e do outro havia o candidato para o mundo; o próprio Cristo! Um representava a vontade soberana dos homens, o desejo de ser independente, o anseio de se ver livre de qualquer Deus humano. O Outro representava o interesse soberano do único Soberano, a vontade de ver Sua criatura livre do desejo de querer ser Deus, o desejo de libertar de uma vez por todas a Sua obra-prima de qualquer estereótipo pseudo santo ou pseudo religioso. A multidão fez a sua escolha. Mas qual seria a escolha?

Eles deveriam escolher aquele que sairia livre, sem culpa, perdoado de seus crimes. Aquele que ficasse estaria fadado à cruz e ao sofrimento que a crucificação acarretava. Em certo sentido, a multidão foi sim a voz de Deus. Deus escolheu que o homem fosse livre de sua culpa e de seu sofrimento e escolheu sofrer a vergonha do madeiro. A multidão mais uma vez foi um instrumento imperfeito nas mãos do Perfeito!

Há certos movimentos na nossa vida que a gente não entende e quando a gente força para entender parece que o sofrimento é dobrado. Há escolhas que a gente faz que, muitas vezes, não mostram nenhum resultado aparente. O fato de Cristo ter sido escolhido pelo povo não foi porque eles sabiam que a profecia precisava se cumprir e que o Cordeiro de Deus precisava ser sacrificado; eles queriam na verdade romper com esse Cristo atrevido, enxerido que veio da cidadezinha de Nazaré achando que era filho de Deus. As palavras de Jesus incomodavam a religiosidade e os interesses dos líderes. Eles não queriam a salvação; queriam a morte Daquele que prometia vida eterna!

Mas o tiro saiu pela culatra! Mesmo o mundo não querendo a salvação, negando até o último minuto o desejo de liberdade, Deus concedeu salvação de graça com graça. Mal sabia o povo que dizendo: “Crucifica-o” para Pilatos acerca de Jesus, ele estava dizendo sem saber que reconheciam o fato daquele Galileu Nazareno, filho de carpinteiro ser o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E tirou mesmo!

A história mostra que o pedido de morte partiu da multidão, mas a história também mostra que a infecção da humanidade pela vida partiu do próprio Deus antes mesmo da existência do universo. Se a voz do povo é a voz de Deus eu não sei. Só sei de uma coisa. Quando o povo saiu para crucificar o nosso Rei, quando saiu para zombá-lO e para maltratá-lO, Deus já havia dito que a salvação havia chegado e que era tempo de se alegrar.