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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Se Não Fosse o Pecado



Imagine se não houvesse pecado no mundo de hoje! Uma série de coisas não aconteceria e provavelmente muitas das grandes mentes jamais seriam conhecidas! Não precisaríamos de médicos e nem de pesquisadores para achar curas de doenças malignas como a AIDS e o câncer! Não teríamos enfermeiros e nem de hospitais! Não teríamos pessoas internadas e gente presa nos corredores dos prontos-socorros recebendo tratamentos precários!

Não teríamos mais as sofridas despedidas! Ninguém precisaria ir embora o tempo todo porque no outro dia deveriam estar trabalhando e lutando pela sobrevivência! Talvez as pessoas pudessem se ver mais vezes e com um aproveitamento melhor do tempo! A saudade provavelmente seria morta com mais facilidade e sem muita burocracia! As famílias iriam se reunir mais e com grandes possibilidades de muito mais risadas do que brigas e bebedeiras fúteis!

Os cemitérios? Nem seriam conhecidos! Até porque não enterraríamos ninguém! Não seria bacana não ter velório de ninguém? Claro que seria! Ter seus pais e amigos que já se foram tão perto da gente e sem enfrentar o terrível e angustiante medo da perda deles! Bom, isso seria um sonho louco se não fosse uma realidade mais próxima do que você pode imaginar! Um dia isso tudo vai acontecer e será um dia lindo onde o céu vai descer e vai deixar de ser uma ideia teológica para ser o nosso lar, a nossa casa onde o pecado será apenas uma lenda, sem poder, sem efeito, sem existência!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Os Que Vencem Ao Fracassar




Em tempos de teologia da prosperidade, dos “mais que vencedores”, daqueles que decretam e “deus” faz, dos que não adoecem, não se deprimem, comem das “iguarias da terra” e desfrutam do “melhor” que lhes está “reservado”, eu confesso: sou um derrotado!


Provavelmente não há esperança para mim... Existo em meio a contradições, minha alma está dividida, estou em “milhares de carros, eu estou ao meio”. A grande maioria dos meus sonhos nunca se cumpriu, boa parte dos projetos que idealizei deu em nada, já trabalhei sem ter resultados, me senti por vezes como Sansão, rodando a grande roda de moinho da vida sem sair do lugar.

Mesmo dizendo para mim mesmo que “tudo posso naquele que me fortalece”, continuo sentindo medo. Há “fantasmas” percorrendo as ruas sombrias da minha alma, lembranças que me atormentam, “vozes” que me assustam. Não raro sinto um aperto no coração, falta de ar, falta de espaço, falta de chão! Eu bem que queria ser daqueles que nunca retrocedem, que derrotam os “gigantes” e jamais caem na “batalha”, mas a verdade é que sou frágil, me canso, me desmotivo, sou como um qualquer, sou genérico, ainda que desejasse ser singular...


Como disse o Lulu Santos em sua canção, “já não tenho dedos pra contar de quantos barrancos despenquei, e quantas pedras me atiraram, ou quantas atirei”. Já me meti em muitas enrascadas, fiz escolhas desastrosas, perdi tempo, perdi dinheiro, perdi amigos, perdi vida, essa coisa preciosa que não se pode recuperar, vida que escorreu pelos meus dedos, seiva que se foi como um rio pelo esgoto do cotidiano.


Na verdade, “eu não sou um homem; sou um campo de batalhas” como afirmou Nietzsche. Dentro de mim há fogo, dores, desencontros e paradoxos. Estou em “guerra” contra Deus, contra o meu semelhante, contra mim mesmo. Luto para saber quem sou, por que sou, de onde vim, para onde vou? Por vezes eu tenho as respostas, já em outros momentos sinto-me suspenso, dependurado sob a navalha da verdade, encurralado entre a razão e a fé, entre o real e o intangível.


Mais há uma fagulha em mim que teima em não apagar. Mesmo reconhecendo que perdi muitas coisas, nunca se extinguiu a paixão que sinto por Deus. Ainda que eu esteja neste atoleiro existencial, onde não se vai nem para frente nem para trás, continuo crendo, pois existir é absurdo, é contra-fluxo, é contra-mão.


Eis, então, surge a “dialética de Paulo”: “de todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos”. Talvez lhe pareça o coro dos insensatos, mas não é. É paradoxo, é mistério, é, sem dúvida alguma, incompreensível tentar compreender com as lentes da razão aquilo que só pode ser discernido pelo coração.


Talvez seja por isso que eu continuo, insisto, não desisto. Há dias que estou de pé e outros nos quais me arrasto pelo chão gelado do inimaginável. Vou, como diz Che Guevara, “derrota após derrota até a vitória final”. Faço como me ensina a Escritura, “diga o fraco: eu sou forte”.


E quem foi que disse que só se vence quando se ganha? Que nada! Muito pelo contrário, há vitórias que só podem ser atingidas quando se é “derrotado”, pois é “morrendo que se vive para a vida eterna”! E aqui eu lhe afirmo: existe, sim, aqueles que só vencem ao fracassar, os que abriram mão de ser qualquer coisa que não seja em Deus.


Num mundo feito apenas para os “campeões”, prefiro ser perdedor. E se você quiser saber o que é derrota, eu vou lhe dizer, nas palavras de Martha Medeiros: “derrota é quando a gente ganha dos outros, mas desiste de si mesmo”. A bem da verdade, já desisti de mim muitas vezes, e só continuo por aqui porque “Ele” jamais desistiu...


By Carlos Moreira (co-editor do blog Genizah)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Medicina Alternativa


William Shakespeare imortalizou uma história de amor que acabou em tragédia. Uma maneira de se interpretar o conto é dizer que o ódio e o orgulho das famílias rivais falaram mais alto ou, para ser mais direto, foi mais importante que o amor entre os dois jovens amantes; membros de famílias diferentes.

Romeu e Julieta são ao mesmo tempo uma celebração do amor e uma denúncia. Eles expõem para o mundo inteiro um dos maiores males, senão o maior, do ser humano, a saber, a dificuldade beirando a impossibilidade de perdoar. O casal precisou morrer para poder ficar juntos. Queriam enganar a morte, mas a morte não se engana, ela precisa ser vencida. Vencendo-a, não existe melhor aliada. Ao invés de viver uma vida juntos, Romeu e Julieta perceberam que suas famílias não se entendiam, seus entes preferiram o ódio, optaram pela raiva que depois de anos só existia por causa de uma tradição e nada mais.

E se houvesse perdão? E se houvesse uma possibilidade de convivência respeitosa? Afinal de contas, os filhos se amavam e eles são, ou deveriam ser mais valiosos que qualquer briga. A vida da gente se confunde um pouco com a vida desse casal. Às vezes, percebe-se que é melhor deixar do jeito que está, isto é, não motivado por sabedoria, mas por orgulho. Não há possibilidade de cura por meio do perdão se o orgulho for mais forte.

Perdoar não é fácil, mas conviver com a mágoa todo o momento trazendo à nossa memória dores causadas pelos outros e corroendo a alma dia após dia é insuportável. Mas na maioria das vezes optamos por esse caminho, preferimos sofrer calados a sofrer as dores da cura interior. Anestesiar a alma com desculpas e razões egoístas é mais fácil que mexer na ferida até cicatrizar, mas mais cedo ou mais tarde a anestesia passa e voltamos a encarar a realidade dos fatos. Alguns preferem se drogar novamente, outros escolhem passar pelo tratamento do perdão, pelo processo curativo de deixar viver o outro e a si mesmo.

Voltando ao romance shakespeariano, a morte do casal trouxe reconciliação entre as duas famílias. A tentativa de fuga se transformou no mais famoso suicídio da dramaturgia, mas também trouxe luz às duas maiores verdades universais: “É melhor prevenir a remediar” e “Perdoe as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Se houvesse uma reconciliação antes, se a chance de um diálogo pudesse encontrar lugar na historia, se o orgulho fosse apenas coadjuvante e não um dos principais protagonistas talvez o final fosse diferente.

Deus, entendendo nosso orgulho e não aceitando a situação de separação de Sua mais bela e perfeita obra, resolve “se matar” para que houvesse reconciliação entre Criador e criatura, entre Pai e Seus filhos rebeldes. Diferentemente da peça teatral, Cristo volta à vida possibilitando o efeito poderoso do perdão e também se abre a porta de uma segunda chance para a humanidade. Cristo ensina que o perdão vem através de sangue, suor e lágrimas; não é uma escolha fácil de tomar, mas não há nada nesse mundo mais forte e libertador que dizer “eu te perdôo”. Não é um processo simples e indolor, como alguns podem achar, mas é o único que possibilita o homem gerar vida no outro e permiti-lo experimentar a plenitude da vida.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A (In)Diferença Cristã


Não precisamos derrotar nossos medos, basta lutar contra eles. Não precisamos tratar o pecado e o pecador com uma pseudo justiça e uma falsa moralidade, apenas enfrente as dificuldades humanas de forma honesta e curadora. O grande problema é que não estamos dispostos a lutar por mais nada. Lutar contra o pecado é lutar por seres humanos melhores e sem máscaras. O que mais se tem é gente querendo esconder o que não deve ser escondido. É o mesmo que ir ao médico e não dizer os sintomas, ou mentir dizendo que não está sentindo nada.

A grande diferença cristã nesse mundo maluco de incoerências é não criar diferença nenhuma. O problema é que criamos um gueto onde só se entra ou só se sai seguindo alguns rituais ou dogmas produzidos ao longo da história, ou vestindo determinados tipos de roupas, ou tendo um penteado caracterizado, ou falando uma língua “evangeliquês”, tudo se resumindo a usos e costumes.

O cristão é um ser humano como qualquer outro, mas que tomou a decisão de lutar contra seus desejos ao invés de cruzar os braços e deixar que a vida o levasse para qualquer lugar ou situação. O cristão não se preocupa em ganhar ou perder, ele se preocupa em entrar na briga. A vitória é dada àquele que se dispõe a enfrentar as filosofias e os comportamentos que querem transformar o ser humano na pior das criaturas divinas, sendo que Deus quando cria o homem diz que é muito bom. Portanto, se o Criador diz que sua criação é muito boa, isso significa que um valor divino foi depositado em cada ser humano vivente na Terra. Não há uma pessoa sequer na Terra em que Deus tenha se arrependido de ter criado. A questão é que durante suas vidas, algumas criaturas se acharam no direito de seguir em frente sem a permissão e o cuidado de Deus. Deus, sendo pai bondoso e conhecedor de todos os futuros de todas as histórias, deixa ir, na esperança do retorno de seu filho ao lar.

Combater o bom combate não significa que a pessoa tenha ganhado, apenas que valeu a pena não ter desistido de lutar. É matando um leão por dia, engolindo sapo e dando meia volta onde parecia ser certo prosseguir que o cristão se converte em ser humano. E o ser humano se converte em cristão quando reconhece que só consegue lutar dessa forma através da força, da graça e da presença de Deus.

A Bíblia diz que os tímidos não herdarão o Reino. O Livro não fala da personalidade da pessoa, mas sim da covardia, da timidez diante da escolha a ser tomada. Aqueles que insistem em lutar, aqueles que não abaixam a guarda, aqueles que choram quando não encontram forças, mesmo persistindo o desejo de continuar na batalha, aqueles que de joelhos não cansam de pedir por reforço constante não serão envergonhados, ainda que tombem na terra, serão coroados na eternidade.

O cristão que quer fazer diferença siga essa simples verdade: combata o bom combate, não desista de insistir em acreditar porque Ele está a caminho. Quando Ele chegar, o tempo das batalhas se encerra e o tempo de revelar de que lado lutamos se inicia.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Uma Nova Utopia, Um Convite Urgente


Todo mundo um dia teve vontade de jogar tudo para o alto e recomeçar a vida, mas faltou coragem. Sentia que o casamento não ia bem, os negócios sempre na corda bamba e a gente com a corda no pescoço. O marasmo da vida, a rotina, o mesmismo, todos esses nomes nos assustam e com razão. Lemos os livros de aventuras ou assistimos aos filmes desses livros e sonhamos em ser os aventureiros, os heróis dessas histórias e no final de tudo perguntamos: “Por que isso não acontece comigo?”.

O Cristianismo verdadeiro tem uma proposta que satisfaz esse desejo de todo ser humano que é o desejo de encontrar valor na vida, mais especificamente o seu próprio valor. Mas dentro dessa verdade não se encontra valor próprio sem o outro; sempre o outro tem algo para nos acrescentar. Agora, com isso em mente, precisa-se entender que existe O Outro, ou Aquele que sem o qual não existiria nenhum outro ou nenhuma outra. Ou seja, sem a fonte de tudo o que se conhece e não se conhece nada do que foi feito seria de fato feito.

Cristo é esse Outro que não cabe apenas em idéias e conceitos religiosos. Não cabe em dogmas ou doutrinas. Cristo é revelado em pessoas à Sua imagem e semelhança. A conversão é o movimento do coração e da mente que entende que não somos donos dos nossos narizes, como se diz, mas somos cooperadores, filhos, amigos e dependentes do Outro e de outros também. Alguém que se converte começa a ter a capacidade de encontrar os atributos de Deus em todas as áreas da vida como as artes, entretenimento, esportes e tantos outros. É o início de uma percepção mais santa, mais apurada e divertida.

De fato, o novo assusta. Não estou falando de uma nova religião, mas de uma nova maneira de ver e de viver a vida. Além de assustar, o novo causa preguiça. A gente não quer mudar de vida porque do jeito que está, mesmo sendo a mais chata das situações, todo mundo está assim. Então, pra que mexer com quem está quieto? É cômodo. Mas se isso fosse verdade o racismo continuaria forte nos Estados Unidos, a ditadura e a escravidão ainda reinariam no Brasil e não teríamos nenhuma história bacana pra contar para nossos filhos e netos.

A verdadeira mensagem de Cristo é uma utopia possível. Utopia por ser considerada louca, revolucionária e impossível aos olhos do homem, mas possível porque quem realiza a revolução é Aquele que faz homens considerados poderosos demais se ajoelharem e aqueles que estão de joelhos permanecerem como estão. Ser o novo é fazer o contrário possível.

A maior contradição da história foi personificada em Cristo. Deus que se faz homem ensinando o homem a ser mais humano. E ao fazer isso, o homem de torna mais divino, portanto mais próximo de Deus e cumprindo seu papel de ser Sua imagem e semelhança.

Há duas maneiras de viver a mesma coisa: jogue tudo para o alto como um sinal de desistência e de completo desejo de anarquia e desorganização da vida ou faça a mesma coisa, mas com um desejo apaixonado de reorganizar sua vida e também como um ato sincero de reconhecimento Àquele que faz novas todas as coisas.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Isso é Guerra!


Uma mãe que enterra seu filho antes da ordem natural das coisas. Um pai que rala todo dia, sua a camisa no serviço e nos ônibus, carros ou metrôs que o levam para o trabalho e no final do mês parece que o salário ri de sua cara e de seu esforço. Um filho ou filha que só queria brincar de uma forma mais perigosa. Queria subir aquela árvore mais alta, queria pular aquele muro mais alto. Mas a árvore agora se transforma numa viagem mais perigosa chamada “Droga”; o muro agora tem outro nome; é chamado de “Vício”. O que era para ser uma brincadeira de criança se torna problema de gente grande. Quando criança a gente queria ser grande, mas não dessa forma.

Os dias passam e dão a impressão que eles estão cada vez mais malignos, mais vazios, menos divertidos, menos interessantes. Já reparou que por mais que se tenham opções de programas a gente não desgruda o dedo do controle remoto da TV. Por mais que se crie atividades das mais variadas dentro da igreja as coisas parecem iguais. Por mais pessoas que tenhamos nas nossas redes sociais, a sensação é que a gente está falando sozinho.

Estamos numa guerra impiedosa; quer você queira ou não. Uma guerra pela alma desse mundo. É uma guerra entre a segunda chance da humanidade e a sua total condenação. De um lado um Homem/Deus ou Deus/Homem abre os braços e o peito para receber todos os tiros e balas perdidas em direção a cada um de nós. Do outro um príncipe caído, um anjo sem asas, a personificação do mal e seu maior significado. Ambos não desistem de seus objetivos.

Da mesma forma que Cristo não deixa de amar, o diabo não deixa de odiar. No meio disso tudo estamos nós; o alvo desse amor e desse ódio. Representamos o melhor de Deus, a obra prima do Eterno, a Mona Lisa, o teto da Capela Sistina, o jardim suspenso, as pirâmides, tudo o que é belo e de melhor, toda perfeição na relação Criador/criatura foi detalhadamente planejado e sonhado.

Mas também toda destruição e morte, todo desejo maldoso, toda mancha na pintura, todo defeito de fabricação encontrou lugar no nosso coração. Optamos por uma única fruta quando tínhamos todos os pomares do mundo. Preferimos a comida mofada e embolorada quando podíamos repetir todos os pratos e todos os sabores.

A guerra não está perdida. Somos como soldados feridos às portas da Grande Conquista. Os ferimentos doem e entram cada vez mais fundo na carne, mas Aquele que cura todas as feridas e enxuga todas as lágrimas está chegando. Aquele que faz coxos andar e cegos enxergar vem com paixão e fúria trazendo em suas mãos as nossas coroas.

Convoco todos os príncipes e princesas do Reino Celestial, todos os reis e rainhas do Céu a tomarem seus lugares ao lado do exército do Senhor dos Exércitos, a ficarem firmes em suas posições, a não desistirem de seus sonhos e de sua fé, porque Ele está chegando e não demora. Pois lembrem-se: ainda estamos em guerra!

domingo, 6 de novembro de 2011

Entre Prostíbulos e Enfermarias!


G.K. Chesterton, conhecido pensador e escritor britânico católico disse a seguinte frase: "Todo homem que bate na porta de um bordel está a procura de Deus". Confesso que fiquei petrificado diante de tal afirmação. Verdade! Fui tomado por um entendimento que não havia pensado antes. E isso me levou a escrever esse texto que é fruto apenas de uma reflexão diante da hipocrisia que a gente tem vivido.

Se você imaginar um prostíbulo conseguirá imaginar várias cenas acontecendo ao mesmo tempo. Talvez alguns nunca estiveram em um, mas conseguem através de conversas, depoimentos, fotos, filmes levantarem um esquema parecido. Imagine que nesse lugar estão todo tipo de gente com todo tipo de educação, posse e história. Agora saiba você que nesse lugar nada se consegue de graça, nada é gratuito. Um beijo, um abraço, um aperto de mão ou uma salada mista é pago. O entrar no ambiente tem um custo. A alegria de uma companhia, o prazer de um momento íntimo; tudo tem seu preço, mas nada ali é verdadeiro, é tudo mentira. O prazer, a alegria, a companhia, os elogios, os tapinhas nas costas; tudo é uma linda e efêmera ilusão.

As pessoas batem nas portas dos prostíbulos e bordeis porque ali, mesmo que sejam mentira, todos os sentimentos experimentados, todas as confissões, todas as histórias passam a ser verdade, porque é justamente o que todo ser humano quer; atenção, gentileza, compreensão, uma demonstração de carinho, ainda que seja falsa!

Mas na enfermaria não. Ali o sentimento é verdadeiro, é de cuidado. Ali todo mundo sabe a doença de todo mundo e ninguém se sente maior ou menor por causa disso. Nesse ambiente não é necessário mentir, usar máscaras, maquiagem para esconder as marcas e as cicatrizes, aliás, não se pode mentir porque senão a cura é inviável, o tratamento se torna inútil. Nada se faz nesse lugar apenas por dinheiro, mas por vocação. Lá as pessoas não produtos a serem analisados e consumidos; são seres humanos com suas fraquezas, doenças e dificuldades. Não precisam ser perfeitos e nem fingir qualquer postura de alguém impecável. Estão ali em busca da perfeição, estão ali reconhecendo a limitação, mas não se ajoelham perante ela. Lutam e lutam até o fim, porque o que importa não é se vão vencer ou perder, mas sim que não vão se entregar como aquele que luta o bom combate.

Convido a todos a saírem dos prostíbulos que estão vivendo, das maquiagens e cascas que estão impedindo a vida de lhes enxergarem e lhes reconhecerem como seres humanos que estão em busca de alegria, mas verdadeira; de paz, mas verdadeira; de companhia, mas verdadeira; de amizade, mas verdadeira!

Na enfermaria tem gente imperfeita. É como no Instituto do Dr. Hunter “Patch” Adams no estado de West Virginia nos Estados Unidos chamado “Gesundheit”, que do alemão significa “Saúde”, e que também pode ser usado quando alguém espirra. Lá todo mundo é paciente e doutor. Todos tratam e são tratados. Se não acreditarmos nisso e não aceitarmos o desafio de viver como uma enfermaria, onde a verdade vale mais que o bem estar mentiroso, continuaremos sofrendo calados e ninguém vai poder ouvir a nossa voz.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Um Dia A Gente Aprende!



A gente nunca sabe como ganhar; e a gente gosta quando ganha; mas a gente nunca vai saber como perder. Perder dói, perder humilha; quando a gente perde é o mesmo sofrimento quando alguém rouba algo de nós, fica uma mistira de revolta com impotência com indignação; é uma mistura violenta.



Quando a gente perde alguém muito querido fica uma sensação de vazio que com o tempo vai se tornando cada vez mais visível. A cadeira vazia no almoço, o quarto vazio, um amontoado de roupas vazias, sem gente para vestí-las. E aquele abraço que não foi dado? A despedida que não aconteceu? Que direito essas pessoas tinham de morrer sem ao menos nos deixar preparados? Queremos e nos preparamos para ganhar. Engraçado, nunca estamos preparados para perder.



Tem dias que eu queria ter uns poderes miraculosos, do tipo que curaria pessoas doentes, faria gente paralítica andar e cegos enxergarem, facilmente diria para um morto sair do caixão e voltar à vida. Mas não tenho esse poder, não tenho essa facilidade que apenas uma pessoa no mundo tem; Deus! E por que Ele não cura? Por que Ele não ressuscita? Por que Ele não tira a dor como se tira uma unha encravada? Há situações em que Ele cura, mas não todas as vezes. A Bíblia diz que Ele não faz acepção de pessoas, mas Ele cura um e não cura o outro. Como assim?



Existem pessoas especiais aqui nessa Terra, não sei se você já percebeu? Essas pessoas têm uma sensibilidade e uma habilidade incrível que é de não perder a esperança! A vida os sacode de uma forma violenta e eles continuam em pé! Deus diz não para elas e mesmo assim continuam crendo que essa resposta é a melhor de todas, mesmo não sendo aquela que elas querem ouvir! É incrível! E quando você é surpreendido com alguma tragédia, é só olhar nos olhos dessas pessoas e uma força sobrenatural, quase divina invade seu coração e dá vontade de continuar tentando até a dor passar! E ela passa!



Mas você percebe de onde essas pessoas tiram suas forças e esperança. Não é de nenhuma filosofia existencial, não é de nenhuma fórmula mágica ou de um livro de segredos. Essa força, esse poder, essa vontade de viver vem de uma fé que não se explica, mas se experimenta todo dia na batalha contra os leões e os gigantes. o importante não é se os leões serão mortos ou os gigantes derrubados, mas sim o fato de que jamais essas pessoas desistem de lutar, mesmo que dê vontade de parar!



O importante não é se a gente ganha ou perde, mas se a gente insiste em lutar ou não! O luto um dia bate na nossa porta, e aí? Um dia a doença nos surpreende, e aí? Uma dia a gente perde, e aí? É aí que a gente mostra em quem a gente acredita, se no "Não" que o mundo diz ou no "Continue, estou com você" de Deus. Mesmo que pareça que Ele não está nem aí para os seus sentimentos, Ele se preocupa! Existem derrotas que nos assombram a vida toda, mas isso não significa que a guerra está perdida. Mesmo caminhando em dor, somos mais que vencedores.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

SALMO 136 - Versão Brasileira



1 - Ainda que eu fique parado na fila de um hospital, e não tenha mais nada a perder senão a esperança; a Sua misericórdia dura para sempre.



2 - Ainda que mais Realengos insistam em acontecer; a Sua misericórdia dura para sempre.



3 - Ainda que, pela irresponsabilidade de governantes egoístas, aconteçam mais espisódioas de descaso como do Morro do Bumba, Petrópolis, Teresópolis, e tantas outras cidades brasileiras; a Sua misericórdia dura para sempre.



4 - Ainda que a família do ex-governador Joaquim Roriz nos envergonhe chamando a si mesmos de brasileiros; a Sua misericórdia dura para sempre.



5 - Ainda que Paulo Maluf seja procurado pela InterPol, roubado mais dinheiro público que qualquer assaltante profissional, esteja livre amparado pelas leis brasileiras e tenha 80 anos de idade; a Sua misericórdia dura para sempre.



6 - Ainda que garotos e garotas homossexuais sejam violentados todos os dias e seus direitos como cidadãos esquecidos; a Sua misericórdia dura para sempre.



7 - Ainda que bandidos disfarçados de pastores se orgulhem de expor suas mansões e inúmeros bens materiais comprados com dinheiro suado de seus fiéis, e ainda abusam de seus membros dizendo coisas que Deus jamais disse; a Sua misericórdia dura para sempre.



8 - Ainda que o Congresso Nacional seja mais um antro de picaretagem, safadeza e corrupção, manchando assim um dos patrimônios da nossa democracia; a Sua misericórdia dura para sempre.



9 - Ainda que prostitutas, moradores de rua, travestis, crianças abandonadas e movidas a cola sejam constantemente violentadas pela nossa falsa moral; a Sua misericórdia dura para sempre.



10 - Ainda que enterremos nossos jovens, mortos pelo descaso público e pelo abuso de autoridade das polícias; a Sua misericórdia dura para sempre.



11 - Mesmo que nossos filhos e filhas sejam vendidos a preço banal para engordar os bolsos de quem já perdeu a vergonha na cara; a Sua misericórdia dura para sempre.



12 - Mesmo que o usuário de drogas ainda seja confundido erroneamene com bandidos; a Sua misericórdia dura para sempre.



13 - Mesmo que nossas orações por melhoria pareçam não passar do teto; a Sua misericórdia dura para sempre.



14 - Mesmo que percamos a fé em Deus, no Brasil, nas pessoas, nas instituições; a Sua misericórdia dura para sempre.



O Salmo 136 tem muito mais versículos (26 versículos, para ser mais exato), mas esse é apenas um desabafo de quem ainda luta pela verdade e acredita que pode melhorar porque a Sua misericórdia, bondade, amor duram para sempre.

domingo, 31 de outubro de 2010

Imitadores!


Existem textos bíblicos que ao longo dos anos de leitura vão tomando novas formas e adquirindo a sua real identidade. Deixam de ser pretextos para se tornarem texto vivo e de um significado novo que faz a gente repensar a vida cristã de uma forma mais humana, sincera e honesta.

Um desses textos foi aquela passagem onde o apóstolo Paulo diz para sermos seus imitadores como ele o é de Cristo. Achava uma imensa pretensão de Paulo dizer essas palavras. Alguns me diziam que o texto era inspirado e que essa era a única razão suficiente para aceitar o texto da forma como está. Acredito na inspiração das Escrituras que ela é a Palavra de Deus, mas usar a inspiração para usar como desculpa para a falta de interpretação e de entendimento do texto já é demais.

Paulo é muito coerente com seu pensamento. Ele jamais chamaria uma responsabilidade tão grande sobre si. Como ele era um apóstolo, um líder que falava para dezenas de milhares de pessoas, ele jamais pediria que esses ouvintes apenas o imitassem como sendo o exemplo mor de todo comportamento humano. Paulo mesmo em uma de suas cartas diz que ele é o pior dos pecadores. Sendo assim, como imitar o pior dos pecadores?

A questão é que Paulo usa de uma lógica filosófica grega. Não nos esqueçamos que o apóstolo vivia numa época em que a cultura grega é muito comum, inclusive a sua escrita é e língua grega para que assim ele pudesse alcançar mais gente e mais lugares! Paulo, na verdade, está dizendo que devemos sim ser seus imitadores, porque, como conseqüência disso, ele imita a Cristo. Logo, devemos imitar a Cristo!

Paulo não bate no peito e clama por reconhecimento, Paulo não é presunçoso, Paulo é, na verdade, um grande pensador que usa de sabedoria para simplesmente dizer que quem é o alvo de nossa imitação é Cristo. Todos os jeitos, a fala, o modo de pensar, o modo de agir, a maneira de orar e de comunicar, as formas de tratar as pessoas e de entender como funciona o Reino de Deus. Tudo isso é imitar a Cristo.

É muito mais que falar igual ao Silvio Santos, usar os mesmos ternos ou ter o mesmo penteado. É incorporar em sua personalidade a essência de um Deus que viveu como humano e ensinou a humanidade e ser gente! É não negar as suas falhas, mas encará-las de frente e saber que elas nunca foram superiores ao amor do Pai que perdoa e limpa todas as nossas falhas. É saber que o julgamento dos nossos pecados aconteceu no Calvário e o veredicto foi: “perdoado”!

Imitar os outros é muito engraçado! É uma espécie de homenagem a uma personalidade única. Quem imita sabe que aquela pessoa só é imitada porque ela única e todos vão saber quem é! Por isso, imitar a Paulo é imitar a Cristo e nada mais. Sem peso de ser um Deus, mas a graça de ser apenas humano e a imagem de semelhança de Deus!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

As Senhoras Primeiro


Enoja-me a forma como algumas coisas no meio cristão são tratadas! Parece muito simples dizer que é contra o aborto, muito fácil dizer que é contra isso ou aquilo. Dá a impressão que somos aquilo que somos contra. A identidade do cristão é determinada por aquilo que ele é contra! Se for contra o aborto, é cristão. Se for contra a prostituição, é cristão. Se for contra o divórcio, é cristão! Tudo muito taxativo, tudo muito certinho, tudo muito chato!

Engraçado como Cristo tratava certos grupos considerados impuros pela sociedade e religiosidade judaicas. Um de Seus discípulos que posteriormente escreve um dos Evangelhos era um cobrador de impostos; Ele curou o servo de um centurião romano, dizendo inclusive que não havia fé semelhante em Israel comparada com a do centurião; disse para andarmos não uma, mas duas milhas com nosso inimigo, ou seja, quantas forem necessárias; come na casa do chefe da coletoria Zaqueu; faz amizade com gente que não era considerada muito certinha, pois comia e bebia com eles, sinal de amizade e intimidade; honra mulheres que antes eram humilhadas e apedrejadas.

As desigualdades sociais e as suas conseqüências são de responsabilidade de todos nós. É muito fácil criticarmos as Paradas Gays e continuarmos a jogar pedras nos homossexuais com a prerrogativa de que estamos com a verdade. Gente, os militantes xiitas do Oriente Médio fazem isso melhor do que nós!

E a prostituição, então? Engraçado que Cristo recebe a adoração de uma prostituta, perdoa e liberta aquela mulher para uma vida de verdade! É recebida pelo Cristo como uma princesa, é tratada como uma filha que volta pra pedir desculpas para o pai depois de uma desobediência e sai dali com a certeza de que acabou de conversar com seu irmão mais velho, aquele que cuida dos passos da irmã mais nova!

Deveríamos repensar nossa maneira de tratar os seres humanos a partir do modelo comportamental de Jesus! Nosso Senhor nunca desprezou e nunca desamparou ninguém, nuca taxou ninguém disso ou daquilo, mas sim exerceu atitudes que mudaram e transformaram vidas, emoções, transformaram o cotidiano daquelas pessoas. Cristo apresentou o verdadeiro Deus e fez com que pessoas, antes enxotadas pela religiosidade, fossem recebidas como reis e rainhas do Paraíso! Se devemos ser como Cristo foi, esse é um bom começo!

Um tanto intrigante é o fato de Cristo dizer que meretrizes entrariam antes no Reino dos Céus! É uma frase forte hoje, e foi uma frase forte para quem a escutou pela primeira vez lá em Israel, mas o fato não é a frase em si, mas quem a disse. Então, desde já vamos nos preparar, senhores pastores, apóstolos, bispos, líderes de louvor, famosos da fé; quando formos entrar pela porta eterna sejamos no mínimo educados e digamos às nossas irmãs: a senhora primeiro!

A Voz de Alguém


Dizem que a voz do povo é a voz de Deus. Não sei até onde isso é verdade, até onde Deus pode mesmo usar da voz do povo para falar alguma coisa. Mas o que sei e o que vi nesses poucos anos de vida é que nem sempre Deus está ecoando a voz do povo. Porém me ocorre que numa passagem específica das Escrituras Sagradas fica essa grande pergunta. Que voz condenou a Cristo à cruz? Seria a voz do povo ou a voz de Deus?

Numa eleição onde o universo inteiro estava envolvido, tínhamos de um lado o candidato do mundo; Barrabás, e do outro havia o candidato para o mundo; o próprio Cristo! Um representava a vontade soberana dos homens, o desejo de ser independente, o anseio de se ver livre de qualquer Deus humano. O Outro representava o interesse soberano do único Soberano, a vontade de ver Sua criatura livre do desejo de querer ser Deus, o desejo de libertar de uma vez por todas a Sua obra-prima de qualquer estereótipo pseudo santo ou pseudo religioso. A multidão fez a sua escolha. Mas qual seria a escolha?

Eles deveriam escolher aquele que sairia livre, sem culpa, perdoado de seus crimes. Aquele que ficasse estaria fadado à cruz e ao sofrimento que a crucificação acarretava. Em certo sentido, a multidão foi sim a voz de Deus. Deus escolheu que o homem fosse livre de sua culpa e de seu sofrimento e escolheu sofrer a vergonha do madeiro. A multidão mais uma vez foi um instrumento imperfeito nas mãos do Perfeito!

Há certos movimentos na nossa vida que a gente não entende e quando a gente força para entender parece que o sofrimento é dobrado. Há escolhas que a gente faz que, muitas vezes, não mostram nenhum resultado aparente. O fato de Cristo ter sido escolhido pelo povo não foi porque eles sabiam que a profecia precisava se cumprir e que o Cordeiro de Deus precisava ser sacrificado; eles queriam na verdade romper com esse Cristo atrevido, enxerido que veio da cidadezinha de Nazaré achando que era filho de Deus. As palavras de Jesus incomodavam a religiosidade e os interesses dos líderes. Eles não queriam a salvação; queriam a morte Daquele que prometia vida eterna!

Mas o tiro saiu pela culatra! Mesmo o mundo não querendo a salvação, negando até o último minuto o desejo de liberdade, Deus concedeu salvação de graça com graça. Mal sabia o povo que dizendo: “Crucifica-o” para Pilatos acerca de Jesus, ele estava dizendo sem saber que reconheciam o fato daquele Galileu Nazareno, filho de carpinteiro ser o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E tirou mesmo!

A história mostra que o pedido de morte partiu da multidão, mas a história também mostra que a infecção da humanidade pela vida partiu do próprio Deus antes mesmo da existência do universo. Se a voz do povo é a voz de Deus eu não sei. Só sei de uma coisa. Quando o povo saiu para crucificar o nosso Rei, quando saiu para zombá-lO e para maltratá-lO, Deus já havia dito que a salvação havia chegado e que era tempo de se alegrar.

domingo, 23 de maio de 2010

Á Espera de Um Milagre!


É tanta gente falando que a gente quer tapar os ouvidos; é muito barulho. É tanto desespero que a gente é contagiado. Quando se trata de falar das coisas da igreja parece que já está todo mundo vacinado, ou pelo menos passa essa impressão.

Poderíamos enumerar centenas de coisas que poderiam melhorar na igreja. Há mensagens com esse objetivo, estudos na internet, propostas de todos os lugares e de todas as maneiras. Só que a gente se esquece que a noiva é de Cristo e todas as vezes que queremos propor alguma mudança, algum retoque, devemos consultar o Noivo, buscar a Sua aprovação e ver se é isso mesmo que Ele quer para Sua amada.

Tantos projetos, tantos métodos, tantas fórmulas e tantos livros que a gente se perde nessas ondas. Há muita vontade, muito desejo que muito se mude, mas onde está Deus em todas essas coisas? Eu respondo; Ele está por aí. Ele não se esqueceu de ninguém, muito menos de Sua noiva.

Temos a pretensão de achar que Deus só usa quem está na TV, nos jornais e congressos, nas igrejas e nos púlpitos, mas Ele tem usado coisas muito loucas desse mundo e confundido a cabeça dos pseudo-sábios. Pequenas coisas, grandes efeitos! A gente perdeu a simplicidade do evangelho, a gente cresceu demais e deixou a criancice bem longe. A gente foi se machucando e criando uma casca tão profunda que só sai com oração, jejum e um abraço.

Deus está por aí! Por trás de cada ação impensada, por trás de cada palavra que saiu sem querer no momento de nervoso, por cada porcaria que a gente faz, Deus transforma quase de maneira mágica fezes em chocolate. Ao longo dos anos a especialidade de Deus tem sido brotar lírio no meio do lodo.

Meu coração só quer uma coisa, que as coisas possam mudar! Seja por meios que a gente nem espera ou seja por meios que a gente planeja, a única coisa que eu espero é que Deus esteja por aí, e Ele está! A gente só precisa ficar de olhos bem abertos, por isso é bom que estejamos prontos para quando ouvirmos o rugido percebermos que a hora chegou.

Por enquanto, a espera me fortalece. Qual criança que espera o presente prometido, na confiança que o pai já está com o presente até já comprado, mas escondido em algum lugar, assim são meus dias. Não quando Ele virá me presentear, só sei que Ele está me preparando pra ganhar e não se assustar com o tamanho do pacote.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

DesculpaÊ


Reza o clichê que “religião, política e futebol” não se discute. Como não sou chegado a rezas e a-do-ro quebrar clichês, permitam-me abrir o coração (#momentoemo) e lascar algumas besteiras envolvendo ao menos 2 itens dessa tríade proibida.

Como protestante nas diversas acepções do termo (inclusive a religiosa), peço desculpas pela invasão de pastores na TV. Você tá lá sussa querendo esquecer do trampo e aparece um indivíduo de terno gelo, alfinete (não o do Pânico) na gravata e um sorriso plastificado para contar as vantagens de você pagar carnês. Tipow um Baú da Felicidade Gospel que você deve pagar religiosamente (com trocadilho) e no final recebe um nada divino conjunto de 6 pratos âmbar. #credo

Você muda de canal e aparece uma ex-presidiária coberta de maquiagem gemendo e repetindo frases positivas, do tipo “decrete aos céus que vai conseguir um varão (ui!) pra casar e você vai conseguir, amada”. Please não pense besteiras porque o dialeto evangélico é pra lá de surreal mesmo. Aposto que você ainda vai ouvir alguns crentes chamando outros de “vaso”.

Aff...O maridão dessa senhora disse que foi visitado na penitenciária por um anjo que lhe revelou o nome do demônio por trás (capeta sodomita?) da Rede Globo. Crédulos como o Kaká, os irmãos da igreja fizeram campanha pela falência da Vênus Platinada e o expediente tão-somente contribuiu para a quase bancarrota da credibilidade dos cristãos. Malz aê.

Entediado, você desliga a TV e resolve tentar o rádio. Nem a invasão dos marcianos no badalado programa radiofônico de 1938 provocaria tantos sustos como acompanhar as ondas (literalmente) curtas evangélicas. De pastor berrando para expulsar demônios surdos a cantores decadentes que converteram sua área de atuação, vale (quase) tudo. #muitomedo

Uma ligeira espiada no cenário político já é suficiente para mostrar como anda a cambada, digo, bancada evangélica. A primeira imagem que aparece na mente é a da “oração da propina”, episódio emblemático das safadezas que ainda são feitas usando (em vão) o nome de Deus. Isso sem falar que grande parcela de crentes (em quê?) envolvidos no escândalo dos sanguessugas. Estamos em todas, hein!

Tem muita gente de cara e fazendo beicinho por conta do sucesso do filme do Chico Xavier. Todo santo dia aparece na blogosfera alguém afirmando que existe uma estratégia para difundir o espiritismo patrocinada... pela Globo. RÁ! Esse complexo de vira-lata é ½ furado. Explico: é só a gente juntar os atores evangélicos e dar o troco. Depois da inesquecível atuação em Cinderela Baiana, ninguém melhor que Carla Perez para ser a protagonista. Irmãos na fé, Dedé Santana e Kid Bengala também poderiam participar, neam... Aliás, que tal o cara trocar a nome artístico para Kid Varão? :PMelhor parar por aqui com esse refogado gospel de abobrinhas para evitar compressão testicular em quem teve paciência de chegar até aqui.

No entanto, não posso meter (ops) um ponto final neste panteão tosco antes de mencionar a Maria Osmarina. Analfabeta e com a saúde frágil, ela só aprendeu a ver as horas com 14 anos. Não vou desfi(l)ar toda a trajetória dela porque em breve a jornalista Marília Cesar vai fazer isso com + competência.

Recorrendo ao poeta, “Marina [Silva], você já é bonita com o que Deus lhe deu”. #salve. Sei que a irmã senadora não tem chances e será repelida até no seio (muxiba) da igreja evangélica. Enfadado, emputecido e desnorteado com a pasmaceira que vivemos, peço vênia pra sonhar um pouco. “Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos?”, orou Pessoa. Marina é quimera... Os outros são “quimer(d)a”. Deus nos ajude.

Texto por Sérgio Pavarini

domingo, 7 de março de 2010

Duas Milhas!


Uma das coisas mais complicadas de ser discípulo de Jesus é perdoar. Confesso minha dificuldade nessa área tão sensível e primordial para aquele que decidiu pelo caminho estreito. Imaginem perdoar o cara que maltratou sua irmã, ou aquela senhora que espanca seu filho com meses de vida, ou aquele estuprador inescrupuloso que invade sua intimidade e fere seu ente mais querido. Mexer com quem a gente ama não é bom negócio, não é verdade?

Eu me deparo com o Sermão do Monte e me sinto em um conflito interior violento. Sinto meus sentimentos borbulhar diante do tamanho do desafio que é ser discípulo de Cristo. Por uma intervenção única divina, acabei por ser atraído por esse caminho desafiador, revolucionário e libertador. Mas o perdão me incomoda. Por que perdoar? Por que sentir amor e não ficarmos somente satisfeitos com a justiça inflexível onde nada acaba ficando “de graça”? Por que orar por aqueles que querem ver minha queda e vão festejar caso ela ocorra? Isso sempre me incomodou!
As peças literárias mais conhecidas, as lendas mais veneradas trazem heróis que se vingam, acabam cometendo justiça e não perdão. Mostrar perdão no mundo de hoje é sinal de fraqueza e falta de esperteza. Por isso que me incomoda!

Sejamos sinceros! Não queremos ficar sozinhos nessa barca aparentemente furada, não queremos ser taxados de perdedores e nem de fracassados, não queremos dar a impressão que somos manipuláveis, mas acabamos percebendo que já estamos sendo manipulados pelas idéias e filosofias desse mundo onde cada dia o amor se esfria mais.

No Sermão do Monte, o Mestre pede que andemos duas milhas com nosso inimigo quando ele pedir para que andemos apenas uma. Seria mais fácil se Cristo dissesse que quando o inimigo pedisse que andássemos com ele uma milha, teríamos a liberdade de darmos uns bons socos na cara desse inimigo. Mas não foi assim. Não foi assim por uma razão.

Cristo quer que revolucionemos nosso mundo com atitudes simples, humanas, permeadas com um senso de justiça onde o réu confesso sai perdoado do tribunal. A lei do Reino não é apedrejamento; é cura, acolhimento e tratamento. Muitas vezes o tratamento dói, machuca, acaba em muitas ocasiões nos expondo; outras vezes, ele acaba sendo muito íntimo, muito próximo, mas mesmo assim sentimos dor. Dor porque muitas vezes também foi sem querer, acabou acontecendo, fugiu do nosso pseudo-controle. Aí nos perdemos e pensamos que é o fim. De repente nos pegamos com depressões profundas e desgastantes. Achamos mesmo que estamos no fim.

O perdão me incomoda porque me faz andar pra frente. O futuro sempre traz medo, insegurança, desconfiança. Mas o nosso futuro nas mãos de Cristo nos traz força, esperança e fé. O perdão nos incomoda porque nos expõe, faz a gente perceber que podemos cometer os mesmos erros que todo mundo e precisar pedir para que o outro ande conosco mais duas milhas. Mas o perdão também é liberdade, faz a gente andar quantas milhas quiser com quem quer que seja, porque a gente sabe que vai precisar de gente lá na frente que ande pelo menos duas milhas com a gente.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O Único Desafio!


Não havia entendido muito bem a passagem bíblica acerca dos últimos dias onde em um discurso profético Cristo afirma que o amor de muitos se esfriaria. Meu coração ficava angustiado com essa palavra pesada. Até que um belo dia, dando uma nova lida mais atenta no texto, eu percebi que Cristo não dá um diagnóstico trágico apenas, mas um desafio de não se deixar abalar pela realidade trágica eu o mundo já hoje enfrenta. O texto diz que aqueles que se manterem fiéis a Deus, que é amor, sairão vencedores.


Quando Deus nos criou, diz o texto sagrado no livro do Gênesis, Ele nos fez à Sua imagem e semelhança, isto é, a essência de Deus foi passada a nós. Somos as únicas criaturas que se relacionam com o Criador, pois somos Seus semelhantes. Outro texto diz que Deus é amor, portanto a imagem de Deus, a essência de Deus, que é o amor, foi passada a nós. Quando deixamos de amar, deixamos de ser humanos, deixamos de ser criaturas de Deus, deixamos de ser filhos de Deus, e por isso pecamos!


O pecado por definição é errar o alvo. Por muitas vezes achamos que errar o alvo significa desobedecer a Deus, desonrar a Deus e outras coisas relacionadas a Deus. Tudo isso é verdade, fazem parte do significado, mas não é a causa principal, não exprime o real significado. O alvo nesse sentido é a humanidade, tendo como coluna vertebral o amor. Quando nos esquecemos disso, tudo se perde. Esse entendimento levou Paulo escrever o texto clássico da Primeira carta aos Coríntios no capítulo 13.


O homem pecou porque quis ser igual a Deus, sendo que ele mesmo já era semelhança do Eterno. A desobediência e todas as outras coisas são apenas desdobramentos dessa vontade louca do homem de controlar as coisas, de ser dono das pessoas, das coisas, do mundo. Hoje se fala em sucesso, em prosperidade, em dinheiro com a fachada de que isso revelaria benção de Deus na vida, mas isso é um engano. Dinheiro, se não for colocado no lugar de servo, acaba sendo senhor e dando a falsa sensação ao seu escravo de que ele tem poder. Olha a serpente atacando de novo!


O controle não é só no dinheiro, mas principalmente nos relacionamentos interpessoais. Marido que quer mandar na esposa, e vice-versa. Amigos que querem controlar outros amigos, gente querendo controlar gente, e nada de amor nesse papo.


Os vírus da indiferença, do controle, do poder, da manipulação entraram na igreja porque entraram primeiro no homem e estarão lá até que sejam extirpados pelo poder do amor. O único desafio que Cristo nos deixou nessa Terra como demonstração de que Ele existe de fato e que abalará o mundo em todas as suas estruturas é que nos amemos uns aos outros, ainda que não haja simpatia. Amor é uma decisão permeada por sentimentos cativos à graça de Deus. Que o mundo veja e conheça a Cristo não pelas marchas nas avenidas, mas pelo desafio constante de que ainda vale a pena amar.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Quero Ser Livre!


Um dos filmes que mais me emocionou foi o filme do Mel Gibson intitulado “Coração Valente”. Ele tem esse título, pois se refere a um homem chamado William Wallace que por algumas razões apresentadas durante a película decide lutar pela liberdade de seu povo escocês oprimido pela, até então, tirania e autoridade abusiva da Inglaterra. Nada o impedia de conquistar tal objetivo, nem a politicagem interesseira dos nobres escoceses, nem as barganhas que o rei inglês o oferecia, nem mesmo a paixão repentina por uma princesa. Numa das cenas mais fortes do filme, Wallace estava prestes a ser torturado e morto pelo seu ideal quando ele é visitado pela princesa e ela pede que ele desista de tudo, assim ele poderia viver, mesmo que fosse preso numa torre. A resposta dele é fantástica! Ele disse que mesmo que ele vivesse, negando o que ele acreditava e lutara até então, ele já estaria morto.

Eu posso estar muito enganado, mas vejo nos olhares das pessoas cristãs hoje e percebo um desejo interno muito forte por liberdade. Muitas abririam mão de suas vidas por essa liberdade, desistiriam de sonhos, desistiriam de si mesmos apenas para sentir o vento bater em seus rostos, sentir a chuva, sentirem-se livres.

Mas talvez você se pergunte que tipo de liberdade é essa que me refiro. Refiro-me a uma liberdade que não está vinculada a nenhuma religiosidade, que faz com que a pessoa se sinta de fato e de verdade livre e salva de qualquer imperialismo religioso, livre de qualquer Talibã disfarçado de denominação religiosa. O deus apresentado em alguns sermões em algumas igrejas não tem nada a ver com o verdadeiro Deus. Existe uma idolatria evangélica a um deus que não condiz com o real Rei dos reis e Senhor dos Senhores, uma idolatria movida por barganha onde o dízimo é a principal característica da salvação e da fé das pessoas. Os argumentos distorcidos usando a Palavra de Deus para angariar mais fundos para seus objetivos mais obscuros acabam sendo palavras que Deus nunca quis dizer e nunca dirá.

A religião trouxe um fardo mais pesado que qualquer um não consegue carregar. Um fardo que pesa na família, na mente, no coração. Ouvimos muito frases como: “Você não tem fé” ou “Determine a benção sobre sua vida”, vemos vídeos em que a prosperidade está relacionada a carros, jatos, iates, viagens e roupas de marca. Traz outro evangelho, outro deus, outro Jesus, outra fé, mas logo a frente as pessoas percebem que esses outros elementos não existem e acabam abrindo feridas quase que incuráveis e uma decepção profunda, pois o deus apresentado falhou, errou, não me amou de fato.

Quero ser livre desse evangelho mortal e que de boa nova não tem nada a ver. Quero ser livre para adorar a Deus da maneira que Ele merece e quer, não da maneira que os homens me obrigam a fazer, quero ser livre para não julgar as pessoas por quaisquer tipos de pecados cometidos por elas, quero ser livre para poder ir e vir a casa de meu Pai dando o meu melhor, mesmo que esse melhor seja um chinelo de dedo e uma bermuda, quero ser livre para poder dizer a Deus o que sinto quando estou decepcionado com Ele e mesmo assim saber que Ele continua a me amar independente da minha revolta. Quero ser livre para poder confessar meus pecados e não ser julgado por eles, quero ser livre para poder falar das minhas falhas e que ninguém as jogue na minha cara, quero ser livre para ser quem Deus quer que eu seja.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Brindes ou Abóboras!


Tem uma cena que me comove muito na série de filmes baseado nos livros de J.R.R. Tolkien intitulados “O Senhor dos Anéis”. No terceiro e último filme chamado “O Retorno do Rei” tem um momento em que os heróis da trama, depois de terem sido os diretos responsáveis pela salvação do mundo, voltam pra casa. Estão numa taverna da vila e os quatros pequenos heróis estão brindando a amizade, mas totalmente anônimos desconsiderados. A grande atenção na taverna era na verdade uma abóbora gigante que acabara de ser colhida.

Toda a atenção estava para essa abóbora. Ela não tinha feito nada de tão especial, apesar do seu tamanho. Os habitantes da vila acariciavam, limpavam, beijavam a abóbora, mas na mesa ao lado, os quatros salvadores do mundo estavam sozinhos; aliás, tinham em comum a amizade e a companhia. Não foram recebidos com aplausos e acredito que os moradores nem tomaram conhecimento do que aquelas pequenas criaturas, seus semelhantes, tinham acabado de realizar.
Vejo que temos um pouco disso na nossa vida cristã. Nós queremos ser essa abóbora gigante. Queremos ser reconhecidos e desejamos ouvir elogios que massageiem nosso ego. Poucos desejam ser anônimos, poucos reconhecem que nada desse mundo permanece para sempre, nada desse mundo pertence a nós, nem mesmo o corpo, poucos querem apenas brindar, sabendo que a recompensa vem, mas não agora.

Às vezes me sinto meio que perdido nesse mundo. Há tantas pessoas na busca do seu lugar ao sol e não conseguem. Há tantos que buscam apenas um elogio dos seus pais, amigos, do seu pastor, mas se esquecem que isso são apenas carinhos e beijos em abóboras, que logo mais não vão passar de meras lembranças, isso se lembrarem. Não estou dizendo que elogios são ruins, só estou dizendo que não devemos nossa vida a eles, aliás, não devemos nada a eles.

Sou tentado constantemente em me transformar numa abóbora gigante, numa aberração, talvez assim alguém me note. Mas sempre sou lembrado que não preciso disso, não fui feito para isso, não sou isso.

Fui feito para brindar, fui criado para entender que mesmo que os meus não me aceitem do jeito que sou, existe alguém que quer que eu abra a porta do meu coração e deseja brindar comigo e eu com Ele, mesmo que ninguém tenha tomado conhecimento. O mundo sabe honrar e pisotear ao mesmo tempo, sabe reconhecer o tamanho de uma abóbora gigante e depois usar isso como objeto de humilhação. Mas na mesa do brinde não há lugar para isso, ali somos todos iguais, somos vitoriosos porque Ele venceu primeiro.

Na mesa do brinde não lugar para maior ou menor, não há disputa para saber quem é mais sábio, mais poderoso, mais líder; há espaço apenas para servos, gente que sabe que é especial, mas não precisa contar pra ninguém, porque quem merece saber já sabe antes mesmo de haver abóboras gigantes.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Entre Olimpos e Getsêmanis!


Peço a sua atenção apenas por poucos minutos do seu precioso tempo para que você, junto comigo, reflita em algo que penso ser algo mais precioso do que qualquer coisa, inclusive o nosso tempo. Chegamos a um momento crucial na nossa existência cristã. Acredito que não chegamos onde estamos por acaso e creio mesmo que tudo tenha seu propósito e razão de acontecer, apesar de outros pensamentos contrários a isso!

O momento crucial que vejo aqui é sabermos identificar por onde queremos atravessar para termos uma vida, podemos usar essa palavra sem preconceito, vitoriosa.

Gosto muito da mitologia grega e vejo que essa mitologia sempre esteve se associando um pouco com o comportamento humano desde seu início até hoje. Vejo homens desafiando o poderio dos deuses por uma suposta liberdade, vejo pessoas desejarem estar na posição dos deuses e também vejo que esses lugares divinos de destaque sempre estiveram ocupando os sonhos dos homens, especialmente quando se trata de poder.

Existe outro lugar de destaque, mas um pouco diferente da mitologia. Esse lugar é palco de violentos confrontos reais entre nós e nossos desejos. É um lugar onde se chora muito e onde é possível ver sangue se misturando ao suor, tamanha a angústia e a dor. Nesse lugar não há espaço para soberba, mas há lugar para quem quer enfrentar a realidade de que precisamos uns dos outros, mesmo que os outros não compareçam ou prefiram dormir. Nesse jardim redentor há espaço para escolhas certas, ainda que sejam aquelas insuportáveis.

A diferença é que entre o Olimpo e o Getsêmani o poder se fez servo da redenção. O mais importante não estava em querer ser Deus, o controlador, mas querer ser humano e ser aquele que traria não uma suposta liberdade, mas presentear o mundo com a presença humana de um Deus verdadeiro. Cristo nos ensina que apesar das companhias mais necessárias para aquele momento falharem, há alguém que não nos desampara jamais, que desce ao nosso encontro trazendo consolo onde seria impossível sentir. No mais improvável dos lugares, no meio de sangue, suor e lágrimas, vemos que não precisamos de máscaras e podemos dizer que nosso coração está sofrendo até a morte, podemos pedir ajuda, podemos reconhecer nossos sofrimentos, medos e pânicos sem sermos tachados de doentes.

O Getsêmani é lugar de cura, é o início da caminhada da redenção onde se passa pela cruz para se levantar na ressurreição. Há muitos que preferem permanecer no Olimpo e se esquecem que esse lugarzinho das histórias gregas não passa de uma obsessão por um poder imaginário. O Olimpo existe apenas nas mentes férteis de quem quer ser um deus grego.

O Getsêmani, além de ser real, foi visitado pelo único Deus que se fez carne e habitou entre nós, conhecendo nossas dores e limitações. O Getsêmani é lugar de escolhas difíceis, mas que trarão vida e vida em abundância.

Do Olimpo sou derrubado pelas minhas falsas impressões de deuses que nunca foram reais, a não ser nas minhas idéias e interpretações erradas. Do Getsêmani sou levado à ressurreição.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Último dos Humanos!


Existe algo latente na nossa realidade. Há um processo que começou a se acentuar na nossa sociedade onde mostra claramente que estamos chegando ao fim de todas as coisas. Hoje em dia certas notícias nos chocam; outras nos deixam perplexos; outras despertam discussões nos programas de TV e outras nos deixam com a cara no chão. E são através dessas notícias que conseguimos perceber como nós entramos em um processo doloroso e cruel de desumanização.

Não se ouve mais sobre perdão, mas ouvimos sobre guerras de traficantes e policiais, de pais e filhos, de patrões e empregados, de maridos e mulheres numa tortura para ambas as partes, porque todos na verdade só querem viver. Está se tornando difícil vermos manifestações de misericórdia nas nossas comunidades religiosas e nem mesmo temos tolerância nas faculdades. Nos programas de televisão acaba sendo um pouco duvidoso certas atitudes de carinho e de ajuda, chegamos a duvidar se tudo aquilo não é mais um show de má fé.

Não preciso gastar a sua paciência e nem das minhas palavras para enumerar aqui outros argumentos sobre como estamos nos desumanizando a cada minuto, a cada instante. Cristo havia previsto isso quando de maneira muito singela nos disse que nos últimos dias o amor se esfriaria, ou seja, a maior característica que nos faz sermos o que somos está no ponto de entrar na era glacial existencial.

Quando Deus nos criou, Ele nos fez à Sua imagem e semelhança, ou seja, se Deus é amor, assim também somos amor, ou pelo menos deveríamos ser. Há o detalhe claro do pecado em toda essa história, onde se mancha o que foi criado de forma bela. Na verdade, tudo começou quando o homem quis ser Deus; mais uma vez um indício de desumanização aí. Mas Deus mostra com seu Filho encarnado que é possível retornarmos aos mais primários passos para uma cura humana.

Acredito que você esteja cansado de tanta dor e de tanta angústia provocada por nós mesmos em pessoas que nem mereciam tanto assim tamanho castigo por algo que seríamos capazes de fazer igual ou pior. O propósito desse artigo é saber quem está ouvindo o chamado celestial para voltarmos à humanidade na mais bela e singela forma, na forma de uma criança.

Gostaria de saber quem ouvirá o chamado de ser talvez o último humano a ser conhecido na Terra. Aquele humano que erra demais, mas não se culpa, porque sabe que tem perdão logo ali. Aquele humano que ainda sente limitações por estar numa realidade cruel e injusta, mas mesmo assim teima em não perder a fé. Aquele humano que se desespera quando é atingido por tragédias, mas seus olhos se direcionam para o céu em busca de uma gota de esperança para não entrar em pânico e perder totalmente a razão. Aquele humano que sabe que sempre haverá razões e motivos para desistir, mas insiste em se levantar e saber que o chão não é seu lugar.

Alguém se habilita?