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domingo, 29 de janeiro de 2012

E Aí? Alguma Novidade?


Quando você pega o boletim todo o domingo, tenho certeza que expectativas inundam o seu coração, mesmo que sejam pequenas. Pelo menos, você espera algo de novo, algo que chame sua atenção, mas me permita dar um aviso: nāo há nada de novo debaixo do sol (Ec. 1:9b). Que constataçāo mais pessimista, e iniciar a semana com esse diagnóstico nāo traz muita esperança! Que tédio!

O Eclesiastes nos desafia a pensar e, como disse o Pr. Ed René Kivitz, "pensar dói". O pensar exige de nós a capacidade, ou pelo menos a tentativa de viver acima da mediocridade. O sociólogo Luiz Pondé diz que "o Eclesiastes deixa claro que o Deus de Israel nāo gosta de covardes". Eu lhe convido, na verdade lhe desafio a olhar a vida de uma maneira mais profunda e séria, sem os clichês "gospel".

Diante do desabafo sincero do Pregador, e talvez de muita gente, abre-se a porta para o que de fato é novo, ou seja, a singularidade. Todo dia nasce alguém até que esse "alguém" é seu filho. Sempre há uma novidade pra se viver quando se encara o desafio de entrar ma rotina da vida como se fosse a primeira vez. Como disse Peter Pan, personagem da obra homônima do escritor escoçês James Barrie: "Viver é a maior de todas as aventuras". E por que nāo cantar juntos com Gonzaguinha: "Viver e nāo ter a vergonha de ser feliz..."

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Os Que Vencem Ao Fracassar




Em tempos de teologia da prosperidade, dos “mais que vencedores”, daqueles que decretam e “deus” faz, dos que não adoecem, não se deprimem, comem das “iguarias da terra” e desfrutam do “melhor” que lhes está “reservado”, eu confesso: sou um derrotado!


Provavelmente não há esperança para mim... Existo em meio a contradições, minha alma está dividida, estou em “milhares de carros, eu estou ao meio”. A grande maioria dos meus sonhos nunca se cumpriu, boa parte dos projetos que idealizei deu em nada, já trabalhei sem ter resultados, me senti por vezes como Sansão, rodando a grande roda de moinho da vida sem sair do lugar.

Mesmo dizendo para mim mesmo que “tudo posso naquele que me fortalece”, continuo sentindo medo. Há “fantasmas” percorrendo as ruas sombrias da minha alma, lembranças que me atormentam, “vozes” que me assustam. Não raro sinto um aperto no coração, falta de ar, falta de espaço, falta de chão! Eu bem que queria ser daqueles que nunca retrocedem, que derrotam os “gigantes” e jamais caem na “batalha”, mas a verdade é que sou frágil, me canso, me desmotivo, sou como um qualquer, sou genérico, ainda que desejasse ser singular...


Como disse o Lulu Santos em sua canção, “já não tenho dedos pra contar de quantos barrancos despenquei, e quantas pedras me atiraram, ou quantas atirei”. Já me meti em muitas enrascadas, fiz escolhas desastrosas, perdi tempo, perdi dinheiro, perdi amigos, perdi vida, essa coisa preciosa que não se pode recuperar, vida que escorreu pelos meus dedos, seiva que se foi como um rio pelo esgoto do cotidiano.


Na verdade, “eu não sou um homem; sou um campo de batalhas” como afirmou Nietzsche. Dentro de mim há fogo, dores, desencontros e paradoxos. Estou em “guerra” contra Deus, contra o meu semelhante, contra mim mesmo. Luto para saber quem sou, por que sou, de onde vim, para onde vou? Por vezes eu tenho as respostas, já em outros momentos sinto-me suspenso, dependurado sob a navalha da verdade, encurralado entre a razão e a fé, entre o real e o intangível.


Mais há uma fagulha em mim que teima em não apagar. Mesmo reconhecendo que perdi muitas coisas, nunca se extinguiu a paixão que sinto por Deus. Ainda que eu esteja neste atoleiro existencial, onde não se vai nem para frente nem para trás, continuo crendo, pois existir é absurdo, é contra-fluxo, é contra-mão.


Eis, então, surge a “dialética de Paulo”: “de todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos”. Talvez lhe pareça o coro dos insensatos, mas não é. É paradoxo, é mistério, é, sem dúvida alguma, incompreensível tentar compreender com as lentes da razão aquilo que só pode ser discernido pelo coração.


Talvez seja por isso que eu continuo, insisto, não desisto. Há dias que estou de pé e outros nos quais me arrasto pelo chão gelado do inimaginável. Vou, como diz Che Guevara, “derrota após derrota até a vitória final”. Faço como me ensina a Escritura, “diga o fraco: eu sou forte”.


E quem foi que disse que só se vence quando se ganha? Que nada! Muito pelo contrário, há vitórias que só podem ser atingidas quando se é “derrotado”, pois é “morrendo que se vive para a vida eterna”! E aqui eu lhe afirmo: existe, sim, aqueles que só vencem ao fracassar, os que abriram mão de ser qualquer coisa que não seja em Deus.


Num mundo feito apenas para os “campeões”, prefiro ser perdedor. E se você quiser saber o que é derrota, eu vou lhe dizer, nas palavras de Martha Medeiros: “derrota é quando a gente ganha dos outros, mas desiste de si mesmo”. A bem da verdade, já desisti de mim muitas vezes, e só continuo por aqui porque “Ele” jamais desistiu...


By Carlos Moreira (co-editor do blog Genizah)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Me Pala Bas


Sempre que existe algum de tipo de situação ou alguém com falta do chamado desconfiômetro logo se entende que a pessoa ou a situação em questão não captou bem a mensagem do ditado popular que diz: “Para um bom entendedor...”. Na realidade, entender o ser humano e seus desdobramentos resultando nas conhecidas situações chamadas “mancadas” ou “desaforo” não é lá uma tarefa para heróis. Essa é uma tarefa para gente normal que entende as discordâncias e incoerências humanas. Mas se alguém insiste no auxílio de m herói, que ele seja então um de nós, não um alienígena com super poderes.

Ao mesmo tempo, o homem é e também não é; pensa e ao mesmo tempo não pensa; entrega-se e se abre emocionalmente para alguém ou para algo e ao mesmo tempo se fecha e se torna alguém amargurado. É um poço de decisões indecisas e é a melhor de todas as criaturas, pelo menos para os otimistas.

É um milagre se você encontrar um bom entendedor hoje em dia. Diante de tanta correria e de tanto stress, ser um bom entendedor é um desafio, muito mais que uma virtude. Entender o outro requer colocar a si mesmo no lugar do outro. Quem está querendo isso hoje? Quem é o herói que se põe no lugar do outro e compreende seus medos e suas inseguranças? Na cultura atual reza-se muito mais pela valorização pessoal do que pela valorização coletiva. Eu posso até amar o outro, desde que ele ou ela me ame primeiro; eu até penso em perdoar, desde que a pessoa venha e se ponha de joelhos diante da minha presença e peça perdão aos prantos e berros.

Pedimos por bons entendedores, mas ninguém se habilita. Aliás, temos alguns dentro dos consultórios terapêuticos que aceitaram o desafio, mas há uma ajuda de custo para este fim. Diante de um quadro tão desesperador, quem poderia nos ajudar? Claro que não seria o Chapolin, apesar de ser uma opção a se considerar, mas deveria ser alguém real, alguém que fosse humano e que entendesse os sofrimentos e as alegrias de todos nós sem jogar nada na nossa cara depois.

Precisávamos de um Redentor, mas também de alguém que nos ensinasse a ser gente melhor, a sermos amigos melhores, a sermos pessoas mais próximas do ideal e uma das outras sendo esse alguém, ou seja, mostrando que é possível entender ser compreendido, mesmo que não fosse unânime. Aliás, esse humano perfeito não deveria buscar unanimidade, e sim buscar faíscas humanas no ser humano e lembrar esse humano que não existe nada melhor do que ser apenas humano. Sabemos que o processo é longo e não poucas vezes doloroso, mas é na dor de parto que um ser novo começa a viver fora do útero.

Para um bom entendedor, na verdade, não é preciso palavra alguma, e só houve um Entendedor que nem precisou só das palavras; Suas ações gritaram pelos becos e favelas, pelos prédios e pelos condomínios, pelos templos e pelos montes. Na cruz, meias palavras foram um meio para transmitir verdades inteiras atingindo entendedores recém-nascidos.

Medicina Alternativa


William Shakespeare imortalizou uma história de amor que acabou em tragédia. Uma maneira de se interpretar o conto é dizer que o ódio e o orgulho das famílias rivais falaram mais alto ou, para ser mais direto, foi mais importante que o amor entre os dois jovens amantes; membros de famílias diferentes.

Romeu e Julieta são ao mesmo tempo uma celebração do amor e uma denúncia. Eles expõem para o mundo inteiro um dos maiores males, senão o maior, do ser humano, a saber, a dificuldade beirando a impossibilidade de perdoar. O casal precisou morrer para poder ficar juntos. Queriam enganar a morte, mas a morte não se engana, ela precisa ser vencida. Vencendo-a, não existe melhor aliada. Ao invés de viver uma vida juntos, Romeu e Julieta perceberam que suas famílias não se entendiam, seus entes preferiram o ódio, optaram pela raiva que depois de anos só existia por causa de uma tradição e nada mais.

E se houvesse perdão? E se houvesse uma possibilidade de convivência respeitosa? Afinal de contas, os filhos se amavam e eles são, ou deveriam ser mais valiosos que qualquer briga. A vida da gente se confunde um pouco com a vida desse casal. Às vezes, percebe-se que é melhor deixar do jeito que está, isto é, não motivado por sabedoria, mas por orgulho. Não há possibilidade de cura por meio do perdão se o orgulho for mais forte.

Perdoar não é fácil, mas conviver com a mágoa todo o momento trazendo à nossa memória dores causadas pelos outros e corroendo a alma dia após dia é insuportável. Mas na maioria das vezes optamos por esse caminho, preferimos sofrer calados a sofrer as dores da cura interior. Anestesiar a alma com desculpas e razões egoístas é mais fácil que mexer na ferida até cicatrizar, mas mais cedo ou mais tarde a anestesia passa e voltamos a encarar a realidade dos fatos. Alguns preferem se drogar novamente, outros escolhem passar pelo tratamento do perdão, pelo processo curativo de deixar viver o outro e a si mesmo.

Voltando ao romance shakespeariano, a morte do casal trouxe reconciliação entre as duas famílias. A tentativa de fuga se transformou no mais famoso suicídio da dramaturgia, mas também trouxe luz às duas maiores verdades universais: “É melhor prevenir a remediar” e “Perdoe as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Se houvesse uma reconciliação antes, se a chance de um diálogo pudesse encontrar lugar na historia, se o orgulho fosse apenas coadjuvante e não um dos principais protagonistas talvez o final fosse diferente.

Deus, entendendo nosso orgulho e não aceitando a situação de separação de Sua mais bela e perfeita obra, resolve “se matar” para que houvesse reconciliação entre Criador e criatura, entre Pai e Seus filhos rebeldes. Diferentemente da peça teatral, Cristo volta à vida possibilitando o efeito poderoso do perdão e também se abre a porta de uma segunda chance para a humanidade. Cristo ensina que o perdão vem através de sangue, suor e lágrimas; não é uma escolha fácil de tomar, mas não há nada nesse mundo mais forte e libertador que dizer “eu te perdôo”. Não é um processo simples e indolor, como alguns podem achar, mas é o único que possibilita o homem gerar vida no outro e permiti-lo experimentar a plenitude da vida.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Chaves do Evangelho

Quem nunca assistiu ao programa de humor infantil chamado “Chaves”? Creio que todo mundo já viu pelo menos um episódio, mas o que poucos sabem é que o nome “Chaves” é uma versão traduzida do original mexicano “El Chavo” que significa “o menino de rua”. “Chaves” nada mais era que o menino pobre, sem nome, que morava na casa de número oito. Roberto Gomez Bolaños, o criador do personagem e de tantos outros, pensou na história de um cortiço onde mora um desempregado com sua filha, uma viúva que se acha a dona do pedaço e seu filho mimado, uma aposentada e um menino de rua; e ainda tinha o senhorio, o dono do cortiço que vinha todo mês cobrar o aluguel! Critica social e humor estão presentes como ingredientes principais dessa obra televisiva.

Mas minha idéia aqui é usar uma frase totalmente despretensiosa de um dos episódios onde o Chaves diz: “Prefiro morrer do que perder a vida”! Tirando os erros gramaticais da frase, eu percebi algo aqui que o próprio Bolaños não intencionou dizer.

Numa das passagens mais desafiadoras da Bíblia, Cristo diz aos seus discípulos que quem vive por viver, vive em favor de si mesmo e de forma egoísta não vive e não tem vida; mas aquele que perde sua vida, ou seja, vive sob custódia do amor de Cristo, sob custódia do próprio cristo, isto é, Cristo ser o dono do meu nariz, não morre, mas vive.

Quando Chaves disse a frase foi para fazer uma piada redundante, mas para Cristo não redundância alguma. Morrer é diferente que perder a vida, na verdade, perde-se a vida em vida e não na morte, e a vida começa a ser plena na morte.

Em outra ocasião, Cristo afirma que aquele que acreditar Nele, ainda que morra, viverá. Não é um paradoxo? Não cria uma confusão? Claro que cria na cabeça de alguém que pensando que a vida se resume nas experiências daqui dessa terra. Paulo, o apóstolo, diz que viver é Cristo e morrer é lucro. Como assim? Paulo disse simplesmente que é possível viver ou experimentar viver o que é vida plena a começar daqui e também é possível morrer ou experimentar a nulidade causada pela morte ainda que estejamos vivos e de olhos bem abertos. Dessa forma, é possível acreditar em mortos-vivos!u prefiro morrer a perder a vida, porque a morte não é mais problema para os que estão em Cristo, para os que acreditam que Cristo venceu a morte e agora nada nos separa da verdadeira vida, sem as marcas da dor, sem o cheiro da morte!

á uma segunda chance para aqueles que acreditam na vida sem a morte Pelo fato de Cristo ter matado a morte, não há um fim para o filho de Deus, mas um novo começo ou talvez o verdadeiro começo.

Se você for alguém que pensa que a vida se resume às riquezas e do dinheiro, pode se considerar a pessoa mais miserável, mas se você for alguém que sabe que todas as riquezas e todo o ouro e todos os carros e todas as roupas de marca são apenas rabiscos desenhados por uma criança perto de todo do tudo que está sendo guardado para ser entregue a todos os homens, então pode se dizer que você prefere morrer do que perder a vida.

Já Desabrochou


Imagine uma rosa, agora tente imaginá-la com um caule lindo, comprido, grosso e sem espinhos. A felicidade da Rosa estava em ser admirada, tocada, e às vezes colhida para servir de uma espécie de presente comparativo, ou seja, presenteava-se alguém com rosas, especialmente mulheres, comparando a beleza e a perfeição da Rosa com a pessoa amada.
Havia uma regra no Jardim onde essa Rosa estava plantada. A norma era simples, mas com conseqüências trágicas se houvesse o descumprimento dela. Era dito que se o representante de toda a criação, de todo o Jardim, chamado Homem, comesse certo fruto proibido todo o Jardim sofreria uma transformação, uma maldição. Nessa maldição o Homem não seria mais Homem, seria apenas homem; a Rosa não seria bem uma Rosa e o Jardim não seria mais aquele Jardim!
O pior aconteceu! O Homem comeu do fruto proibido, a maldição caiu sobre todo o Jardim e a Rosa sentiu dores piores que as de parto, pois começavam a crescer em seu caule, que agora era mais fino e frágil, espinhos duros e pontiagudos. Agora a Rosa machucava, agora a Rosa causava uma nova sensação chamada Dor por causa dos espinhos. Olhando para os espinhos, a Rosa não se reconhecia mais. Tudo havia mudado!
As rosas não mais se abraçavam ou dançavam juntas, não mais se encostavam, doía demais estar junto. Os espinhos não deixavam que ninguém se aproximasse demais delas. A Rosa percebeu que a mesma coisa estava acontecendo com todo o Jardim. Ao invés de estarem juntos, todos estavam se afastando. A aproximação causava Dor e ninguém queria sentir dor, mas também ninguém queria estar sozinho. Os habitantes do Jardim agora estavam criando formas de estarem juntos sem se machucarem, mas nada resolvia porque cada um tinha um jeito de machucar e um jeito de ser machucado!
Só havia um jeito! O Criador e Rei do Jardim Encantado conversou com Seu Filho único e disse que somente a morte Deles resolveria o problema da maldição. Todas as dores e machucados que deveriam ferir ainda mais o Jardim, cairia sobre Eles. Para concluir o plano, o Criador e o Filho se uniram à forma humana e justos formaram o que se chamou de Homem Deus. Homem Deus realizou feitos incríveis chamados de Milagres, que são pequenas amostras de como o Jardim seria sem a maldição. Mas a Serpente, que havia se conformado à maldição, planejou a morte de Homem Deus, mas o que ela não sabia era que a própria morte Dele era parte do plano.
A Serpente consegue convencer o Jardim a matar Homem Deus. Pregado na árvore do fruto proibido, Homem Deus grita com suas últimas forças que tudo estava resolvido. O grito foi ouvido em todas as partes e todo o Jardim foi liberto da maldição. O que a Rosa não entendia era que ela ainda tinha espinhos, mas ela também não entendia matando um inocente a própria Morte é vencida. Homem Deus volta à vida, mas sem espinhos. Estava sem dores e sem machucados, apenas a marca que lembrava todo o Jardim que não havia mais maldição. Isso fez a Rosa imaginar que no verdadeiro Reino de Homem Deus é possível viver sem espinhos e sem dor.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A (In)Diferença Cristã


Não precisamos derrotar nossos medos, basta lutar contra eles. Não precisamos tratar o pecado e o pecador com uma pseudo justiça e uma falsa moralidade, apenas enfrente as dificuldades humanas de forma honesta e curadora. O grande problema é que não estamos dispostos a lutar por mais nada. Lutar contra o pecado é lutar por seres humanos melhores e sem máscaras. O que mais se tem é gente querendo esconder o que não deve ser escondido. É o mesmo que ir ao médico e não dizer os sintomas, ou mentir dizendo que não está sentindo nada.

A grande diferença cristã nesse mundo maluco de incoerências é não criar diferença nenhuma. O problema é que criamos um gueto onde só se entra ou só se sai seguindo alguns rituais ou dogmas produzidos ao longo da história, ou vestindo determinados tipos de roupas, ou tendo um penteado caracterizado, ou falando uma língua “evangeliquês”, tudo se resumindo a usos e costumes.

O cristão é um ser humano como qualquer outro, mas que tomou a decisão de lutar contra seus desejos ao invés de cruzar os braços e deixar que a vida o levasse para qualquer lugar ou situação. O cristão não se preocupa em ganhar ou perder, ele se preocupa em entrar na briga. A vitória é dada àquele que se dispõe a enfrentar as filosofias e os comportamentos que querem transformar o ser humano na pior das criaturas divinas, sendo que Deus quando cria o homem diz que é muito bom. Portanto, se o Criador diz que sua criação é muito boa, isso significa que um valor divino foi depositado em cada ser humano vivente na Terra. Não há uma pessoa sequer na Terra em que Deus tenha se arrependido de ter criado. A questão é que durante suas vidas, algumas criaturas se acharam no direito de seguir em frente sem a permissão e o cuidado de Deus. Deus, sendo pai bondoso e conhecedor de todos os futuros de todas as histórias, deixa ir, na esperança do retorno de seu filho ao lar.

Combater o bom combate não significa que a pessoa tenha ganhado, apenas que valeu a pena não ter desistido de lutar. É matando um leão por dia, engolindo sapo e dando meia volta onde parecia ser certo prosseguir que o cristão se converte em ser humano. E o ser humano se converte em cristão quando reconhece que só consegue lutar dessa forma através da força, da graça e da presença de Deus.

A Bíblia diz que os tímidos não herdarão o Reino. O Livro não fala da personalidade da pessoa, mas sim da covardia, da timidez diante da escolha a ser tomada. Aqueles que insistem em lutar, aqueles que não abaixam a guarda, aqueles que choram quando não encontram forças, mesmo persistindo o desejo de continuar na batalha, aqueles que de joelhos não cansam de pedir por reforço constante não serão envergonhados, ainda que tombem na terra, serão coroados na eternidade.

O cristão que quer fazer diferença siga essa simples verdade: combata o bom combate, não desista de insistir em acreditar porque Ele está a caminho. Quando Ele chegar, o tempo das batalhas se encerra e o tempo de revelar de que lado lutamos se inicia.

Além da Imaginação


Tem gente que me pergunta se eu já vi um milagre. Respondo que vejo vários a cada dia. Basta ter olhos abertos, uma mente ativa e um coração disposto a se surpreender! Muito se fala sobre fé hoje em dia, mas pouco se fala sobre a verdadeira fé, aquela que é capaz de enxergar Deus no meio de tanta bagunça que está esse mundo.

A minha abordagem é um pouco diferente e não convencional. Não estou aqui para falar de uma fé em que você determina e as coisas acontecem. Esse tipo de coisa é o mesmo que dizer ao sol onde, como e quando ele deve brilhar. Vou falar da fé em que Ele determina e as coisas acontecem! Deus o tempo todo trabalha esse tipo de fé nas pessoas, esse que é o verdadeiro estilo de fé, o real estilo de Deus agir, ou seja, através da imaginação. Por isso afirmo com todas as letras, categoricamente: sem imaginação/fé é impossível agradar a Deus. Parafraseando o versículo de Hebreus 11.

Vou usar alguns exemplos que ilustram o que estou afirmando. Moisés diante do Mar Vermelho e atrás dele o exército de Faraó. Para Moisés não tinha solução, mas para Deus tudo tem solução. Deus pergunta para Moisés o porquê que ele e o povo estavam parados; eles deveriam marchar. O Eterno determina que Moisés levante o cajado; ele o faz e o Mar se parte em dois e a galera passa com os pés secos. Moisés e Deus se entenderam nessa hora e tiveram a imaginação/fé de que o mar poderia se abrir. Ainda no deserto o povo com fome e durante quarenta anos foram alimentados por Deus através de uma comida vinda do céu que não tem tradução, mas ficou conhecida por Maná, e o povo não enjoava. Imagino que cada dia esse Maná tinha um gosto diferente a gosto do freguês.

Mas têm momentos em que nossa imaginação não bate com a imaginação de Deus. E o que fazer quando isso acontece? Tem hora que a gente acha que a nossa imaginação é mais bonita e mais perfeita que a de Deus, que os nossos sonhos são mais corretos e mais justos que os Dele, que a nossa vida estaria melhor se Ele não interferisse tanto! Mais uma vez o problema não está em Deus, e sim, na maneira como aprendemos a entender Deus. Ele tem pensamentos maiores a respeito de nós, porque os nossos pensamentos são limitados como nossa imaginação/fé é. Somente quando entramos em contato com os pensamentos de Deus; e isso através de muito atrevimento em querer experimentar Deus, é que podemos conseguir o impossível se tornar possível, o inimaginável se tornar imaginável, o irreal se tornar real, a montanha se mover de um lugar para o outro e por fim se jogar no mar.

Quando disse que vejo milagres todos os dias é porque vejo todos os dias minha esposa se levantar de manhã para trabalhar porque ela sabe que Deus vai honrar seu esforço, quando vejo uma mãe que luta contra o mundo inteiro para resgatar seu filho das drogas e, às vezes, consegue, quando vejo um pai ralando todo dia para ver seus filhos bem educados e melhores que ele em conhecimento e oportunidades, quando vejo filhos ralando de estudar porque sabem que podem encontrar e construir um futuro melhor que o presente, quando alguém lê esse artigo e pode imaginar, e ao mesmo tempo, ter a percepção real e, talvez, palpável de uma necessidade suprida, um sonho realizado e uma vida realizada.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Palhaços, Mendigos e Falsos Profetas


Já na antiga Grécia se falava sobre essas figuras patéticas. Platão, no seu livro A República, os chamava de “mendigos e adivinhos”, gente que manipulava a fé dos gregos nos deuses para fins lucrativos, e ao mesmo tempo a própria população grega os usava para tentar ludibriar ou subornar os deuses com oferendas e sacrifícios. Creio ser de uma indelicadeza de Platão chamar gente tão mesquinha de “mendigos”. Talvez ele tenha pensado que eles estavam “mendigando” honrarias e prêmios.

O tempo passa, o mundo sofre transformações gigantescas, mas percebe-se que o homem continua o mesmo. Suas carências, necessidades e desejos estão presentes em todas as eras e impérios; e junto disso aparecem em cena os famosos aproveitadores que tentam, com algum sucesso, manipular corações atribulados com o fim de glorificar apenas um deus: eles mesmos. Há líderes religiosos na televisão e na rádio, tanto na nossa região como no nosso país e no mundo que dizem servir a Deus, mas são amantes das riquezas. Sua aliança não é com a Cruz, é com o seu e o meu bolso. Enquanto você compra as toalhinhas da cura, recebe os abraços da prosperidade, paga os horários caríssimos do canal de televisão, você é boa gente; se não, você está em pecado e muito provavelmente não tem fé e, portanto não tem a benção de Deus. Ah, faça-me o favor!

Gente desse porte Jesus chama de “falso profeta”. Tudo que eles dizem Deus não mandou dizer. Tudo o que eles profetizam Deus não profetizou. Tudo o que eles pedem Deus não pediu. Tudo o que eles manipulam Deus vai prestar contas. Outro nome dado a eles é de “sepulcros caiados”, ou seja, túmulos bonitos e bem ornamentados por fora, mas por dentro só carregam mau cheiro, carne podre e morte. Se não há vida nesses “profetas”, como podem falar sobre a vida? Como podem ensinar a viver? O que eles ensinam são morte e desesperança. Nada do que podemos fazer, dizem eles, pode acalmar o coração de Deus. Por isso a necessidade de sempre “ofertar” a Deus nosso dinheiro, posses, riquezas, coisas e nunca o coração. Para esses ladrões da alegria e da fé, o coração não basta. Entendam isso: nada do que podemos fazer, ou para mais ou para menos, fará Deus nos amar mais ou menos. Ele nos ama pelo que somos, e não pelo que podemos fazer por Ele ou para Ele. Os manipuladores existem porque tem gente que insiste em manipular a Deus.

Mas ainda restam aqueles que não seguem essa maré. São artistas, palhaços e andarilhos que não se vendem e não compram escravos. Pelo contrário, por onde passam causam um fantástico reboliço na vida da gente trazendo alegria e a experiência da verdadeira liberdade. Palhaços nos avisam todos os dias: “Como a graça de Deus nos faz felizes e seres humanos melhores”. Andarilhos nos lembram como é importante amar as pessoas e usar as coisas e não amar as coisas e usar as pessoas. Os artistas nos fazem imaginar pessoas vivendo em paz, sem disputas religiosas e de poder e nos fazem acreditar que dias melhores ainda podem vir. Esse tipo de gente Deus tem amizade e intimidade. Escutem o que eles têm pra dizer, pode ser que o próprio Deus esteja querendo aumentar o número de amigos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Uma Nova Utopia, Um Convite Urgente


Todo mundo um dia teve vontade de jogar tudo para o alto e recomeçar a vida, mas faltou coragem. Sentia que o casamento não ia bem, os negócios sempre na corda bamba e a gente com a corda no pescoço. O marasmo da vida, a rotina, o mesmismo, todos esses nomes nos assustam e com razão. Lemos os livros de aventuras ou assistimos aos filmes desses livros e sonhamos em ser os aventureiros, os heróis dessas histórias e no final de tudo perguntamos: “Por que isso não acontece comigo?”.

O Cristianismo verdadeiro tem uma proposta que satisfaz esse desejo de todo ser humano que é o desejo de encontrar valor na vida, mais especificamente o seu próprio valor. Mas dentro dessa verdade não se encontra valor próprio sem o outro; sempre o outro tem algo para nos acrescentar. Agora, com isso em mente, precisa-se entender que existe O Outro, ou Aquele que sem o qual não existiria nenhum outro ou nenhuma outra. Ou seja, sem a fonte de tudo o que se conhece e não se conhece nada do que foi feito seria de fato feito.

Cristo é esse Outro que não cabe apenas em idéias e conceitos religiosos. Não cabe em dogmas ou doutrinas. Cristo é revelado em pessoas à Sua imagem e semelhança. A conversão é o movimento do coração e da mente que entende que não somos donos dos nossos narizes, como se diz, mas somos cooperadores, filhos, amigos e dependentes do Outro e de outros também. Alguém que se converte começa a ter a capacidade de encontrar os atributos de Deus em todas as áreas da vida como as artes, entretenimento, esportes e tantos outros. É o início de uma percepção mais santa, mais apurada e divertida.

De fato, o novo assusta. Não estou falando de uma nova religião, mas de uma nova maneira de ver e de viver a vida. Além de assustar, o novo causa preguiça. A gente não quer mudar de vida porque do jeito que está, mesmo sendo a mais chata das situações, todo mundo está assim. Então, pra que mexer com quem está quieto? É cômodo. Mas se isso fosse verdade o racismo continuaria forte nos Estados Unidos, a ditadura e a escravidão ainda reinariam no Brasil e não teríamos nenhuma história bacana pra contar para nossos filhos e netos.

A verdadeira mensagem de Cristo é uma utopia possível. Utopia por ser considerada louca, revolucionária e impossível aos olhos do homem, mas possível porque quem realiza a revolução é Aquele que faz homens considerados poderosos demais se ajoelharem e aqueles que estão de joelhos permanecerem como estão. Ser o novo é fazer o contrário possível.

A maior contradição da história foi personificada em Cristo. Deus que se faz homem ensinando o homem a ser mais humano. E ao fazer isso, o homem de torna mais divino, portanto mais próximo de Deus e cumprindo seu papel de ser Sua imagem e semelhança.

Há duas maneiras de viver a mesma coisa: jogue tudo para o alto como um sinal de desistência e de completo desejo de anarquia e desorganização da vida ou faça a mesma coisa, mas com um desejo apaixonado de reorganizar sua vida e também como um ato sincero de reconhecimento Àquele que faz novas todas as coisas.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Um Lugar para se Acreditar


Por que se despedir é tão difícil? A impressão que se tem é que todos os pecados são redimidos e perdoados; tudo é facilmente esquecido e as qualidades ficam mais evidentes. Dizer adeus a alguém querido não das mais fáceis tarefas que a vida nos obriga fazer, mas poucos; diria raros são aqueles que conseguem se preparar para esse momento. E para aqueles que não conseguem? E para aqueles que são surpreendidos com aquela notícia que todo mundo tem medo de ouvir e de falar? É... não é fácil dizer adeus.

O céu está reservado para aqueles que insistem em se manter na teimosia de acreditar que as coisas podem melhorar e que Deus sabe o que faz. Ainda que soe como clichê ( e eu detesto clichês), essa coisa de dizer: “Deus sabe o que faz” soa mais como um grito de esperança da alma, é algo em que ela pode se apegar, mesmo que às cegas. Pra mim, é uma declaração da mais pura fé.

Para esse tipo de gente, o céu não é mais uma esperança distante, mas um lugar real, um destino certo, a volta para o verdadeiro aconchego. Eles sabem que para chegar lá há algumas regras, algumas leis de trânsito e um caminho certo. Para o céu não tem atalhos e nem pedágios. É um caminho apertado, estreito, difícil de percorrer, mas não é um tipo de penitência ou algo que deva merecer.

O céu é um presente dado de graça sem porquês ou comos; simplesmente dado, simplesmente presenteado. Não tendo data certa para ser presenteado, para nós passa a ser um presente de desaniversário, mas para Deus é uma data para se comemorar um novo nascimento, portanto um novo aniversário. O céu é onde as aulas terminam e as férias começam, é onde os hospitais são lendas urbanas e as doenças puro folclore popular, é onde as lágrimas têm a conotação somente de alegria e onde a tristeza nem existe no dicionário. Nesse lugar mágico e real não há mais “adeus” ou “até logo”, mas sim eternos reencontros e novas descobertas.

Todo mundo quer ir para o céu, mas poucos aceitam o desafio de caminhar até lá. O céu existe assim como o inferno; ambos podem começar aqui. O único jeito de entrar lá é acreditando que esse lugar existe e que Deus o criou para você como um presente novo todo dia.

Diante de tudo isso fica a pergunta: quem na realidade está morrendo? Aqueles que já desfrutam e sabem o que significa paz ou aqueles que ainda sofrem as dores desse mundo? Insisto; o céu é para aqueles que passam a vida inteira sabendo que aqui nada mais é que uma viagem de volta pra casa.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Isso é Guerra!


Uma mãe que enterra seu filho antes da ordem natural das coisas. Um pai que rala todo dia, sua a camisa no serviço e nos ônibus, carros ou metrôs que o levam para o trabalho e no final do mês parece que o salário ri de sua cara e de seu esforço. Um filho ou filha que só queria brincar de uma forma mais perigosa. Queria subir aquela árvore mais alta, queria pular aquele muro mais alto. Mas a árvore agora se transforma numa viagem mais perigosa chamada “Droga”; o muro agora tem outro nome; é chamado de “Vício”. O que era para ser uma brincadeira de criança se torna problema de gente grande. Quando criança a gente queria ser grande, mas não dessa forma.

Os dias passam e dão a impressão que eles estão cada vez mais malignos, mais vazios, menos divertidos, menos interessantes. Já reparou que por mais que se tenham opções de programas a gente não desgruda o dedo do controle remoto da TV. Por mais que se crie atividades das mais variadas dentro da igreja as coisas parecem iguais. Por mais pessoas que tenhamos nas nossas redes sociais, a sensação é que a gente está falando sozinho.

Estamos numa guerra impiedosa; quer você queira ou não. Uma guerra pela alma desse mundo. É uma guerra entre a segunda chance da humanidade e a sua total condenação. De um lado um Homem/Deus ou Deus/Homem abre os braços e o peito para receber todos os tiros e balas perdidas em direção a cada um de nós. Do outro um príncipe caído, um anjo sem asas, a personificação do mal e seu maior significado. Ambos não desistem de seus objetivos.

Da mesma forma que Cristo não deixa de amar, o diabo não deixa de odiar. No meio disso tudo estamos nós; o alvo desse amor e desse ódio. Representamos o melhor de Deus, a obra prima do Eterno, a Mona Lisa, o teto da Capela Sistina, o jardim suspenso, as pirâmides, tudo o que é belo e de melhor, toda perfeição na relação Criador/criatura foi detalhadamente planejado e sonhado.

Mas também toda destruição e morte, todo desejo maldoso, toda mancha na pintura, todo defeito de fabricação encontrou lugar no nosso coração. Optamos por uma única fruta quando tínhamos todos os pomares do mundo. Preferimos a comida mofada e embolorada quando podíamos repetir todos os pratos e todos os sabores.

A guerra não está perdida. Somos como soldados feridos às portas da Grande Conquista. Os ferimentos doem e entram cada vez mais fundo na carne, mas Aquele que cura todas as feridas e enxuga todas as lágrimas está chegando. Aquele que faz coxos andar e cegos enxergar vem com paixão e fúria trazendo em suas mãos as nossas coroas.

Convoco todos os príncipes e princesas do Reino Celestial, todos os reis e rainhas do Céu a tomarem seus lugares ao lado do exército do Senhor dos Exércitos, a ficarem firmes em suas posições, a não desistirem de seus sonhos e de sua fé, porque Ele está chegando e não demora. Pois lembrem-se: ainda estamos em guerra!

domingo, 6 de novembro de 2011

Entre Prostíbulos e Enfermarias!


G.K. Chesterton, conhecido pensador e escritor britânico católico disse a seguinte frase: "Todo homem que bate na porta de um bordel está a procura de Deus". Confesso que fiquei petrificado diante de tal afirmação. Verdade! Fui tomado por um entendimento que não havia pensado antes. E isso me levou a escrever esse texto que é fruto apenas de uma reflexão diante da hipocrisia que a gente tem vivido.

Se você imaginar um prostíbulo conseguirá imaginar várias cenas acontecendo ao mesmo tempo. Talvez alguns nunca estiveram em um, mas conseguem através de conversas, depoimentos, fotos, filmes levantarem um esquema parecido. Imagine que nesse lugar estão todo tipo de gente com todo tipo de educação, posse e história. Agora saiba você que nesse lugar nada se consegue de graça, nada é gratuito. Um beijo, um abraço, um aperto de mão ou uma salada mista é pago. O entrar no ambiente tem um custo. A alegria de uma companhia, o prazer de um momento íntimo; tudo tem seu preço, mas nada ali é verdadeiro, é tudo mentira. O prazer, a alegria, a companhia, os elogios, os tapinhas nas costas; tudo é uma linda e efêmera ilusão.

As pessoas batem nas portas dos prostíbulos e bordeis porque ali, mesmo que sejam mentira, todos os sentimentos experimentados, todas as confissões, todas as histórias passam a ser verdade, porque é justamente o que todo ser humano quer; atenção, gentileza, compreensão, uma demonstração de carinho, ainda que seja falsa!

Mas na enfermaria não. Ali o sentimento é verdadeiro, é de cuidado. Ali todo mundo sabe a doença de todo mundo e ninguém se sente maior ou menor por causa disso. Nesse ambiente não é necessário mentir, usar máscaras, maquiagem para esconder as marcas e as cicatrizes, aliás, não se pode mentir porque senão a cura é inviável, o tratamento se torna inútil. Nada se faz nesse lugar apenas por dinheiro, mas por vocação. Lá as pessoas não produtos a serem analisados e consumidos; são seres humanos com suas fraquezas, doenças e dificuldades. Não precisam ser perfeitos e nem fingir qualquer postura de alguém impecável. Estão ali em busca da perfeição, estão ali reconhecendo a limitação, mas não se ajoelham perante ela. Lutam e lutam até o fim, porque o que importa não é se vão vencer ou perder, mas sim que não vão se entregar como aquele que luta o bom combate.

Convido a todos a saírem dos prostíbulos que estão vivendo, das maquiagens e cascas que estão impedindo a vida de lhes enxergarem e lhes reconhecerem como seres humanos que estão em busca de alegria, mas verdadeira; de paz, mas verdadeira; de companhia, mas verdadeira; de amizade, mas verdadeira!

Na enfermaria tem gente imperfeita. É como no Instituto do Dr. Hunter “Patch” Adams no estado de West Virginia nos Estados Unidos chamado “Gesundheit”, que do alemão significa “Saúde”, e que também pode ser usado quando alguém espirra. Lá todo mundo é paciente e doutor. Todos tratam e são tratados. Se não acreditarmos nisso e não aceitarmos o desafio de viver como uma enfermaria, onde a verdade vale mais que o bem estar mentiroso, continuaremos sofrendo calados e ninguém vai poder ouvir a nossa voz.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Um Dia A Gente Aprende!



A gente nunca sabe como ganhar; e a gente gosta quando ganha; mas a gente nunca vai saber como perder. Perder dói, perder humilha; quando a gente perde é o mesmo sofrimento quando alguém rouba algo de nós, fica uma mistira de revolta com impotência com indignação; é uma mistura violenta.



Quando a gente perde alguém muito querido fica uma sensação de vazio que com o tempo vai se tornando cada vez mais visível. A cadeira vazia no almoço, o quarto vazio, um amontoado de roupas vazias, sem gente para vestí-las. E aquele abraço que não foi dado? A despedida que não aconteceu? Que direito essas pessoas tinham de morrer sem ao menos nos deixar preparados? Queremos e nos preparamos para ganhar. Engraçado, nunca estamos preparados para perder.



Tem dias que eu queria ter uns poderes miraculosos, do tipo que curaria pessoas doentes, faria gente paralítica andar e cegos enxergarem, facilmente diria para um morto sair do caixão e voltar à vida. Mas não tenho esse poder, não tenho essa facilidade que apenas uma pessoa no mundo tem; Deus! E por que Ele não cura? Por que Ele não ressuscita? Por que Ele não tira a dor como se tira uma unha encravada? Há situações em que Ele cura, mas não todas as vezes. A Bíblia diz que Ele não faz acepção de pessoas, mas Ele cura um e não cura o outro. Como assim?



Existem pessoas especiais aqui nessa Terra, não sei se você já percebeu? Essas pessoas têm uma sensibilidade e uma habilidade incrível que é de não perder a esperança! A vida os sacode de uma forma violenta e eles continuam em pé! Deus diz não para elas e mesmo assim continuam crendo que essa resposta é a melhor de todas, mesmo não sendo aquela que elas querem ouvir! É incrível! E quando você é surpreendido com alguma tragédia, é só olhar nos olhos dessas pessoas e uma força sobrenatural, quase divina invade seu coração e dá vontade de continuar tentando até a dor passar! E ela passa!



Mas você percebe de onde essas pessoas tiram suas forças e esperança. Não é de nenhuma filosofia existencial, não é de nenhuma fórmula mágica ou de um livro de segredos. Essa força, esse poder, essa vontade de viver vem de uma fé que não se explica, mas se experimenta todo dia na batalha contra os leões e os gigantes. o importante não é se os leões serão mortos ou os gigantes derrubados, mas sim o fato de que jamais essas pessoas desistem de lutar, mesmo que dê vontade de parar!



O importante não é se a gente ganha ou perde, mas se a gente insiste em lutar ou não! O luto um dia bate na nossa porta, e aí? Um dia a doença nos surpreende, e aí? Uma dia a gente perde, e aí? É aí que a gente mostra em quem a gente acredita, se no "Não" que o mundo diz ou no "Continue, estou com você" de Deus. Mesmo que pareça que Ele não está nem aí para os seus sentimentos, Ele se preocupa! Existem derrotas que nos assombram a vida toda, mas isso não significa que a guerra está perdida. Mesmo caminhando em dor, somos mais que vencedores.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

SALMO 136 - Versão Brasileira



1 - Ainda que eu fique parado na fila de um hospital, e não tenha mais nada a perder senão a esperança; a Sua misericórdia dura para sempre.



2 - Ainda que mais Realengos insistam em acontecer; a Sua misericórdia dura para sempre.



3 - Ainda que, pela irresponsabilidade de governantes egoístas, aconteçam mais espisódioas de descaso como do Morro do Bumba, Petrópolis, Teresópolis, e tantas outras cidades brasileiras; a Sua misericórdia dura para sempre.



4 - Ainda que a família do ex-governador Joaquim Roriz nos envergonhe chamando a si mesmos de brasileiros; a Sua misericórdia dura para sempre.



5 - Ainda que Paulo Maluf seja procurado pela InterPol, roubado mais dinheiro público que qualquer assaltante profissional, esteja livre amparado pelas leis brasileiras e tenha 80 anos de idade; a Sua misericórdia dura para sempre.



6 - Ainda que garotos e garotas homossexuais sejam violentados todos os dias e seus direitos como cidadãos esquecidos; a Sua misericórdia dura para sempre.



7 - Ainda que bandidos disfarçados de pastores se orgulhem de expor suas mansões e inúmeros bens materiais comprados com dinheiro suado de seus fiéis, e ainda abusam de seus membros dizendo coisas que Deus jamais disse; a Sua misericórdia dura para sempre.



8 - Ainda que o Congresso Nacional seja mais um antro de picaretagem, safadeza e corrupção, manchando assim um dos patrimônios da nossa democracia; a Sua misericórdia dura para sempre.



9 - Ainda que prostitutas, moradores de rua, travestis, crianças abandonadas e movidas a cola sejam constantemente violentadas pela nossa falsa moral; a Sua misericórdia dura para sempre.



10 - Ainda que enterremos nossos jovens, mortos pelo descaso público e pelo abuso de autoridade das polícias; a Sua misericórdia dura para sempre.



11 - Mesmo que nossos filhos e filhas sejam vendidos a preço banal para engordar os bolsos de quem já perdeu a vergonha na cara; a Sua misericórdia dura para sempre.



12 - Mesmo que o usuário de drogas ainda seja confundido erroneamene com bandidos; a Sua misericórdia dura para sempre.



13 - Mesmo que nossas orações por melhoria pareçam não passar do teto; a Sua misericórdia dura para sempre.



14 - Mesmo que percamos a fé em Deus, no Brasil, nas pessoas, nas instituições; a Sua misericórdia dura para sempre.



O Salmo 136 tem muito mais versículos (26 versículos, para ser mais exato), mas esse é apenas um desabafo de quem ainda luta pela verdade e acredita que pode melhorar porque a Sua misericórdia, bondade, amor duram para sempre.

domingo, 31 de outubro de 2010

Imitadores!


Existem textos bíblicos que ao longo dos anos de leitura vão tomando novas formas e adquirindo a sua real identidade. Deixam de ser pretextos para se tornarem texto vivo e de um significado novo que faz a gente repensar a vida cristã de uma forma mais humana, sincera e honesta.

Um desses textos foi aquela passagem onde o apóstolo Paulo diz para sermos seus imitadores como ele o é de Cristo. Achava uma imensa pretensão de Paulo dizer essas palavras. Alguns me diziam que o texto era inspirado e que essa era a única razão suficiente para aceitar o texto da forma como está. Acredito na inspiração das Escrituras que ela é a Palavra de Deus, mas usar a inspiração para usar como desculpa para a falta de interpretação e de entendimento do texto já é demais.

Paulo é muito coerente com seu pensamento. Ele jamais chamaria uma responsabilidade tão grande sobre si. Como ele era um apóstolo, um líder que falava para dezenas de milhares de pessoas, ele jamais pediria que esses ouvintes apenas o imitassem como sendo o exemplo mor de todo comportamento humano. Paulo mesmo em uma de suas cartas diz que ele é o pior dos pecadores. Sendo assim, como imitar o pior dos pecadores?

A questão é que Paulo usa de uma lógica filosófica grega. Não nos esqueçamos que o apóstolo vivia numa época em que a cultura grega é muito comum, inclusive a sua escrita é e língua grega para que assim ele pudesse alcançar mais gente e mais lugares! Paulo, na verdade, está dizendo que devemos sim ser seus imitadores, porque, como conseqüência disso, ele imita a Cristo. Logo, devemos imitar a Cristo!

Paulo não bate no peito e clama por reconhecimento, Paulo não é presunçoso, Paulo é, na verdade, um grande pensador que usa de sabedoria para simplesmente dizer que quem é o alvo de nossa imitação é Cristo. Todos os jeitos, a fala, o modo de pensar, o modo de agir, a maneira de orar e de comunicar, as formas de tratar as pessoas e de entender como funciona o Reino de Deus. Tudo isso é imitar a Cristo.

É muito mais que falar igual ao Silvio Santos, usar os mesmos ternos ou ter o mesmo penteado. É incorporar em sua personalidade a essência de um Deus que viveu como humano e ensinou a humanidade e ser gente! É não negar as suas falhas, mas encará-las de frente e saber que elas nunca foram superiores ao amor do Pai que perdoa e limpa todas as nossas falhas. É saber que o julgamento dos nossos pecados aconteceu no Calvário e o veredicto foi: “perdoado”!

Imitar os outros é muito engraçado! É uma espécie de homenagem a uma personalidade única. Quem imita sabe que aquela pessoa só é imitada porque ela única e todos vão saber quem é! Por isso, imitar a Paulo é imitar a Cristo e nada mais. Sem peso de ser um Deus, mas a graça de ser apenas humano e a imagem de semelhança de Deus!

Arte e Artistas!


Quem nunca escutou a seguinte frase: “Você que é crente peca quando escuta música do mundo”? Eu escutei diversas vezes, inclusive já fui disciplinado porque fui a um show de música popular. “Onde já se viu”, me perguntavam, “um crente como você ir a esses encontros mundanos?”. Eu sou de onde? Desse mundo ou de Plutão? Será que minha mãe na verdade pertencia a uma comunidade de ETs que habitavam um dos anéis de Saturno e meu pai é um foragido da justiça da constelação de Antares? Claro que não. Bem, é claro que nem tudo que se canta e toca por aí é de boa qualidade, tem boa fama ou causa algum bem, mas não podemos também dizer que tudo que está aí é do capeta! Aliás, meus caros, muita coisa dita como “gospel” está mais para “bostel”!


Dias atrás mesmo fiquei meio que perdido quando escutei uma música, um funk, que dizia a seguinte frase: “Vou te comer!”. Não sei se era a dança do lobo mau, mas fiquei meio que escandalizado! Quer dizer que as cinco velocidades do famoso “créu” perderam força e agora o negócio é “comer” mesmo! Djavan que me desculpe, mas o “por dentro eu te devoro” de sua linda poesia está ficando muito tradicional! Chega de hinos poéticos, vamos entrar no “côro”!


Não precisamos ir longe. Nossas músicas, algumas, perderam seu verdadeiro valor de transmitir mensagens que fazem o nosso coração descansar, que fazem nossos olhos enxergarem esperança. Agora o negócio é ir “para esquerda, para direita, para frente e para trás”. Declarar que o Senhor é “Soberano sobre a terra, sobre os céus Tu és Senhor absoluto” é coisa do passado. É mais fácil dizer que “eu vou subir” muitas e muitas vezes até que eu entre em estado de Nirvana e suba mesmo!


Por outro lado, também não curto muito esse negócio bairrista de que só a música do cantor tal é que presta! Fica uma guerrinha de quem é melhor, de quem é mais poeta, de quem é mais. Esses Jihads da música gospel é que estragam com o verdadeiro sentido da música, que é comunicar as belezas do Senhor. Tem gente que entende o evangelho quando escuta Diante do Trono e tem gente que entende o evangelho escutando Stênio Marcius; claro que não há comparação entre eles. Lógico, são propostas diferentes, mas carregam dentro de si a vontade de cantar aquilo que acreditam!


Dizer que esse cantor ou aquela cantora não é de Deus passa a ser acusação séria. Ninguém que é humano pode chamar para si a responsabilidade de julgar quem quer que seja, pois a cadeira de Juiz já tem dono e está ocupada antes mesmo de existir mundo!


Meu convite é que aprendamos a curtir melhor a arte que Deus permite que seres humanos, abençoados com sua graça comum, acabam criando de uma forma belíssima. As artes estão aí para serem instrumentos de benção e de manifestações da presença de Deus aqui na Terra! Sejamos mais artistas, mais palhaços, mais malabaristas, mais compositores, mais poetas, e menos chatos, pelo amor de Deus!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

As Senhoras Primeiro


Enoja-me a forma como algumas coisas no meio cristão são tratadas! Parece muito simples dizer que é contra o aborto, muito fácil dizer que é contra isso ou aquilo. Dá a impressão que somos aquilo que somos contra. A identidade do cristão é determinada por aquilo que ele é contra! Se for contra o aborto, é cristão. Se for contra a prostituição, é cristão. Se for contra o divórcio, é cristão! Tudo muito taxativo, tudo muito certinho, tudo muito chato!

Engraçado como Cristo tratava certos grupos considerados impuros pela sociedade e religiosidade judaicas. Um de Seus discípulos que posteriormente escreve um dos Evangelhos era um cobrador de impostos; Ele curou o servo de um centurião romano, dizendo inclusive que não havia fé semelhante em Israel comparada com a do centurião; disse para andarmos não uma, mas duas milhas com nosso inimigo, ou seja, quantas forem necessárias; come na casa do chefe da coletoria Zaqueu; faz amizade com gente que não era considerada muito certinha, pois comia e bebia com eles, sinal de amizade e intimidade; honra mulheres que antes eram humilhadas e apedrejadas.

As desigualdades sociais e as suas conseqüências são de responsabilidade de todos nós. É muito fácil criticarmos as Paradas Gays e continuarmos a jogar pedras nos homossexuais com a prerrogativa de que estamos com a verdade. Gente, os militantes xiitas do Oriente Médio fazem isso melhor do que nós!

E a prostituição, então? Engraçado que Cristo recebe a adoração de uma prostituta, perdoa e liberta aquela mulher para uma vida de verdade! É recebida pelo Cristo como uma princesa, é tratada como uma filha que volta pra pedir desculpas para o pai depois de uma desobediência e sai dali com a certeza de que acabou de conversar com seu irmão mais velho, aquele que cuida dos passos da irmã mais nova!

Deveríamos repensar nossa maneira de tratar os seres humanos a partir do modelo comportamental de Jesus! Nosso Senhor nunca desprezou e nunca desamparou ninguém, nuca taxou ninguém disso ou daquilo, mas sim exerceu atitudes que mudaram e transformaram vidas, emoções, transformaram o cotidiano daquelas pessoas. Cristo apresentou o verdadeiro Deus e fez com que pessoas, antes enxotadas pela religiosidade, fossem recebidas como reis e rainhas do Paraíso! Se devemos ser como Cristo foi, esse é um bom começo!

Um tanto intrigante é o fato de Cristo dizer que meretrizes entrariam antes no Reino dos Céus! É uma frase forte hoje, e foi uma frase forte para quem a escutou pela primeira vez lá em Israel, mas o fato não é a frase em si, mas quem a disse. Então, desde já vamos nos preparar, senhores pastores, apóstolos, bispos, líderes de louvor, famosos da fé; quando formos entrar pela porta eterna sejamos no mínimo educados e digamos às nossas irmãs: a senhora primeiro!

A Voz de Alguém


Dizem que a voz do povo é a voz de Deus. Não sei até onde isso é verdade, até onde Deus pode mesmo usar da voz do povo para falar alguma coisa. Mas o que sei e o que vi nesses poucos anos de vida é que nem sempre Deus está ecoando a voz do povo. Porém me ocorre que numa passagem específica das Escrituras Sagradas fica essa grande pergunta. Que voz condenou a Cristo à cruz? Seria a voz do povo ou a voz de Deus?

Numa eleição onde o universo inteiro estava envolvido, tínhamos de um lado o candidato do mundo; Barrabás, e do outro havia o candidato para o mundo; o próprio Cristo! Um representava a vontade soberana dos homens, o desejo de ser independente, o anseio de se ver livre de qualquer Deus humano. O Outro representava o interesse soberano do único Soberano, a vontade de ver Sua criatura livre do desejo de querer ser Deus, o desejo de libertar de uma vez por todas a Sua obra-prima de qualquer estereótipo pseudo santo ou pseudo religioso. A multidão fez a sua escolha. Mas qual seria a escolha?

Eles deveriam escolher aquele que sairia livre, sem culpa, perdoado de seus crimes. Aquele que ficasse estaria fadado à cruz e ao sofrimento que a crucificação acarretava. Em certo sentido, a multidão foi sim a voz de Deus. Deus escolheu que o homem fosse livre de sua culpa e de seu sofrimento e escolheu sofrer a vergonha do madeiro. A multidão mais uma vez foi um instrumento imperfeito nas mãos do Perfeito!

Há certos movimentos na nossa vida que a gente não entende e quando a gente força para entender parece que o sofrimento é dobrado. Há escolhas que a gente faz que, muitas vezes, não mostram nenhum resultado aparente. O fato de Cristo ter sido escolhido pelo povo não foi porque eles sabiam que a profecia precisava se cumprir e que o Cordeiro de Deus precisava ser sacrificado; eles queriam na verdade romper com esse Cristo atrevido, enxerido que veio da cidadezinha de Nazaré achando que era filho de Deus. As palavras de Jesus incomodavam a religiosidade e os interesses dos líderes. Eles não queriam a salvação; queriam a morte Daquele que prometia vida eterna!

Mas o tiro saiu pela culatra! Mesmo o mundo não querendo a salvação, negando até o último minuto o desejo de liberdade, Deus concedeu salvação de graça com graça. Mal sabia o povo que dizendo: “Crucifica-o” para Pilatos acerca de Jesus, ele estava dizendo sem saber que reconheciam o fato daquele Galileu Nazareno, filho de carpinteiro ser o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E tirou mesmo!

A história mostra que o pedido de morte partiu da multidão, mas a história também mostra que a infecção da humanidade pela vida partiu do próprio Deus antes mesmo da existência do universo. Se a voz do povo é a voz de Deus eu não sei. Só sei de uma coisa. Quando o povo saiu para crucificar o nosso Rei, quando saiu para zombá-lO e para maltratá-lO, Deus já havia dito que a salvação havia chegado e que era tempo de se alegrar.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Quando a Decepção Fala Mais Alto!



Todo tipo de pessoas nos decepcionam. Não espere passar por essa vida sem experimentar esse sentimento que abre feridas tão profundas que demoram cicatrizar. Às vezes, essas feridas nem cicatrizam; às vezes elas ficam abertas até demais para serem tratadas. E é aqui que surge um dos grandes paradoxos do tratamento das decepções; quanto mais a ferida está aberta, mais urgente é seu tratamento e é quando não queremos nenhum tratamento! Queremos ficar a sós com nossa dor, com nosso questionamento, com nossa dúvida! Confesso que esse é um dos temas mais dolorido pra mim.


Nossos pais nos decepcionam, nossos amigos, nossos parentes, nossos pastores, nossos líderes, nossos ídolos, todos, sem dúvida, vão nos decepcionar. Parece uma visão pessimista, quase um eco do pensamento de Schopenhauer, mas infelizmente é verdade. E como é dolorido quando a gente descobre que aqueles que a gente ama acaba sendo aqueles que nos ferem. O que mais doeu no imperador romano Julius César não foram as inúmeras facadas que ele tomou, mas o fato de Brutus, a quem amava e estimava como a um filho, ser um dos seus assassinos.


Agora quando apontamos a flecha na direção oposta, ou seja, para nós, percebemos que também somos os algozes de algumas pessoas que colocaram a maioria, senão todas, as suas fichas em nós! Quando descobrimos que magoamos sem perceber a profundidade do machucado, achamos que somos os mais miseráveis de todos os homens! Nossa alma adoece e dá a impressão de que a idéia de se cogitar um pedido de perdão não passa de uma utopia, pois quem poderia perdoar aquele que causou tanta dor?


Cristo foi abandonado pelos seus nos momentos mais delicados e, talvez, nos Seus momentos mais doloridos. As ovelhas do aprisco de Jesus simplesmente o negaram, outros silenciaram diante de tamanha injustiça, outros se trancafiaram em quartos escuros, afinal de contas estavam atrás dos seguidores de Jesus. A Bíblia não menciona, mas acredito que Cristo não teve nem a companhia de seus irmãos durante as sessões de tortura. O homem-Deus que flui amor estava em silêncio, “como uma ovelha diante dos seus tosquiadores”.


O silêncio emudece as vozes que nos apertam o coração! Jesus em nenhum momento revidou as palavras, os murros, os cuspes e os chutes. Curou a orelha de quem estava lá para prendê-lO, revelou Sua identidade de Rei para quem iria entregá-lO para ser crucificado lavando as mãos, intercedeu por aqueles que O zombavam pedindo perdão para eles, e por fim derrama sua vida diante de Deus consumando toda a dívida entre humanidade e Deus. Não há mais culpa, dor, decepção quando olhamos para a cruz encharcada de sangue inocente!


Nesses momentos de decepção, ofenda quem te magoou com o amor! Brigue com quem te feriu com o peito aberto e os braços estendidos. E também busque a solitude na presença do “Homem de dores, que sabe o que é padecer”! Sempre lembre que estamos sujeitos a decepcionar e ficarmos decepcionados; ambos encontram cura e alívio nas santas mãos que ainda carregam as marcas do nosso perdão!