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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Os Que Vencem Ao Fracassar




Em tempos de teologia da prosperidade, dos “mais que vencedores”, daqueles que decretam e “deus” faz, dos que não adoecem, não se deprimem, comem das “iguarias da terra” e desfrutam do “melhor” que lhes está “reservado”, eu confesso: sou um derrotado!


Provavelmente não há esperança para mim... Existo em meio a contradições, minha alma está dividida, estou em “milhares de carros, eu estou ao meio”. A grande maioria dos meus sonhos nunca se cumpriu, boa parte dos projetos que idealizei deu em nada, já trabalhei sem ter resultados, me senti por vezes como Sansão, rodando a grande roda de moinho da vida sem sair do lugar.

Mesmo dizendo para mim mesmo que “tudo posso naquele que me fortalece”, continuo sentindo medo. Há “fantasmas” percorrendo as ruas sombrias da minha alma, lembranças que me atormentam, “vozes” que me assustam. Não raro sinto um aperto no coração, falta de ar, falta de espaço, falta de chão! Eu bem que queria ser daqueles que nunca retrocedem, que derrotam os “gigantes” e jamais caem na “batalha”, mas a verdade é que sou frágil, me canso, me desmotivo, sou como um qualquer, sou genérico, ainda que desejasse ser singular...


Como disse o Lulu Santos em sua canção, “já não tenho dedos pra contar de quantos barrancos despenquei, e quantas pedras me atiraram, ou quantas atirei”. Já me meti em muitas enrascadas, fiz escolhas desastrosas, perdi tempo, perdi dinheiro, perdi amigos, perdi vida, essa coisa preciosa que não se pode recuperar, vida que escorreu pelos meus dedos, seiva que se foi como um rio pelo esgoto do cotidiano.


Na verdade, “eu não sou um homem; sou um campo de batalhas” como afirmou Nietzsche. Dentro de mim há fogo, dores, desencontros e paradoxos. Estou em “guerra” contra Deus, contra o meu semelhante, contra mim mesmo. Luto para saber quem sou, por que sou, de onde vim, para onde vou? Por vezes eu tenho as respostas, já em outros momentos sinto-me suspenso, dependurado sob a navalha da verdade, encurralado entre a razão e a fé, entre o real e o intangível.


Mais há uma fagulha em mim que teima em não apagar. Mesmo reconhecendo que perdi muitas coisas, nunca se extinguiu a paixão que sinto por Deus. Ainda que eu esteja neste atoleiro existencial, onde não se vai nem para frente nem para trás, continuo crendo, pois existir é absurdo, é contra-fluxo, é contra-mão.


Eis, então, surge a “dialética de Paulo”: “de todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos”. Talvez lhe pareça o coro dos insensatos, mas não é. É paradoxo, é mistério, é, sem dúvida alguma, incompreensível tentar compreender com as lentes da razão aquilo que só pode ser discernido pelo coração.


Talvez seja por isso que eu continuo, insisto, não desisto. Há dias que estou de pé e outros nos quais me arrasto pelo chão gelado do inimaginável. Vou, como diz Che Guevara, “derrota após derrota até a vitória final”. Faço como me ensina a Escritura, “diga o fraco: eu sou forte”.


E quem foi que disse que só se vence quando se ganha? Que nada! Muito pelo contrário, há vitórias que só podem ser atingidas quando se é “derrotado”, pois é “morrendo que se vive para a vida eterna”! E aqui eu lhe afirmo: existe, sim, aqueles que só vencem ao fracassar, os que abriram mão de ser qualquer coisa que não seja em Deus.


Num mundo feito apenas para os “campeões”, prefiro ser perdedor. E se você quiser saber o que é derrota, eu vou lhe dizer, nas palavras de Martha Medeiros: “derrota é quando a gente ganha dos outros, mas desiste de si mesmo”. A bem da verdade, já desisti de mim muitas vezes, e só continuo por aqui porque “Ele” jamais desistiu...


By Carlos Moreira (co-editor do blog Genizah)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Me Pala Bas


Sempre que existe algum de tipo de situação ou alguém com falta do chamado desconfiômetro logo se entende que a pessoa ou a situação em questão não captou bem a mensagem do ditado popular que diz: “Para um bom entendedor...”. Na realidade, entender o ser humano e seus desdobramentos resultando nas conhecidas situações chamadas “mancadas” ou “desaforo” não é lá uma tarefa para heróis. Essa é uma tarefa para gente normal que entende as discordâncias e incoerências humanas. Mas se alguém insiste no auxílio de m herói, que ele seja então um de nós, não um alienígena com super poderes.

Ao mesmo tempo, o homem é e também não é; pensa e ao mesmo tempo não pensa; entrega-se e se abre emocionalmente para alguém ou para algo e ao mesmo tempo se fecha e se torna alguém amargurado. É um poço de decisões indecisas e é a melhor de todas as criaturas, pelo menos para os otimistas.

É um milagre se você encontrar um bom entendedor hoje em dia. Diante de tanta correria e de tanto stress, ser um bom entendedor é um desafio, muito mais que uma virtude. Entender o outro requer colocar a si mesmo no lugar do outro. Quem está querendo isso hoje? Quem é o herói que se põe no lugar do outro e compreende seus medos e suas inseguranças? Na cultura atual reza-se muito mais pela valorização pessoal do que pela valorização coletiva. Eu posso até amar o outro, desde que ele ou ela me ame primeiro; eu até penso em perdoar, desde que a pessoa venha e se ponha de joelhos diante da minha presença e peça perdão aos prantos e berros.

Pedimos por bons entendedores, mas ninguém se habilita. Aliás, temos alguns dentro dos consultórios terapêuticos que aceitaram o desafio, mas há uma ajuda de custo para este fim. Diante de um quadro tão desesperador, quem poderia nos ajudar? Claro que não seria o Chapolin, apesar de ser uma opção a se considerar, mas deveria ser alguém real, alguém que fosse humano e que entendesse os sofrimentos e as alegrias de todos nós sem jogar nada na nossa cara depois.

Precisávamos de um Redentor, mas também de alguém que nos ensinasse a ser gente melhor, a sermos amigos melhores, a sermos pessoas mais próximas do ideal e uma das outras sendo esse alguém, ou seja, mostrando que é possível entender ser compreendido, mesmo que não fosse unânime. Aliás, esse humano perfeito não deveria buscar unanimidade, e sim buscar faíscas humanas no ser humano e lembrar esse humano que não existe nada melhor do que ser apenas humano. Sabemos que o processo é longo e não poucas vezes doloroso, mas é na dor de parto que um ser novo começa a viver fora do útero.

Para um bom entendedor, na verdade, não é preciso palavra alguma, e só houve um Entendedor que nem precisou só das palavras; Suas ações gritaram pelos becos e favelas, pelos prédios e pelos condomínios, pelos templos e pelos montes. Na cruz, meias palavras foram um meio para transmitir verdades inteiras atingindo entendedores recém-nascidos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A (In)Diferença Cristã


Não precisamos derrotar nossos medos, basta lutar contra eles. Não precisamos tratar o pecado e o pecador com uma pseudo justiça e uma falsa moralidade, apenas enfrente as dificuldades humanas de forma honesta e curadora. O grande problema é que não estamos dispostos a lutar por mais nada. Lutar contra o pecado é lutar por seres humanos melhores e sem máscaras. O que mais se tem é gente querendo esconder o que não deve ser escondido. É o mesmo que ir ao médico e não dizer os sintomas, ou mentir dizendo que não está sentindo nada.

A grande diferença cristã nesse mundo maluco de incoerências é não criar diferença nenhuma. O problema é que criamos um gueto onde só se entra ou só se sai seguindo alguns rituais ou dogmas produzidos ao longo da história, ou vestindo determinados tipos de roupas, ou tendo um penteado caracterizado, ou falando uma língua “evangeliquês”, tudo se resumindo a usos e costumes.

O cristão é um ser humano como qualquer outro, mas que tomou a decisão de lutar contra seus desejos ao invés de cruzar os braços e deixar que a vida o levasse para qualquer lugar ou situação. O cristão não se preocupa em ganhar ou perder, ele se preocupa em entrar na briga. A vitória é dada àquele que se dispõe a enfrentar as filosofias e os comportamentos que querem transformar o ser humano na pior das criaturas divinas, sendo que Deus quando cria o homem diz que é muito bom. Portanto, se o Criador diz que sua criação é muito boa, isso significa que um valor divino foi depositado em cada ser humano vivente na Terra. Não há uma pessoa sequer na Terra em que Deus tenha se arrependido de ter criado. A questão é que durante suas vidas, algumas criaturas se acharam no direito de seguir em frente sem a permissão e o cuidado de Deus. Deus, sendo pai bondoso e conhecedor de todos os futuros de todas as histórias, deixa ir, na esperança do retorno de seu filho ao lar.

Combater o bom combate não significa que a pessoa tenha ganhado, apenas que valeu a pena não ter desistido de lutar. É matando um leão por dia, engolindo sapo e dando meia volta onde parecia ser certo prosseguir que o cristão se converte em ser humano. E o ser humano se converte em cristão quando reconhece que só consegue lutar dessa forma através da força, da graça e da presença de Deus.

A Bíblia diz que os tímidos não herdarão o Reino. O Livro não fala da personalidade da pessoa, mas sim da covardia, da timidez diante da escolha a ser tomada. Aqueles que insistem em lutar, aqueles que não abaixam a guarda, aqueles que choram quando não encontram forças, mesmo persistindo o desejo de continuar na batalha, aqueles que de joelhos não cansam de pedir por reforço constante não serão envergonhados, ainda que tombem na terra, serão coroados na eternidade.

O cristão que quer fazer diferença siga essa simples verdade: combata o bom combate, não desista de insistir em acreditar porque Ele está a caminho. Quando Ele chegar, o tempo das batalhas se encerra e o tempo de revelar de que lado lutamos se inicia.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Palhaços, Mendigos e Falsos Profetas


Já na antiga Grécia se falava sobre essas figuras patéticas. Platão, no seu livro A República, os chamava de “mendigos e adivinhos”, gente que manipulava a fé dos gregos nos deuses para fins lucrativos, e ao mesmo tempo a própria população grega os usava para tentar ludibriar ou subornar os deuses com oferendas e sacrifícios. Creio ser de uma indelicadeza de Platão chamar gente tão mesquinha de “mendigos”. Talvez ele tenha pensado que eles estavam “mendigando” honrarias e prêmios.

O tempo passa, o mundo sofre transformações gigantescas, mas percebe-se que o homem continua o mesmo. Suas carências, necessidades e desejos estão presentes em todas as eras e impérios; e junto disso aparecem em cena os famosos aproveitadores que tentam, com algum sucesso, manipular corações atribulados com o fim de glorificar apenas um deus: eles mesmos. Há líderes religiosos na televisão e na rádio, tanto na nossa região como no nosso país e no mundo que dizem servir a Deus, mas são amantes das riquezas. Sua aliança não é com a Cruz, é com o seu e o meu bolso. Enquanto você compra as toalhinhas da cura, recebe os abraços da prosperidade, paga os horários caríssimos do canal de televisão, você é boa gente; se não, você está em pecado e muito provavelmente não tem fé e, portanto não tem a benção de Deus. Ah, faça-me o favor!

Gente desse porte Jesus chama de “falso profeta”. Tudo que eles dizem Deus não mandou dizer. Tudo o que eles profetizam Deus não profetizou. Tudo o que eles pedem Deus não pediu. Tudo o que eles manipulam Deus vai prestar contas. Outro nome dado a eles é de “sepulcros caiados”, ou seja, túmulos bonitos e bem ornamentados por fora, mas por dentro só carregam mau cheiro, carne podre e morte. Se não há vida nesses “profetas”, como podem falar sobre a vida? Como podem ensinar a viver? O que eles ensinam são morte e desesperança. Nada do que podemos fazer, dizem eles, pode acalmar o coração de Deus. Por isso a necessidade de sempre “ofertar” a Deus nosso dinheiro, posses, riquezas, coisas e nunca o coração. Para esses ladrões da alegria e da fé, o coração não basta. Entendam isso: nada do que podemos fazer, ou para mais ou para menos, fará Deus nos amar mais ou menos. Ele nos ama pelo que somos, e não pelo que podemos fazer por Ele ou para Ele. Os manipuladores existem porque tem gente que insiste em manipular a Deus.

Mas ainda restam aqueles que não seguem essa maré. São artistas, palhaços e andarilhos que não se vendem e não compram escravos. Pelo contrário, por onde passam causam um fantástico reboliço na vida da gente trazendo alegria e a experiência da verdadeira liberdade. Palhaços nos avisam todos os dias: “Como a graça de Deus nos faz felizes e seres humanos melhores”. Andarilhos nos lembram como é importante amar as pessoas e usar as coisas e não amar as coisas e usar as pessoas. Os artistas nos fazem imaginar pessoas vivendo em paz, sem disputas religiosas e de poder e nos fazem acreditar que dias melhores ainda podem vir. Esse tipo de gente Deus tem amizade e intimidade. Escutem o que eles têm pra dizer, pode ser que o próprio Deus esteja querendo aumentar o número de amigos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Uma Nova Utopia, Um Convite Urgente


Todo mundo um dia teve vontade de jogar tudo para o alto e recomeçar a vida, mas faltou coragem. Sentia que o casamento não ia bem, os negócios sempre na corda bamba e a gente com a corda no pescoço. O marasmo da vida, a rotina, o mesmismo, todos esses nomes nos assustam e com razão. Lemos os livros de aventuras ou assistimos aos filmes desses livros e sonhamos em ser os aventureiros, os heróis dessas histórias e no final de tudo perguntamos: “Por que isso não acontece comigo?”.

O Cristianismo verdadeiro tem uma proposta que satisfaz esse desejo de todo ser humano que é o desejo de encontrar valor na vida, mais especificamente o seu próprio valor. Mas dentro dessa verdade não se encontra valor próprio sem o outro; sempre o outro tem algo para nos acrescentar. Agora, com isso em mente, precisa-se entender que existe O Outro, ou Aquele que sem o qual não existiria nenhum outro ou nenhuma outra. Ou seja, sem a fonte de tudo o que se conhece e não se conhece nada do que foi feito seria de fato feito.

Cristo é esse Outro que não cabe apenas em idéias e conceitos religiosos. Não cabe em dogmas ou doutrinas. Cristo é revelado em pessoas à Sua imagem e semelhança. A conversão é o movimento do coração e da mente que entende que não somos donos dos nossos narizes, como se diz, mas somos cooperadores, filhos, amigos e dependentes do Outro e de outros também. Alguém que se converte começa a ter a capacidade de encontrar os atributos de Deus em todas as áreas da vida como as artes, entretenimento, esportes e tantos outros. É o início de uma percepção mais santa, mais apurada e divertida.

De fato, o novo assusta. Não estou falando de uma nova religião, mas de uma nova maneira de ver e de viver a vida. Além de assustar, o novo causa preguiça. A gente não quer mudar de vida porque do jeito que está, mesmo sendo a mais chata das situações, todo mundo está assim. Então, pra que mexer com quem está quieto? É cômodo. Mas se isso fosse verdade o racismo continuaria forte nos Estados Unidos, a ditadura e a escravidão ainda reinariam no Brasil e não teríamos nenhuma história bacana pra contar para nossos filhos e netos.

A verdadeira mensagem de Cristo é uma utopia possível. Utopia por ser considerada louca, revolucionária e impossível aos olhos do homem, mas possível porque quem realiza a revolução é Aquele que faz homens considerados poderosos demais se ajoelharem e aqueles que estão de joelhos permanecerem como estão. Ser o novo é fazer o contrário possível.

A maior contradição da história foi personificada em Cristo. Deus que se faz homem ensinando o homem a ser mais humano. E ao fazer isso, o homem de torna mais divino, portanto mais próximo de Deus e cumprindo seu papel de ser Sua imagem e semelhança.

Há duas maneiras de viver a mesma coisa: jogue tudo para o alto como um sinal de desistência e de completo desejo de anarquia e desorganização da vida ou faça a mesma coisa, mas com um desejo apaixonado de reorganizar sua vida e também como um ato sincero de reconhecimento Àquele que faz novas todas as coisas.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Um Dia A Gente Aprende!



A gente nunca sabe como ganhar; e a gente gosta quando ganha; mas a gente nunca vai saber como perder. Perder dói, perder humilha; quando a gente perde é o mesmo sofrimento quando alguém rouba algo de nós, fica uma mistira de revolta com impotência com indignação; é uma mistura violenta.



Quando a gente perde alguém muito querido fica uma sensação de vazio que com o tempo vai se tornando cada vez mais visível. A cadeira vazia no almoço, o quarto vazio, um amontoado de roupas vazias, sem gente para vestí-las. E aquele abraço que não foi dado? A despedida que não aconteceu? Que direito essas pessoas tinham de morrer sem ao menos nos deixar preparados? Queremos e nos preparamos para ganhar. Engraçado, nunca estamos preparados para perder.



Tem dias que eu queria ter uns poderes miraculosos, do tipo que curaria pessoas doentes, faria gente paralítica andar e cegos enxergarem, facilmente diria para um morto sair do caixão e voltar à vida. Mas não tenho esse poder, não tenho essa facilidade que apenas uma pessoa no mundo tem; Deus! E por que Ele não cura? Por que Ele não ressuscita? Por que Ele não tira a dor como se tira uma unha encravada? Há situações em que Ele cura, mas não todas as vezes. A Bíblia diz que Ele não faz acepção de pessoas, mas Ele cura um e não cura o outro. Como assim?



Existem pessoas especiais aqui nessa Terra, não sei se você já percebeu? Essas pessoas têm uma sensibilidade e uma habilidade incrível que é de não perder a esperança! A vida os sacode de uma forma violenta e eles continuam em pé! Deus diz não para elas e mesmo assim continuam crendo que essa resposta é a melhor de todas, mesmo não sendo aquela que elas querem ouvir! É incrível! E quando você é surpreendido com alguma tragédia, é só olhar nos olhos dessas pessoas e uma força sobrenatural, quase divina invade seu coração e dá vontade de continuar tentando até a dor passar! E ela passa!



Mas você percebe de onde essas pessoas tiram suas forças e esperança. Não é de nenhuma filosofia existencial, não é de nenhuma fórmula mágica ou de um livro de segredos. Essa força, esse poder, essa vontade de viver vem de uma fé que não se explica, mas se experimenta todo dia na batalha contra os leões e os gigantes. o importante não é se os leões serão mortos ou os gigantes derrubados, mas sim o fato de que jamais essas pessoas desistem de lutar, mesmo que dê vontade de parar!



O importante não é se a gente ganha ou perde, mas se a gente insiste em lutar ou não! O luto um dia bate na nossa porta, e aí? Um dia a doença nos surpreende, e aí? Uma dia a gente perde, e aí? É aí que a gente mostra em quem a gente acredita, se no "Não" que o mundo diz ou no "Continue, estou com você" de Deus. Mesmo que pareça que Ele não está nem aí para os seus sentimentos, Ele se preocupa! Existem derrotas que nos assombram a vida toda, mas isso não significa que a guerra está perdida. Mesmo caminhando em dor, somos mais que vencedores.

domingo, 31 de outubro de 2010

Arte e Artistas!


Quem nunca escutou a seguinte frase: “Você que é crente peca quando escuta música do mundo”? Eu escutei diversas vezes, inclusive já fui disciplinado porque fui a um show de música popular. “Onde já se viu”, me perguntavam, “um crente como você ir a esses encontros mundanos?”. Eu sou de onde? Desse mundo ou de Plutão? Será que minha mãe na verdade pertencia a uma comunidade de ETs que habitavam um dos anéis de Saturno e meu pai é um foragido da justiça da constelação de Antares? Claro que não. Bem, é claro que nem tudo que se canta e toca por aí é de boa qualidade, tem boa fama ou causa algum bem, mas não podemos também dizer que tudo que está aí é do capeta! Aliás, meus caros, muita coisa dita como “gospel” está mais para “bostel”!


Dias atrás mesmo fiquei meio que perdido quando escutei uma música, um funk, que dizia a seguinte frase: “Vou te comer!”. Não sei se era a dança do lobo mau, mas fiquei meio que escandalizado! Quer dizer que as cinco velocidades do famoso “créu” perderam força e agora o negócio é “comer” mesmo! Djavan que me desculpe, mas o “por dentro eu te devoro” de sua linda poesia está ficando muito tradicional! Chega de hinos poéticos, vamos entrar no “côro”!


Não precisamos ir longe. Nossas músicas, algumas, perderam seu verdadeiro valor de transmitir mensagens que fazem o nosso coração descansar, que fazem nossos olhos enxergarem esperança. Agora o negócio é ir “para esquerda, para direita, para frente e para trás”. Declarar que o Senhor é “Soberano sobre a terra, sobre os céus Tu és Senhor absoluto” é coisa do passado. É mais fácil dizer que “eu vou subir” muitas e muitas vezes até que eu entre em estado de Nirvana e suba mesmo!


Por outro lado, também não curto muito esse negócio bairrista de que só a música do cantor tal é que presta! Fica uma guerrinha de quem é melhor, de quem é mais poeta, de quem é mais. Esses Jihads da música gospel é que estragam com o verdadeiro sentido da música, que é comunicar as belezas do Senhor. Tem gente que entende o evangelho quando escuta Diante do Trono e tem gente que entende o evangelho escutando Stênio Marcius; claro que não há comparação entre eles. Lógico, são propostas diferentes, mas carregam dentro de si a vontade de cantar aquilo que acreditam!


Dizer que esse cantor ou aquela cantora não é de Deus passa a ser acusação séria. Ninguém que é humano pode chamar para si a responsabilidade de julgar quem quer que seja, pois a cadeira de Juiz já tem dono e está ocupada antes mesmo de existir mundo!


Meu convite é que aprendamos a curtir melhor a arte que Deus permite que seres humanos, abençoados com sua graça comum, acabam criando de uma forma belíssima. As artes estão aí para serem instrumentos de benção e de manifestações da presença de Deus aqui na Terra! Sejamos mais artistas, mais palhaços, mais malabaristas, mais compositores, mais poetas, e menos chatos, pelo amor de Deus!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

As Senhoras Primeiro


Enoja-me a forma como algumas coisas no meio cristão são tratadas! Parece muito simples dizer que é contra o aborto, muito fácil dizer que é contra isso ou aquilo. Dá a impressão que somos aquilo que somos contra. A identidade do cristão é determinada por aquilo que ele é contra! Se for contra o aborto, é cristão. Se for contra a prostituição, é cristão. Se for contra o divórcio, é cristão! Tudo muito taxativo, tudo muito certinho, tudo muito chato!

Engraçado como Cristo tratava certos grupos considerados impuros pela sociedade e religiosidade judaicas. Um de Seus discípulos que posteriormente escreve um dos Evangelhos era um cobrador de impostos; Ele curou o servo de um centurião romano, dizendo inclusive que não havia fé semelhante em Israel comparada com a do centurião; disse para andarmos não uma, mas duas milhas com nosso inimigo, ou seja, quantas forem necessárias; come na casa do chefe da coletoria Zaqueu; faz amizade com gente que não era considerada muito certinha, pois comia e bebia com eles, sinal de amizade e intimidade; honra mulheres que antes eram humilhadas e apedrejadas.

As desigualdades sociais e as suas conseqüências são de responsabilidade de todos nós. É muito fácil criticarmos as Paradas Gays e continuarmos a jogar pedras nos homossexuais com a prerrogativa de que estamos com a verdade. Gente, os militantes xiitas do Oriente Médio fazem isso melhor do que nós!

E a prostituição, então? Engraçado que Cristo recebe a adoração de uma prostituta, perdoa e liberta aquela mulher para uma vida de verdade! É recebida pelo Cristo como uma princesa, é tratada como uma filha que volta pra pedir desculpas para o pai depois de uma desobediência e sai dali com a certeza de que acabou de conversar com seu irmão mais velho, aquele que cuida dos passos da irmã mais nova!

Deveríamos repensar nossa maneira de tratar os seres humanos a partir do modelo comportamental de Jesus! Nosso Senhor nunca desprezou e nunca desamparou ninguém, nuca taxou ninguém disso ou daquilo, mas sim exerceu atitudes que mudaram e transformaram vidas, emoções, transformaram o cotidiano daquelas pessoas. Cristo apresentou o verdadeiro Deus e fez com que pessoas, antes enxotadas pela religiosidade, fossem recebidas como reis e rainhas do Paraíso! Se devemos ser como Cristo foi, esse é um bom começo!

Um tanto intrigante é o fato de Cristo dizer que meretrizes entrariam antes no Reino dos Céus! É uma frase forte hoje, e foi uma frase forte para quem a escutou pela primeira vez lá em Israel, mas o fato não é a frase em si, mas quem a disse. Então, desde já vamos nos preparar, senhores pastores, apóstolos, bispos, líderes de louvor, famosos da fé; quando formos entrar pela porta eterna sejamos no mínimo educados e digamos às nossas irmãs: a senhora primeiro!

A Voz de Alguém


Dizem que a voz do povo é a voz de Deus. Não sei até onde isso é verdade, até onde Deus pode mesmo usar da voz do povo para falar alguma coisa. Mas o que sei e o que vi nesses poucos anos de vida é que nem sempre Deus está ecoando a voz do povo. Porém me ocorre que numa passagem específica das Escrituras Sagradas fica essa grande pergunta. Que voz condenou a Cristo à cruz? Seria a voz do povo ou a voz de Deus?

Numa eleição onde o universo inteiro estava envolvido, tínhamos de um lado o candidato do mundo; Barrabás, e do outro havia o candidato para o mundo; o próprio Cristo! Um representava a vontade soberana dos homens, o desejo de ser independente, o anseio de se ver livre de qualquer Deus humano. O Outro representava o interesse soberano do único Soberano, a vontade de ver Sua criatura livre do desejo de querer ser Deus, o desejo de libertar de uma vez por todas a Sua obra-prima de qualquer estereótipo pseudo santo ou pseudo religioso. A multidão fez a sua escolha. Mas qual seria a escolha?

Eles deveriam escolher aquele que sairia livre, sem culpa, perdoado de seus crimes. Aquele que ficasse estaria fadado à cruz e ao sofrimento que a crucificação acarretava. Em certo sentido, a multidão foi sim a voz de Deus. Deus escolheu que o homem fosse livre de sua culpa e de seu sofrimento e escolheu sofrer a vergonha do madeiro. A multidão mais uma vez foi um instrumento imperfeito nas mãos do Perfeito!

Há certos movimentos na nossa vida que a gente não entende e quando a gente força para entender parece que o sofrimento é dobrado. Há escolhas que a gente faz que, muitas vezes, não mostram nenhum resultado aparente. O fato de Cristo ter sido escolhido pelo povo não foi porque eles sabiam que a profecia precisava se cumprir e que o Cordeiro de Deus precisava ser sacrificado; eles queriam na verdade romper com esse Cristo atrevido, enxerido que veio da cidadezinha de Nazaré achando que era filho de Deus. As palavras de Jesus incomodavam a religiosidade e os interesses dos líderes. Eles não queriam a salvação; queriam a morte Daquele que prometia vida eterna!

Mas o tiro saiu pela culatra! Mesmo o mundo não querendo a salvação, negando até o último minuto o desejo de liberdade, Deus concedeu salvação de graça com graça. Mal sabia o povo que dizendo: “Crucifica-o” para Pilatos acerca de Jesus, ele estava dizendo sem saber que reconheciam o fato daquele Galileu Nazareno, filho de carpinteiro ser o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E tirou mesmo!

A história mostra que o pedido de morte partiu da multidão, mas a história também mostra que a infecção da humanidade pela vida partiu do próprio Deus antes mesmo da existência do universo. Se a voz do povo é a voz de Deus eu não sei. Só sei de uma coisa. Quando o povo saiu para crucificar o nosso Rei, quando saiu para zombá-lO e para maltratá-lO, Deus já havia dito que a salvação havia chegado e que era tempo de se alegrar.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Freedom - A Gente Só Quer Ser Livre!


Sabe quando acontecem aquelas coisas que a gente custa esquecer por serem muito especiais? Pois é, uma dessas coisas especiais aconteceu nos dias 14 e 15 de Maio na Igreja Presbiteriana Central de Presidente Prudente. O 2° Congresso para Jovens e Adolescentes do Oeste Paulista com o tema "Freedom” que, traduzido do inglês, significa liberdade, foi aquilo que podemos chamar de sucesso.

Algumas coisas transformam um evento em um marco e esse congresso acabou sendo um marco na vida daqueles que participaram desde a noite de sexta-feira até a noite de sábado. Os preletores que estiveram conosco foram o Pr. Fabinho Mendes, missionário da missão Jovens da Verdade e Sérgio Pavarini, jornalista e blogueiro.

Na sexta à noite rolou a abertura do congresso com a galera da Igreja Nova Jerusalém à frente do louvor e a mensagem ficou com o Pr. Fabinho. Já na abertura era fácil entender o propósito do evento que tinha como principal objetivo fazer a galera entender o real significado de ser livre. Primeiro porque não houve em nenhum momento a mínima citação das placas denominacionais; o evento priorizou pessoas. Em segundo lugar, percebia-se que era possível ser um jovem cristão sem ser chato, era possível ser santo sem ser escravo da religião. Foi possível ser crente e gente ao mesmo tempo!

Já no sábado durante a tarde houve um bate papo com Sérgio Pavarini que desafiou a galera a aceitar o desafio de também entregar a Deus o nosso cérebro, nossa inteligência, nosso senso crítico. Em sua palestra, Pavarini contrastou aquilo que se oferece na mídia com o nome de “evangélico” e aquilo que carrega em si o significado e essência do evangelho, ou seja, ainda há vida inteligente na igreja, graças a Deus!

O congresso teve seu clímax no Via Satélite. É uma programação que sai um pouco da formatação que a gente conhece de boas-vindas/louvor/avisos/mensagem e oração final! Aliás, é uma programação que não critica a atual formatação, ela ajuda a melhorar aquilo que já conhecemos. O Via Satélite tem como característica a interatividade. Todos tem sua chance de participar, de questionar o que está sendo dito, de dizer o que pensa e todos são colocados no mesmo nível de importância.

A igreja estava cheia em pleno sábado à noite. Pavarini foi um dos nossos entrevistados, bem como dois jovens da platéia onde eles tiveram a oportunidade de se expressarem. O resultado foi além das nossas expectativas e “aí sim, fomos surpreendidos novamente”.

Aconteceram muito mais coisas, mas elas não cabem aqui no papel, elas serão levadas na mente e no coração daqueles que idealizaram, organizaram, ajudaram e participaram desse memorável evento! Pode até ter alguns que não tenham gostado de alguma coisa do que rolou, e isso é válido, é justo, tem tudo a ver com o evento, essa é a idéia, somos livres para achar o que quiser e não ser recriminado ou rechaçado por isso, muito pelo contrário, algumas das características da liberdade são a tolerância e a compreensão. Pra encerrar o que temos a dizer é somente “muito obrigado” a Deus e a todos.

terça-feira, 16 de março de 2010

Só Mais Uma Chance!


Muitos perderam a esperança! Eu sei que essa frase é forte, mas é o que vejo no olhar de cada pessoa com quem converso; na voz de cada ser humano que assiste à televisão e que lê os jornais. A impressão que se tem é que a deteriorização do ser humano se acentua cada dia mais, parece que as pessoas estão morrendo sem saber por quê. Famílias sofrem com a falta de justiça enquanto outros celebram a impunidade.

Esse texto é mais um desabafo do que propriamente um ensaio ou artigo. Quando a gente olha ao redor, a gente fica com medo de confiar em alguém. Não por maldade, mas por causa dela que a gente chegou ao ponto que está. É tanto descontrole, tanta confusão que muitas vezes a gente briga simplesmente por brigar, mas na verdade foi sem querer. Dá a impressão que temos os mesmos comportamentos de quem está viciado em alguma droga, e nesse caso a droga é a indiferença!

A falta de fé leva à falta de esperança que nos leva ao fim dos sonhos e das expectativas de um presente um pouquinho mais sossegado e mais amigável. Muitas pessoas me dizem que talvez Deus tenha nos abandonado, tirado umas férias, ou talvez perdido as rédeas do controle mundial, ou pior, talvez Deus esteja cometendo Seus primeiros erros.

Eu acredito que Deus está nos presenteando com um momento histórico! Um momento onde podemos mostrar a nossa cara e viver a revolução do evangelho de forma radical onde não haja lugar para hipocrisias e nem para falsos moralismos, mas que tenha lugar para o perdão e para o olho no olho.

Martin Luther King Jr disse em um dos seus discursos uma frase que ficou ecoando nos corações de muita gente por muitos anos. A frase é: “Eu tenho um sonho hoje”! Muita gente mesmo sonhou com dias melhores, sonhou com aquele reencontro, com aquela conversa que tanto foi planejada, sonhou com o fim de tanta coisa ruim. Muitos não viram seus sonhos serem realizados, mas nunca deixaram de acreditar! E isso que os faziam viver cada minuto, cada segundo, cada fôlego, cada abraço, cada toque.

Para muitos não é a realização do sonho que conta, mas simplesmente saber que tudo aquilo é verdade! Não foram os discursos bonitos, nem as pregações criativas; que são importantes; mas a verdade nos olhos, o suor do rosto, a lágrima solitária é que dão o tom de vida naquilo que aparentava ser apenas mais um discurso, mais uma pregação, mais um monólogo monótono.

A cura para o que vivemos hoje não está somente no entendimento da situação. Todo mundo sabe como o mundo está, como nós estamos, como temos agido, como temos pensado; a gente sabe! A cura está no processo de trazer o conhecimento de tudo o que temos ouvido e aprendido para dentro do coração, gerando curas, reconciliações, paz para nós mesmos e, como conseqüência, para outros. É onde Deus escolheu para habitar, é onde Deus escolheu para ser Seu templo; o nosso coração. Portanto, permita que essa esperança, esse sonho, essa loucura que faz brotar vida em terreno seco tenha mais uma chance de florescer!

terça-feira, 2 de março de 2010

Eu Acredito em Fadas!


Os contos de fadas sempre estiveram na nossa cultura e no nosso cotidiano, embelezando e trazendo uma atmosfera de magia e realidade como poucos conseguem. Nos dias atuais, onde impera a violência, a impunidade, a falta de fé, os contos de fadas nos ajudam a ver que nossa vida seria bem melhor se fôssemos “como criança”.

Em todos os contos que eu já li e também nos livros que tratam desse assunto, por exemplo, o livro que acabei de ler e recomendo de olhos fechados Era Uma Vez: Os Valores Cristãos nos Contos de Fada; percebo claramente valores morais sendo ensinados às crianças através da personificação de personagens como fadas, duendes, anões, seres alados, piratas, magos e até mesmo animais que falam.

Contos antes muito criticados e ditos como fruto do inferno são na verdade percepções de mentes criativas e geniais que nos ensinam e fortalecem nossa fé no impossível e nos finais felizes. Atitudes como pensamentos bons que nos fazem voar, demonstrações de amor que despertam do sono mortal as princesas, dar mais importância aos valores pessoais do que às aparências de feras, descobrir que vale a pena sonhar, imaginar, ter fé!

Estou meio cansado dos discursos nos púlpitos. Chamo de discursos porque não chamo de sermão o que ouço hoje em muitas igrejas. São discursos monótonos, sem vida, sem paixão, sem criatividade, sem imaginação e cheios de pompa que nada acrescentam à nossa esperança e fé. Ultimamente tenho me edificado lendo contos de fadas e me fortalecendo na esperança da cidade celestial através dessas histórias. Faço viagens onde crio pontes ligando a Bíblia e a Terra do Nunca, aproximando o Evangelho e o reino de Nárnia, entendo a Bela e a Fera a partir da história de Davi e Saul, isso só pra começar a voar!

Quero deixar aqui um incentivo a imaginar. Deixe-a florescer, permita que Deus use esse dom maravilhoso de criar que Ele mesmo colocou em nós quando nos criou para trazer vida, esperança e fé através da Palavra d’Ele. Jesus usava de parábolas, de contos do cotidiano para levar significado ao Evangelho que Ele estava anunciando. Tem até uma história da Bíblia onde Deus fez uma mula falar.

Na historia de Peter Pan, uma das minhas favoritas, se diz que todas as vezes em que alguém diz: “Eu não acredito em fadas” em algum lugar uma fada cai morta, ou seja, quando se perde a esperança a fé de alguém morre; quando se perde o amor, alguém morre; quando se perde o respeito, alguém morre; quando a gente se perde, a gente morre. Para a fada ressuscitar é preciso dizer que se acredita em fadas e bater palmas, bater bem forte. Para que a fé não morra, para que a esperança não morra, para que o amor jamais acabe, eu bato palmas e grito repetidas vezes: Eu acredito em fadas!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Deus Está no BBB!


É isso mesmo que você acabou de ler! Para mim, Deus sempre esteve no Big Brother Brasil. Apesar da idéia do jogo e de todas as tramas e brigas que acabam acontecendo por conta de tanto dinheiro, seres humanos nos dão uma demonstração incrível que muitas vezes o jogo pela busca do dinheiro é confundido com o jogo pela busca de vida.

Acabamos criticando determinadas situações do cotidiano dos participantes do BBB e nos deparamos com as mesmas situações, mas agora sendo cometidas por nós. Intrigas, fofocas, paqueras, a tensão entre amor e ódio nos relacionamentos, discussões; gente lidando com gente. A única diferença é que nem todos nos assistem e, assim, não enfrentamos os “paredões”. E se enfrentássemos, talvez fossemos sumariamente eliminados.

Deus está no BBB primordialmente porque Ele está em todos os lugares. Ele está essencialmente inteiro, não em partes, não para julgar e nem mesmo para condenar, mas está lá para também ser visto através de manifestações de Sua imagem e semelhança nos seres humanos que ali estão confinados. Os participantes conseguem enganar até certa altura do jogo, mas há momentos de tensão em que os sentimentos se afloram, o humano se revela superior ao jogador. E é exatamente aí que Deus mostra sua cara.

Perceba no dia da eliminação. Há uma mistura de choro e riso totalmente maluca. O que sai, sai chorando porque perdeu a grana, mas sai rindo porque está morrendo de saudade das pessoas aqui fora. Acontece a mesma coisa com aqueles que permanecem. Estão rindo e ao mesmo tempo sentindo muito pela saída de um amigo. Há outras ocasiões em que o eliminado é enxotado com gosto. Todo mundo gosta da saída daquele que armava, confundia e enganava.

Veja como esse jogo nada mais é do que um retrato daquilo que somos e esperamos. Torcemos pelo bom, pelo injustiçado, pelo valente mesmo em meio a muita conspiração e dificuldade. Esperamos pela eliminação do fofoqueiro, do falso, do chato. Parece um conto de fadas, uma novela, onde no fim o bem acaba vencendo.

Isso mostra que queremos que o chato, o fofoqueiro, o monstro que está confinado em nós seja eliminado o mais rápido possível, e isso é projetado no participante que é eliminado. Mas Deus está no BBB mostrando outra realidade.

No BBB a maioria é eliminada e um jogador apenas ganha. Com Deus no jogo, todos vão para o paredão, merecem ser eliminados porque são enganadores, fofoqueiros e chatos, mas Deus nos ensina a nos enxergar diferentemente a partir daquele que decidiu ser eliminado em nosso lugar: Jesus.

O Único Desafio!


Não havia entendido muito bem a passagem bíblica acerca dos últimos dias onde em um discurso profético Cristo afirma que o amor de muitos se esfriaria. Meu coração ficava angustiado com essa palavra pesada. Até que um belo dia, dando uma nova lida mais atenta no texto, eu percebi que Cristo não dá um diagnóstico trágico apenas, mas um desafio de não se deixar abalar pela realidade trágica eu o mundo já hoje enfrenta. O texto diz que aqueles que se manterem fiéis a Deus, que é amor, sairão vencedores.


Quando Deus nos criou, diz o texto sagrado no livro do Gênesis, Ele nos fez à Sua imagem e semelhança, isto é, a essência de Deus foi passada a nós. Somos as únicas criaturas que se relacionam com o Criador, pois somos Seus semelhantes. Outro texto diz que Deus é amor, portanto a imagem de Deus, a essência de Deus, que é o amor, foi passada a nós. Quando deixamos de amar, deixamos de ser humanos, deixamos de ser criaturas de Deus, deixamos de ser filhos de Deus, e por isso pecamos!


O pecado por definição é errar o alvo. Por muitas vezes achamos que errar o alvo significa desobedecer a Deus, desonrar a Deus e outras coisas relacionadas a Deus. Tudo isso é verdade, fazem parte do significado, mas não é a causa principal, não exprime o real significado. O alvo nesse sentido é a humanidade, tendo como coluna vertebral o amor. Quando nos esquecemos disso, tudo se perde. Esse entendimento levou Paulo escrever o texto clássico da Primeira carta aos Coríntios no capítulo 13.


O homem pecou porque quis ser igual a Deus, sendo que ele mesmo já era semelhança do Eterno. A desobediência e todas as outras coisas são apenas desdobramentos dessa vontade louca do homem de controlar as coisas, de ser dono das pessoas, das coisas, do mundo. Hoje se fala em sucesso, em prosperidade, em dinheiro com a fachada de que isso revelaria benção de Deus na vida, mas isso é um engano. Dinheiro, se não for colocado no lugar de servo, acaba sendo senhor e dando a falsa sensação ao seu escravo de que ele tem poder. Olha a serpente atacando de novo!


O controle não é só no dinheiro, mas principalmente nos relacionamentos interpessoais. Marido que quer mandar na esposa, e vice-versa. Amigos que querem controlar outros amigos, gente querendo controlar gente, e nada de amor nesse papo.


Os vírus da indiferença, do controle, do poder, da manipulação entraram na igreja porque entraram primeiro no homem e estarão lá até que sejam extirpados pelo poder do amor. O único desafio que Cristo nos deixou nessa Terra como demonstração de que Ele existe de fato e que abalará o mundo em todas as suas estruturas é que nos amemos uns aos outros, ainda que não haja simpatia. Amor é uma decisão permeada por sentimentos cativos à graça de Deus. Que o mundo veja e conheça a Cristo não pelas marchas nas avenidas, mas pelo desafio constante de que ainda vale a pena amar.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Quando Igreja Não É "Igreja"!


Igreja tem que ser coisa de gente de Deus, de gente livre, de gente sem medo, de gente que anda e vive, que deixa viver, que crê sempre no amor de Deus; e sobretudo, é algo para gente que confia, que entrega, que não deseja controlar nada; e que sabe que não sabe, mas que sabe que Deus sabe...

Somente gente com esse espírito pode ser parte sadia de uma igreja local, por exemplo. Entretanto, para que as pessoas sejam assim seus pastores precisam ser assim.

Se o pastor é assim, tudo ficará assim. Ou, então, o tal pastor não emprestará a sua vida para o que não seja vida, e assim, bem-aventuradamente deixará tal lugar de prisão disfarçada de amor fraterno.

Em igreja há problemas...

É claro... Afinal, tem gente!

Mas nenhum problema humano tem que ser um escândalo para a verdadeira igreja de gente boa de Deus.

Numa igreja de Deus ninguém tem que ser humilhado..., adúlteros não tem que ser “apresentados” ao público..., ladrões são ajudados a não mais roubarem...,corruptos são tratados como Jesus tratou a Zaqueu..., e hipócritas são igualmente tratados como Jesus tratou aos hipócritas...; ou seja: com silencio que passa..., mas, ao mesmo tempo, não abre espaço...

Na igreja de gente boa de Deus fica quem quer e até quando deseje... E quem não estiver contente não precisa ser taxado de rebelde e nem de insubordinado... Ele é livre para discordar e sair... Sair em paz. Sem maldições e sem ameaças; aliás, pode sair sem assunto mesmo...

Na verdadeira igreja não há auditores, há amigos.

Nela também toda angustia humana é tratada em sigilo e paz.

Igreja é um problema?...Sinceramente não acho...Pelo menos quando a igreja é assim, de gente, para gente, liderada por gente, com o propósito de fazer de toda gente um humano maduro — então, creia: não há problemas nunca, pois, os problemas em tal caso nada mais são do que situações normais da vida, como gripe, febre ou qualquer outra coisa, que só não dá em poste de ferro...

Tudo o que aqui digo decorre de minha experiência...

Não é teoria... Pode ser assim em todo lugar...

Mas depende de quem seja o pastor...

E mais: se o povo já estiver viciado demais nem sempre tem jeito...

Entretanto, se alguém decide começar algo do zero, então, saiba: caso você seja gente boa de Deus, e que trate todos como gostaria de ser tratado..., não haverá nada que não seja normal, pois, até as maiores anormalidades são normais quando a mente do Evangelho em nós descomplicou a vida.

Pense nisso!...

Nele,

Caio

Por Caio Fábio

Acompanhe mais textos desse fera no site dele: http://www.caiofabio.com/2009/

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A Fé Que Nos Faz Viver!


Acredito que a fé, além da esperança e da confiança em Deus, é o elemento principal para tomarmos as decisões mais importantes da nossa vida. Na fé é onde todas as demais coisas se encontram e tomam forma e significado. É na fé que acreditamos nos milagres e em dias melhores para nossos entes, amigos e para nós mesmos.

Mas e quando essa fé se esvai? E quando essa fé se torna menor que o grão de areia e menos eficaz que qualquer crença? O que fazer quando nos encontramos em situações onde nossa fé se tornou não mais do que uma lembrança boa de uma época dourada onde os impossíveis poderiam acontecer, onde sonhos poderiam se realizar, onde a esperança de fato nunca poderia morrer?

Há momentos que nossa fé literalmente se congela, estaciona-se num ponto e não anda nem pra frente e nem pra trás; ela simplesmente se finge de morta e fica deitada naquele berço esplêndido chamado religião. Achamos que se estamos freqüentando a igreja, realizando os trabalhos da comunidade, devolvendo o dízimo ou fazendo qualquer outra coisa relacionada à vida institucional eclesiástica, nossa fé está intacta ou inatingível. Ledo engano nosso!

Existem pessoas que estão na igreja, dentro dos nossos salões de culto e estão completamente vazias por dentro, e não por uma razão de abandono, mas pelo simples fato de que elas não estão conseguindo abrir os olhos, não estão conseguindo levantar as mãos, não estão conseguindo pronunciar uma única palavra durante uma oração, só se ouve um murmurar de ruídos que expressam uma agonia e um desespero de querer encontrar onde foi parar aquela fé que tanto se fala. A angústia substitui a alegria de servir a Deus e um sentimento de culpa nos invade de tal forma que não mais sabemos se estamos pecando, se estamos salvos, se estamos vivendo.

A fé que aprendemos em alguns lugares é para seres extraterrestres, não para seres humanos que sentem, sofrem, seres que são tentados o tempo todo e puxados constantemente para as práticas e paixões humanas. Não ouvimos falar de fé para os deprimidos, para aqueles atacados pelo pânico, para os doentes emocionais. Não! A fé só cabe em lugares onde os semideuses estão, onde os Hércules e os Aquiles espirituais freqüentam.

A Bíblia nos mostra pessoas comuns que conseguiram vencer situações onde muitas vezes pensamos que nunca poderíamos vencer. Esquecemos que todos aqueles personagens bíblicos, exceto nosso Senhor, eram essencialmente humanos e falhos. O que eles fizeram e que foi a grande diferença é que, apesar de estarem pequenos, fracos, despedaçados, quase que moribundos na fé, quase desistindo de tudo e desejando intimamente a morte para si, eles lembraram que ainda havia Alguém que pode tirar a pedra e nos chamar para fora. Poderemos nos esquecer de Cristo, mas Ele jamais vai se esquecer de nós.

A fé genuína é aquela que mesmo fraca, congelada, quase morta, sabe que uma hora dessa nosso nome a gente vai ouvir e por causa Dele, só Dele, sairemos de onde parecia ser nosso último estágio e nos leva para ficarmos do lado Daquele que faz a vida valer a pena.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

No Vale da Sombra e da Morte!


Há momentos da vida onde nos encontramos na escuridão. E esses dias não são tão legais quanto aparecem ser nos filmes e novelas. Ter uma experiência de estar no lado errado em algum momento da existência não parece ser tão fascinante e atrativo para quem já esteve lá.

Nos filmes, os bandidos agora são tão mais atraentes que os mocinhos. E pra não perder espaço, criam-se anti-heróis. Pessoas que fazem o bem; protegem, mas cometem crimes com a justificativa de que “os fins justificam os meios”. Esse lado não é tão fantasioso e romântico quanto parece ser nas telonas.

Quando temos nossos dias de raiva, de fúria e revolta, fazemos no nosso subconsciente uma lista totalmente oposta àquela proposta por Schindler. Há certas épocas na nossa vida em que nos esquecemos; ou queremos esquecer; quem somos, o que construímos e por quem lutamos e queremos desistir de tudo e largar mão da vida e partir logo para o caminho mais fácil, mais atraente. Tudo isso baseado na tentativa de se conhecer.

O problema não é conhecer nossa capacidade maldosa ou nossa propensão para o mal, mas o que fazemos quando passamos por esse vale de sombras.

Há muitos que se perdem ao passar por esses atalhos camuflados. Muitas pessoas não conseguem encontrar o caminho de volta e desistem de tentar. A dor e a culpa são os maiores inimigos nessa história toda. A dor de não ter a resposta que esperava de Deus, a dor de não conseguir chegar ao cargo tão esperado na empresa, a dor de não passar nos concursos da vida, e culpa de não conseguir lograr êxito em alguma área da vida. São muitas coisas que amontoam na nossa mente e nos conduzem ao vale da morte, da escuridão.

Mas há algo que não podemos jamais esquecer. Na vida humana há uma possibilidade que em nenhum outro lugar se tem. Nem mesmo no mundo celestial se tem essa possibilidade. É a possibilidade de sempre recomeçar, a possibilidade de sempre deixar pra trás o que pra trás ficou e ir direto para os braços do Pai. Ninguém entra no vale das sombras e da morte sozinho, é que a escuridão é tão densa que não temos a possibilidade de ver quem está do nosso lado. Nessas horas de total escuridão é necessário parar e fazer o que qualquer criança faria quando se perde; aguarda pelo socorro!

Mesmo que nossa confiança em Deus esteja abalada, mesmo que nossa fé seja menor que um grão de mostarda, mesmo que os super crentes nos julguem de fracos e de pequena fé, o nosso Deus jamais nos desampara. Mesmo que tudo o que você tem lido não tem acrescentado nada, nem mesmo a leitura da Bíblia, saiba que Deus entende seu momento, não lhe julga, não lhe condena e nem mesmo lhe trata com indiferença. Ele lhe pega pelos braços e, mesmo que no colo Dele O esbofeteemos na nossa revolta, Ele espera e aguarda o momento de lhe abraçar e dizer que tudo não passou de uma tempestade que agora já não existe mais.

domingo, 2 de agosto de 2009

Neopaganismo Evangélico!


Estava passeando pela TV quando dei com um culto da Igreja Mundial do Poder de Deus. Teria rapidamente mudado de canal se não tivesse acabado de ler o interessante livro de Ronaldo de Almeida, "A Igreja Universal e seus Demônios - Um Estudo Etnográfico" [ed. Terceiro Nome, 152 págs., R$ 28], que me abriu os olhos para o lado especificamente religioso dos movimentos pentecostais. Até então, via neles sobretudo superstição, ignorando o sentido transcendente dessas práticas religiosas.

No culto da TV, o pastor simplesmente anunciou que, dado o aumento das despesas da igreja, no próximo mês, o dízimo subia de 10% para 20%. Em seguida, começou a interpelar os crentes para ver quem iria doar R$ 1.000, R$ 500 e assim foi descendo até chegar a R$ 1.

Notável é que o dízimo não era pensado como doação, mas simplesmente como devolução: já que Deus neste mês dera-lhe tanto, cabia ao fiel devolver uma parte para que a igreja continuasse no seu trabalho mediador. Em suma, doar era uma questão de justiça entre o fiel e Deus.

Em vez de o salário ser considerado como retribuição ao trabalho, o é tão só como dádiva divina, troca fora do mercado, como se operasse numa sociedade sem classes. Isso marca uma diferença com os antigos movimentos protestantes, em particular o calvinismo, para os quais o trabalho é dever e a riqueza, manifestação benfazeja do bom cumprimento da norma moral.

Se o salário é dádiva, precisa ser recompensado. Não segundo a máxima franciscana "é dando que se recebe", pois não se processa como ato de amor pelo outro. No fundo vale o princípio: "Recebes porque doastes". E como esse investimento nem sempre dá bons resultados, parece-me natural que o crente mude de igreja, como nós procuramos um banco mais rentável para nossos investimentos.

O crente doa apostando na fidelidade de Deus. Os dísticos gravados nos carros, "Deus é fiel", não o confirmam? Mas Dele espera-se reciprocidade, graças à mediação da igreja, cada vez mais eficaz conforme se torna mais rica. Deus é pensado à imagem e semelhança da igreja, cujo capital lança uma ponte entre Ele e o fiador.

Anticalvinismo

Além de negar a tradicional concepção calvinista e protestante do trabalho, esse novo crente não mantém com a igreja e seus pares uma relação amorosa, não faz do amor o peso de sua existência.

Sua adesão não implica conversão, total transformação do sentido de seu ser; apenas assina um contrato integral que lhe traz paz de espírito e confiança no futuro. Em vez da conversão, mera negociação. Essa religião não parece se coadunar, então, com as necessidades de uma massa trabalhadora, cujos empregos são aleatórios e precários?

Outro momento importante do livro é a crítica da Igreja Universal ao candomblé, tomado como fonte do mal. Essa crítica não possui apenas dimensões política e econômica, assume função religiosa, pois dá sentido ao pecado praticado pelo crente. O pecado nasce porque o fiel se afasta de Deus e, aproximando-se de uma divindade afro-brasileira, foge do circuito da dádiva. Configura fraqueza pessoal, infidelidade a Deus e à igreja.

Nada mais tem a ver com a ideia judaico-cristã do pecado original. Não se resolve naquela mácula, naquela ofensa, que somente poderia ser lavada pela graça de Deus e pela morte de Jesus, mas sempre requerendo a anuência do pecador.

Se resulta de uma fraqueza, desaparece quando o crente se fortalece, graças ao trabalho de purificação exercido pelo sacerdote. O fiel fraquejou na sua fidelidade, cedeu ao Diabo cheio de artimanhas e precisa de um mediador que, em nome de Deus, combata o Demônio. O exorcismo é descarrego, batalha entre duas potências que termina com a vitória do bem e a purificação do fiel.

Paganismo

Compreende-se, então, a função social do combate ao candomblé: traduz um antigo ritual cristão numa linguagem pagã. Os pastores dão pouca importância ao conhecimento das Escrituras, servem-se delas como relicário de exemplos. Importa-lhes mostrar que o Diabo, embora tenha sido criado por Deus, depois de sua queda se levanta como potência contra Deus e, para cumprir essa missão, trata de fazer o mal aos seres humanos.

O mal nasce do mal, ao contrário do ensinamento judeu-cristão que o localiza nas fissuras do livre-arbítrio. Adão e Eva são expulsos do Paraíso porque comeram o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e assim se tornam pecadores, porque agora são capazes de discriminar os termos dessa bipolaridade moral.

Essa teologia pentecostal se aproxima, então, do maniqueísmo. Como sabemos, o sacerdote persa Mani (também conhecido por Maniqueu), ativo no século 3º, pregava a existência de duas divindades igualmente poderosas, a benigna e a maligna. Isso porque o mal somente poderia ter origem no mal. A nova teologia pentecostal empresta o mesmo valor aos dois princípios e, assim, ressuscita a heresia maniqueísta, misturando o cristianismo com a teologia pagã.

Por José Arthur Gianotti
Prof. emério USP
fonte: Folha de São Paulo
Suplemento Mais 02/09/2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Perdas e Ganhos!


O que fazer quando tudo parece não ter resposta? Que caminho seguir ou que rumo tomar quando você percebe que alguma coisa está errada? Há uma semana, um jovem de 21 anos de idade, com todo vigor e com uma a vida pulsante, toma umas e outras com os amigos, pega o carro, capota e morre.


Eu o conhecia e jogávamos bola por muito tempo na quadra que temos na igreja onde trabalho. No momento da notícia, recebo aquele choque natural e penso que é brincadeira, aquelas piadas que a gente faz pra quebrar o gelo na conversa. Percebo que não; não é brincadeira! Ele havia, de fato, morrido naquele acidente de carro. O mais absurdo da história é que somente ele faleceu. Dos ocupantes do carro, somente ele foi a vítima fatal desse trágico acidente. O que está acontecendo com nossos jovens? Onde estamos errando? Alguns pensam e criticam os pais. Penso que jogar mais um fardo pesado nas costas desses heróis seria um pecado mortal. Outros sugerem que a culpa está na igreja, outros jogam na sociedade, e ainda têm alguns com a cara de pau de dizer que a culpa está nas escolas. Já bastam a falta de respeito e a desvalorização que o professor recebe. Ficamos nesse joguinho ridículo de descobrir de quem é a culpa e ficamos de camarote assistido nossos filhos e filhas, jovens bonitos e cheios de sonhos, morrerem diante dos nossos olhos.


Creio que a gente mesmo poderia responder a essa pergunta se olhássemos para dentro de nós primeiro e percebêssemos que o maior culpado dessa bagunça estar acontecendo somos nós mesmos; cada um especificamente!


Não é normal pela ordem da vida que um pai sepulte seu filho ou filha! Simplesmente não é normal! Parece que esse desejo de curtir o máximo que a vida pode oferecer está ceifando nossos filhos e amigos sem a gente dar conta. Mesmo que morra dez jovens em acidentes por conta de bebedeiras e drogas, ainda assim vemos drogas rolando livremente nas festas e baladas, vemos gente menor de idade com garrafas de cerveja e Smirnoff Ice nas mãos e posando para fotos para depois postarem nos seus Orkuts, achando que são donos de si e donos de suas vidas frágeis. Às vezes até acho que fazem isso para atingirem alguém, para provocarem alguém. Não os condeno. Sinto pena. Eles não precisam disso!


Posso dizer segura e desesperadamente que, como pastor que trabalha com juventude, não sei mais o que fazer, o que pensar, o que responder. Só penso em buscar em Deus a solução para essa loucura que está fazendo pais, mães, irmãos, irmãs, parentes e amigos ficarem completamente perdidos e tomarem atitudes que, outras vezes, não precisariam ser tomadas.
Sinto no meu coração uma tristeza, uma dor de ferida aberta, sem cura ou cicatrização. Sinto meu coração secar de tanto sangue que já jorrou, sinto meus olhos arderem porque não há mais lágrimas para lubrificá-los, sinto meus nervos atrofiarem, minha voz fraca e minha cabeça explodir. O que fazer? O que fazer?


Acredito que através de uma união de forças – pais, igrejas e imprensa – podemos melhorar isso que chamamos de mundo. Estou cansado de ouvir falar em discussões sobre coisas inúteis e fúteis para minha vida. Estou cansado de resolver picuinhas criadas por pessoas sem noção do que está acontecendo. Estou cansado de ouvir pessoas falando quem é melhor que quem, comparando líderes, fazendo joguinhos com as pessoas como se fossem fantoches. Estou cansado de criar programações legais e edificantes e ouvir ainda que é perca de tempo investir nos jovens ou até mesmo de participar dessas programações. Estou cansado de gente que não está nem aí para as tragédias que estão acontecendo e que só querem saber de suas próprias vidas, vivendo no seu chiqueirinho de mentiras e de mágoas passadas e que não tem coragem de resolvê-las e encará-las de frente.


Já perdemos tanto tempo e tantas vidas que nem me meto em contar. Já sinto o peso do sangue dessas vidas caindo sobre mim. Perdemos tempo e vidas olhando para nossas próprias faltas e revoltas sem causa alguma. Interesses pessoais mais importantes que os interesses do Reino. Minha vida do jeito que eu penso que deve ser muito mais importante que minha vida do jeito que Cristo pensa que deve ser. Estou cansado de ser muito bonzinho pra quem não dá valor naquilo que Cristo dá valor; na minha e na sua vida!


Agora temos “novos heróis”. Os pastores que nunca passam por dificuldades ministeriais com juventude. Já conversei com alguns e depois da conversa me senti o pior pastor de jovens da face da Terra. Nunca tem dificuldades, nunca tem nada de errado, a turma dele é a turma, e tudo coopera para bem daqueles que freqüentam somente a turma dele. Sinto-me pequeno e totalmente inútil perto desses “gigantes pela própria natureza”. Não são humanos, não sentem dor, não compartilham nada, são grosseiros e metidos a donos da verdade eterna. Estou farto desses! Quero distância de gente assim! Não me acrescentam nada, porque neles não há nada que acrescente a alguém. Somente rancor, maledicência e chatice.


Acredito que você deva estar sentindo a mesma coisa que eu. Um cansaço, uma fatiga, um suspiro ofegante de alguém que deve ter tentado de tudo e não consegue ter forças para tentar dar o último. Minha oração é que você encontre esperança nos pequenos atos de pequenos servos do Redentor que querem fazer a diferença na vida desses jovens – vale aqui lembrar, cristãos ou não. Todos eles merecem uma segunda chance de viver uma vida digna, de crescerem, de se formarem, de casarem e de terem filhos e vê-los crescer, de ficarem prósperos, de terem histórias para contar.


Quero que você se junte a mim nesse clamor pela vida dos nossos jovens. Por uma vida mais alegre, mais feliz, recheadas de histórias engraçadas e de histórias marcantes. Quero que você ecoe comigo nesse grito desesperado por uma juventude mais digna; menos sofredora e mais alegre.


Choro pela perda desse amigo, mas choro também pelos Josés, Marias, Antônios, e tantos e tantas outras que não caberiam aqui, tantos desconhecidos que ninguém ouviu falar e que ninguém conheceu, mas são amigos de anjos, que precisam urgentemente entender de uma vez por todas que com Cristo eles têm muito mais a ganhar do que perder.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Graça de graça!!


Estava assistindo uma novela na sala com algumas pessoas e estava passando uma cena um tanto interessante. Pra variar, a história era de uma mulher que havia traído o marido e queria o perdão dele, queria voltar pra casa e voltar a viver a vida a dois como se nada daquilo tivesse acontecido. Alguns na sala se revoltaram e ficaram perguntando: “Como pode? Quer dizer então que trai, fica com outro homem, volta, pede perdão e vive como se nada tivesse acontecido?”. A revolta era geral, quando me deu um estalo na mente que me fez pensar que é justamente o que Deus faz conosco. Erramos, pedimos perdão, Ele perdoa e continuamos a viver como se nada daquilo tivesse acontecido.

A graça escandaliza qualquer pessoa que não queira ser afetada por ela. Pense no caso de uma pessoa que em um surto de raiva acaba machucando alguém, por palavras ou até mesmo com uma arma. Ela não intencionava causar um dano do tamanho que se apresenta agora. Tudo o que ela pede é alguém que não a condene, tudo que ela pede é alguém que a entenda.

Mas cá entre nós, é muito difícil que isso ocorra, não é verdade? Na maioria dos casos vemos os acusadores e os defensores da moral e da ética cristã mostrarem suas asinhas e darem a sua bela contribuição para o crescimento do cristão caído, fazendo-o pagar verdadeiras penitências de algo que Deus já o livrou e perdoou.

Ao mesmo tempo sou confrontado com um texto marcante nas Escrituras onde Jesus está sendo questionado por essas eternas pragas eclesiásticas em um caso de adultério, onde a mulher adúltera é levada diante dEle para ser julgada e, então, apedrejada. Algumas considerações devem ser entendidas aqui.

É interessante que o homem adúltero não aparece na cena, onde ele está? Provavelmente entre os acusadores. “Ela me seduziu a praticar tal ato, ela me disse que ninguém saberia”, ele diria. Outra coisa, esse seria mais um plano que os inimigos de Jesus estavam tramando para prendê-lo e executá-lo. Tudo estava contra o relógio de Cristo, portanto, contra o relógio da graça.

Anima-me ao ver nesse texto um Jesus totalmente diferente do que me foi apresentado nas aulas de catecismo e nas visões humanas de gente que pensa que Jesus era alguém de cara carrancuda, que nunca na vida deu uma risada, que nunca chorou ou que nunca tenha se emocionado ao ver alguma coisa bonita.

A graça chega a tocar nas coisas mais simples que uma pessoa poderia imaginar. Ouvir uma boa música, ler um bom livro, apreciar um bom churrasco com amigos, dar muita risada das piadas da vida e por que não apreciar uma novela quando bem escrita e com uma história intrigante como em um filme. As histórias de ninar, as fábulas e os folclores populares, as esculturas. Tudo isso faz parte do que a Bíblia chama de Graça.

As pessoas são as mais incríveis e empolgantes demonstrações dessa Graça. Os seres humanos nada mais são do que uma bela sinfonia de notas diferentes umas das outras que montam uma peça maravilhosa. Cada movimento, cada escolha, cada sentimento vivido, tudo isso é parte de uma tragédia ou de um romance ou de um suspense ou de uma aventura. A Graça nos seres humanos, em cada um de nós, é uma manifestação da existência singular de Deus.

A graça é um presente de desaniversário, não tem hora nem lugar para dar. Quem que nunca tenha sentido saudade de alguém não ligou ou visitou a pessoa? Quem nunca jogou conversa fora numa noite de férias com os amigos? Quem nunca falou sozinho nos momentos de felicidade e principalmente nos momentos de raiva?

Não gosto de pessoas que vivem impedindo o povo de Deus de ser povo de Deus. Elas elaboram uma lista de tudo quanto você deve ou não fazer para ser considerado um filho de Deus. “Se você fizer isso ou aquilo que não aprovamos, você é digno de nossa tão santa disciplina”, dizem elas. Sendo que nesse período chamado de “disciplina” não há um acompanhamento, um telefonema, uma palavra amiga, uma mão que se estenda para ajudar a levantar o caído. Já disseram uma vez que a Igreja é o único exército que abandona seus feridos.

A graça veio para mudar tudo isso! Ela veio para conquistar os de “cara fechada” e para acalmar os animados demais. Ela veio para trazer uma gota de esperança para o estrangeiro nordestino que sai da sua terra e tenta a sorte na grande cidade e enfrenta o preconceito e as piadas do povo dito civilizado. Ela veio macular os conceitos humanos de ser e ter. Trouxe um novo prisma onde enxergamos um lado melhor das pessoas; as suas qualidades.

Jesus é a encarnação dessa graça. Jesus é aquele que deve ser visto como nosso exemplo mor. Imagino Jesus agachando-se e perguntando àquela mulher chorosa e arrependida, com uma voz doce e ao mesmo tempo firme: “Onde estão seus acusadores?”. A mulher levanta os olhos; vê que todos se foram atordoados com o julgamento do Mestre: “Aquele que não tem pecado, atire a primeira pedra”, e diz que todos se foram. O texto não diz, mas imagino Jesus tomando aquela mulher pelos ombros, levanta-a e diz olhando nos seus olhos lacrimejantes: “Tampouco eu te condeno; vai e não peques mais!”. Jesus não julga como nós. Ele não condena o pecador que nós condenaríamos. Ele ama como nós deveríamos amar. Ele enxerga como nós deveríamos enxergar. Ele abraça como nós deveríamos abraçar. Ele só requer de nós que sejamos um com Ele, como Ele é com o Pai.

O Jesus dos quadros caríssimos de Da Vinci e de Michelangelo não é o Jesus que eu conheço. O Jesus que eu conheço é sério com o pecado, mas abraça o pecador. O Jesus que eu conheço é Santo Juiz, mas também é o Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas. Não é uma graça barata que aqui apresento, mas é uma graça real, que liberta o pecador e traz paz ao coração de quem precisa dormir sem outros traumas criados por nós; já basta o que a vida oferece no pacote de nascimento.