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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O Único Desafio!


Não havia entendido muito bem a passagem bíblica acerca dos últimos dias onde em um discurso profético Cristo afirma que o amor de muitos se esfriaria. Meu coração ficava angustiado com essa palavra pesada. Até que um belo dia, dando uma nova lida mais atenta no texto, eu percebi que Cristo não dá um diagnóstico trágico apenas, mas um desafio de não se deixar abalar pela realidade trágica eu o mundo já hoje enfrenta. O texto diz que aqueles que se manterem fiéis a Deus, que é amor, sairão vencedores.


Quando Deus nos criou, diz o texto sagrado no livro do Gênesis, Ele nos fez à Sua imagem e semelhança, isto é, a essência de Deus foi passada a nós. Somos as únicas criaturas que se relacionam com o Criador, pois somos Seus semelhantes. Outro texto diz que Deus é amor, portanto a imagem de Deus, a essência de Deus, que é o amor, foi passada a nós. Quando deixamos de amar, deixamos de ser humanos, deixamos de ser criaturas de Deus, deixamos de ser filhos de Deus, e por isso pecamos!


O pecado por definição é errar o alvo. Por muitas vezes achamos que errar o alvo significa desobedecer a Deus, desonrar a Deus e outras coisas relacionadas a Deus. Tudo isso é verdade, fazem parte do significado, mas não é a causa principal, não exprime o real significado. O alvo nesse sentido é a humanidade, tendo como coluna vertebral o amor. Quando nos esquecemos disso, tudo se perde. Esse entendimento levou Paulo escrever o texto clássico da Primeira carta aos Coríntios no capítulo 13.


O homem pecou porque quis ser igual a Deus, sendo que ele mesmo já era semelhança do Eterno. A desobediência e todas as outras coisas são apenas desdobramentos dessa vontade louca do homem de controlar as coisas, de ser dono das pessoas, das coisas, do mundo. Hoje se fala em sucesso, em prosperidade, em dinheiro com a fachada de que isso revelaria benção de Deus na vida, mas isso é um engano. Dinheiro, se não for colocado no lugar de servo, acaba sendo senhor e dando a falsa sensação ao seu escravo de que ele tem poder. Olha a serpente atacando de novo!


O controle não é só no dinheiro, mas principalmente nos relacionamentos interpessoais. Marido que quer mandar na esposa, e vice-versa. Amigos que querem controlar outros amigos, gente querendo controlar gente, e nada de amor nesse papo.


Os vírus da indiferença, do controle, do poder, da manipulação entraram na igreja porque entraram primeiro no homem e estarão lá até que sejam extirpados pelo poder do amor. O único desafio que Cristo nos deixou nessa Terra como demonstração de que Ele existe de fato e que abalará o mundo em todas as suas estruturas é que nos amemos uns aos outros, ainda que não haja simpatia. Amor é uma decisão permeada por sentimentos cativos à graça de Deus. Que o mundo veja e conheça a Cristo não pelas marchas nas avenidas, mas pelo desafio constante de que ainda vale a pena amar.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Dois em Um!


Um dos lugares mais fascinantes na Bíblia para mim não é o Monte Sinai, nem o Mar Vermelho por conta do miraculoso incidente registrado no livro do Êxodo. Meu lugar preferido na verdade se completam, eles não vivem sem o outro, não haveria sentido o isolamento desses lugares na história cristã. O lugar, ou melhor, os lugares a que me refiro são o Calvário e o túmulo que agora se encontra vazio.

Toda a nossa fé, esperança, alegria e confiança estão na certeza de que esses lugares são reais, e mais ainda, tudo o que ali aconteceu foi verdade. Mas as implicações desses acontecimentos na vida, os resultados e os significados profundos ali expostos são de extrema importância para uma realidade como a nossa onde se valoriza muito o poder, a posição, o cargo, a nomeação, o dinheiro, a valorização do dízimo mais recheado.

O Calvário nos aponta para um Rei, o verdadeiro Rei, sendo humilhado, crucificado de maneira horrível, onde suas partes íntimas estavam expostas, seu sangue sendo derramado sem a mínima pena, suas dores sendo motivos de piadas e escrachos. Muitos ali passaram e não deram a mínima atenção ao mais importante evento da história; Deus reafirmando Seu amor aos homens expondo Seu Filho ao ridículo, ao escárnio, à total humilhação. No Calvário, o mais importante de todos os homens que já passaram ou passarão nessa Terra estava sozinho, sem glória, mas realizando o maior milagre já realizado; dar vida àqueles que estavam mortos, dar casa àqueles que estavam sem um lar, dar direção àqueles que sempre estiveram perdidos em suas emoções e expectativas.

Mas ficar só no Calvário, que já é em si um lugar de profundos e maravilhosos significados, é desconsiderar outro lugar também de mesma importância que alimentam ainda mais as esperanças de um novo amanhecer na vida de cada ser humano. E o lugar é o túmulo de José de Arimatéia, um túmulo que por três dias foi usado pelo Filho de Deus, mas que no final das contas acabou ficando vago!

O salmista não estava errado quando ele disse que nossa alegria viria pela manhã. O sol ainda nem havia mostrado seu brilho, Cristo já havia ressuscitado. O túmulo vazio significa que temos certeza que nosso amanhã será melhor que nosso presente, ainda que não apresente muita coisa positiva. O túmulo vazio traz ao nosso coração a verdade que Ele está vivo e movido pelo amor que O levou ao Calvário também O trouxe perto do nosso sofrimento capaz de trazer alívio e confiança.

O Calvário e o túmulo vazio nos fazem continuar crendo, mesmo que pareça uma atitude insana, mesmo que alguns encarem como uma máscara, uma maquiagem para nossos sofrimentos. Mas na verdade não há máscara que caiba no Calvário, não há maquiagem que resista ao túmulo vazio, não há incredulidade quando estamos diante de Alguém que não só está vivo, mas nos faz desejar viver cada dia, cada minuto e cada momento, mesmo que pensamentos de morte rondem nossa mente, mesmo que desejos de desistir de tudo e ter a sensação de não agüentar absolutamente mais nenhuma provação ou tentação, Ele sempre estará bem do nosso lado, pronto pra nos escutar!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Olimpíadas No Céu!


A gente fica emocionado quando vê uma abertura dos Jogos Olímpicos, emociona-se ainda mais quando coisas incríveis acontecem durante os jogos como quebras de recordes, rostos emocionados no pódio, as superações quase que mitológicas de alguns atletas, e ficamos com uma mistura estranha de saudade com nostalgia quando assistimos a festa de encerramento.

Cenas históricas acontecem durante os Jogos. Corredores exaustos, quase sem fôlego, cruzam a linha de chegada regados pelos aplausos da arquibancada lotada e pelos gritos eufóricos de gente que sabe que está vendo algo especial. Às vezes nem ganham medalhas, mas recebem o prêmio de serem heróis e não precisam das medalhas para garantir o lugar no pódio dos heróis olímpicos. Gente que supera seus limites, que acredita que pode alcançar o inalcançável, gente que acaba se descobrindo cada vez em cada olimpíada, em cada jogo, em cada derrota, em cada vitória.

O mais bonito nas Olimpíadas é a reunião de todos os povos, línguas e nações. Reunidos com o mesmo propósito; celebrar o esporte, celebrar a vida, celebrar a vitória e celebrar a derrota. Claro que ninguém quer perder, mas muitas vezes a derrota acaba se tornando vitória pela garra, pelo suor, pela teimosia de querer ganhar.

Quando olho para o céu, vejo povos, línguas e nações reunidos com um mesmo propósito. Agora não mais competir, mas celebrar a vitória, mesmo que à custa de duras derrotas pelo caminho, ainda que à custa de difíceis situações que não conseguimos superar. No céu, um pouco diferente dos Jogos daqui da Terra, há lugar pra quem perdeu aqui, há lugar pra quem em algum momento não conseguiu, pois os últimos serão os primeiros. No céu haverá celebração da vitória sim, mas da vitória Dele. Tudo será lembrado e todas as nossas conquistas celebradas, mas por causa Dele, apenas de Cristo.

Ficamos todos petrificados diante das telas de televisão quando ganhamos uma medalha, ficamos emocionados quando ouvimos nosso hino tocando em terra estrangeira, ficamos orgulhosos quando um dos nossos lá no estrangeiro faz o mundo se ajoelhar e honrar a nossa bandeira. Agora quanto mais orgulho e expectativa deveram ter quando ouvirmos o coro do hino nacional celestial, regido talvez por anjos cantando o coro de “Aleluias” e todos nós honrado o Príncipe da Paz com a bandeira da cruz estendida no mastro celebrando a vitória sobre ela e sobre a morte.

Imagino aquele dia onde todos os reuniremos e não mais haverá competição entre nós, pois todos terão suas medalhas de ouro esperando por nós. Não teremos mais espaços para os mais ou menos espirituais, mas apenas um povo, uma nação, um Senhor. Mas ainda há abertura desses jogos, o mundo precisa ver que há uma Olimpíada acontecendo, uma Olimpíada da vida, uma celebração da vida. É necessário que entendamos de uma vez por todas que não fomos feitos para competir conosco, mas celebrarmos a vitória de uma só pessoa: Jesus. Portanto, você não é meu adversário, é meu compatriota.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Quando Igreja Não É "Igreja"!


Igreja tem que ser coisa de gente de Deus, de gente livre, de gente sem medo, de gente que anda e vive, que deixa viver, que crê sempre no amor de Deus; e sobretudo, é algo para gente que confia, que entrega, que não deseja controlar nada; e que sabe que não sabe, mas que sabe que Deus sabe...

Somente gente com esse espírito pode ser parte sadia de uma igreja local, por exemplo. Entretanto, para que as pessoas sejam assim seus pastores precisam ser assim.

Se o pastor é assim, tudo ficará assim. Ou, então, o tal pastor não emprestará a sua vida para o que não seja vida, e assim, bem-aventuradamente deixará tal lugar de prisão disfarçada de amor fraterno.

Em igreja há problemas...

É claro... Afinal, tem gente!

Mas nenhum problema humano tem que ser um escândalo para a verdadeira igreja de gente boa de Deus.

Numa igreja de Deus ninguém tem que ser humilhado..., adúlteros não tem que ser “apresentados” ao público..., ladrões são ajudados a não mais roubarem...,corruptos são tratados como Jesus tratou a Zaqueu..., e hipócritas são igualmente tratados como Jesus tratou aos hipócritas...; ou seja: com silencio que passa..., mas, ao mesmo tempo, não abre espaço...

Na igreja de gente boa de Deus fica quem quer e até quando deseje... E quem não estiver contente não precisa ser taxado de rebelde e nem de insubordinado... Ele é livre para discordar e sair... Sair em paz. Sem maldições e sem ameaças; aliás, pode sair sem assunto mesmo...

Na verdadeira igreja não há auditores, há amigos.

Nela também toda angustia humana é tratada em sigilo e paz.

Igreja é um problema?...Sinceramente não acho...Pelo menos quando a igreja é assim, de gente, para gente, liderada por gente, com o propósito de fazer de toda gente um humano maduro — então, creia: não há problemas nunca, pois, os problemas em tal caso nada mais são do que situações normais da vida, como gripe, febre ou qualquer outra coisa, que só não dá em poste de ferro...

Tudo o que aqui digo decorre de minha experiência...

Não é teoria... Pode ser assim em todo lugar...

Mas depende de quem seja o pastor...

E mais: se o povo já estiver viciado demais nem sempre tem jeito...

Entretanto, se alguém decide começar algo do zero, então, saiba: caso você seja gente boa de Deus, e que trate todos como gostaria de ser tratado..., não haverá nada que não seja normal, pois, até as maiores anormalidades são normais quando a mente do Evangelho em nós descomplicou a vida.

Pense nisso!...

Nele,

Caio

Por Caio Fábio

Acompanhe mais textos desse fera no site dele: http://www.caiofabio.com/2009/

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A Maneira Menos Complicada!


Conforme os dias passam a gente começa a descobrir como é difícil viver essa vida de indiferenças e de injustiças. Mas mais difícil ainda é vivê-la sozinho. Quando a gente descobre que a vida pode ser melhor ao acharmos a pessoa certa com quem podemos abraçar e esperar a dor passar, a gente pode dizer que pelo menos sabe como é bom viver.

Quando tive o privilégio de achar a minha companheira, fiquei com as mesmas dúvidas que qualquer ser humano tem quando está diante de respostas óbvias para as perguntas mais importantes da vida. Dúvidas com respeito ao futuro e quanto ao presente. Percebi, no entanto, que essas dúvidas atrasavam minha maneira de ver a vida. Focalizava apenas nas dúvidas e na ansiedade de resolvê-las o mais cedo possível que deixava de experimentar e me deliciar com aqueles momentos tão únicos e especiais que eram justamente aqueles que iriam me preparar para os próximos.

Todos nós passamos por nossos vales de sombra e da morte todos os dias. Quando não é na saúde é na condição financeira; se não é na financeira é na emocional; quando não é na emocional é no espiritual; isso sem contar que muitas vezes todas as áreas entram em crise existencial juntas.

Mas é aí que aparece aquele ou aquela que Deus colocou na nossa vida para nossa auxiliadora ou auxiliador. No meu caso, uma auxiliadora idônea, semelhante a mim, carne da minha carne, que sente como ninguém as dores da vida e que tem aprendido de uma forma quase que insuportável que há seres humanos terrivelmente maus, sem coração, falsos e totalmente destituídos de senso de humanidade; mas também aprendeu que há seres humanos bons, que sofrem a nossa dor, que choram as nossas perdas, que deixam de enxugar as próprias lágrimas para enxugar as nossas, que saem de suas casas para irem à igreja pedir ao Pai do céu que se lembre sempre de nós, que juntamente conosco também aprendem que somos humanos e nada mais que isso.

Há uma forma mais amena de se viver. Há uma forma celeste que Deus o nosso Pai criou de termos um pouquinho do gosto de como é o céu quando nos deu nossos companheiros no casamento. Casando-nos Deus está nos ensinando que é dessa forma como Ele se relaciona conosco, como noivo que se relaciona com a noiva, que a ama de todas as forças e a perdoa quando há uma falha, que não consegue contar e nem ao menos se lembrar dos erros, pois já não são importantes e nem dignos de uma mísera lembrança.

Claro que nós como humanos não temos condições de tal perfeição, e nem é a vontade do Pai que tenhamos a obsessão sermos assim. Mas o que Deus quer mostrar é que é possível amenizar as dores da vida quando olhamos e fixamos nossos olhares Naquele que jamais desistirá de nós, jamais abrirá mão de nós, mesmo ainda falhos, fracos e em pedaços.

Deus nos ama tanto que quando quebramos o pacto que temos com Ele, a atitude de Deus não é julgar, não é condenar, não é culpar e muito menos castigar; é juntar os cacos. Quando Ele fala da Sua noiva como branca e pura, é claro que Ele não está falando da nossa maneira de enxergar a Igreja, mas da maneira Dele. Para Ele, a Igreja ainda é branca e pura porque não depende de mim e nem de você, mas Dele.

Quando achamos alguém que cresce junto com a gente, que não nos deixa cair ainda que a tempestade seja grande, quando é alguém com quem podemos contar, mesmo quando ninguém dá à mínima, podemos olha pra vida com mais alegria e esperança, pois fomos achados quando estávamos perdidos.

terça-feira, 30 de junho de 2009

SOS Igreja!


Se existe um assunto que mexe comigo a ponto de escrever e de pregar é o tema da unidade e do corpo de Cristo. Sim, porque Deus nos deu uma ferramenta que destrói todo e qualquer argumento que é usado contra o povo de Deus, contra os cristãos verdadeiros; e estou me referindo a todos os cristãos espalhados nas igrejas cristãs em todo mundo, tanto católicos quanto protestantes. Gente que entendeu o genuíno Evangelho de Cristo, mas que ainda convive com algumas mazelas da instituição corrompida por homens não muito sérios quanto o assunto é honestidade.

Vejo na televisão alguns pastores que simplesmente ficam trocando farpas e esquecem-se do grande poder e privilégio que têm em suas mãos de trazer uma mensagem de paz e de amor em um mundo completamente mascarado, com as emoções totalmente reprimidas e de um senso de parceria totalmente deturpado do verdadeiro. Na internet nem se fala. Você artigos que antes deveriam trazer alimento espiritual e ânimo novo para os corações, agora se lê críticas e troca de xingamentos sem fim. Vídeos e mais vídeos, entrevistas e entrevistadores interessados na briga, na discussão, no “bafão” e não no conteúdo que pode ser transmitido.

Estou um tanto decepcionado com algumas lideranças com as quais tenho tido o prazer (ou o desprazer) de conhecer. Está certo que do outro lado, convivo com lideranças sérias e tratam das questões do evangelho de maneira muito cuidadosa e amorosa; esses são meus pontos de equilíbrio. Vejo nos olhos de algumas pessoas que o que elas pregam em seus discursos não condiz com sua vida. O discurso é muito bonito e até verdadeiro, as palavras trazem um sentido até de muita santidade e de desejos puros, mas não conseguimos olhar nos olhos e perceber verdade, brilho, reflexo de sinceridade. Até mesmo podemos considerar que tenha um desejo sincero, mas o agir não condiz com o que está acontecendo.

Estamos vivendo uma crise de identidade não denominacional, não institucional, nem tampouco religiosa, estamos vivendo uma crise de identidade pessoal. Não sabemos quem somos, não sabemos que deus servimos, se o nosso ou o verdadeiro Deus, não sabemos quem é esse Deus, não sabemos quem são as pessoas com quem convivemos, porque ao mesmo tempo que nos acariciam, elas nos apunhalam pelas costas jogando a culpa do mundo em cima de nós, ou seja, não sabemos mais em quem confiar. Isso nos afeta em todas as esferas sociais, políticas e eclesiásticas. Quem são nossos governantes? Quem são nossos pastores? Quem são nossos líderes? Podemos confiar nesses homens e mulheres que simplesmente nos deixam na mão para satisfazer seus prazeres e desejos individuais?

Deus convoca uma geração que faz diferente, mesmo que todos façam tudo igual. Deus nos chama da morte para vida não para julgar quem está morto, mas para mostrar e guiar quem está caminhando para a perdição. Deus nos chama para provarmos para o mundo que toda família tem seus problemas, mas conseguimos resolver tudo em casa e não precisamos jogar nas ruas algo tão precioso quanto a intimidade do nosso lar. Deus nos chama para sermos sua família e que, como toda família deve ser, resolve seus problemas de maneira limpa e transparente, sem precisar machucar ninguém, mesmo porque somos todos irmãos e irmãs que precisam de ajuda.
Pessoas se machucam muito gratuitamente. Nós encontramos os mais absurdos motivos para causar uma briga. Seja porque não concordamos com alguém, seja porque não gostamos da maneira de ser de alguém, seja porque não gostamos da maneira de alguém se vestir, seja porque não gostamos do jeito de ser de alguém. Exigimos que os outros fossem iguais a nós ou pelo menos parecidos para que eles sejam aceitos no meu grupo, e se não agirem assim são dignos das penalidades mais cruéis possíveis ou imagináveis. Percebam que tudo gira em torno da minha vontade, e não da vontade do Eterno.

A vontade do Eterno que eu e você vivamos uma vida de significado, uma vida de gratidão a Deus por tudo o que Ele tem feito por nós, uma vida de culto. A vontade de Deus é que sejamos um retrato vivo de quem Ele é para a humanidade, a vontade do Pai é que sejamos filhos parecidos com Ele e demonstrarmos essa semelhança nas nossas escolhas, na nossa maneira de ser com as pessoas, no nosso trato com os problemas alheios, na nossa maneira de lidar com os erros dos outros. O Pai quer e deseja que sejamos gente que se parece com Cristo a fim de que muitos queiram ser como Cristo, porque se elas virem Cristo em nós, o verdadeiro Cristo, elas vão querer esse bem para o resto de suas vidas e de suas famílias.

Não me curvo a esse Cristo que está sendo mostrado e pregado nas igrejas hoje. É um Cristo muito pequeno e medíocre. Um Cristo que pode até curar, mas parece mais um curandeiro do que um médico sério que entende meu problema e sabe como resolvê-lo. Um Cristo que pode até me ajudar nas horas de dificuldade, mas parece mais um espertalhão que espera ansiosamente minha queda do que um amigo. Um Cristo que pode até me disciplinar, mas que parece mais um carrasco do que um Pai que me ama e sabe que ainda posso errar muito mais, mas que sempre estará lá para me receber de volta. Não adoro um deus assim, e não quero adorar um deus assim, porque tal deus não é real.

Que o mundo saiba através de mim que existe um Deus real, o verdadeiro Deus, aquele que faz toda diferença no momento da dor e do fracasso, aquele que faz toda a diferença quando tudo vai de mal a pior, aquele que faz toda a diferença quando brigo com alguém e que me incentiva a perdoar seja quem for, porque da mesma forma Ele agiu comigo, aquele que faz toda a diferença quando o assunto é confiar e levar isso a sério, aquele que faz toda a diferença na vida quando o assunto é nossa eternidade. Que Ele me ajude a ser como Ele quer que eu seja.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Surpreendidos Pela Paz!


O mundo de certa forma ficou chocado com o que aconteceu na noite de domingo retrasado quando um Airbus da Air France vôo 447 simplesmente desapareceu no meio do Oceano Atlântico. Ficamos perplexos diante de uma tragédia sem explicação; ficamos a nos perguntar os por quês e tentar buscar razões que, achamos assim, vão trazer um pouco, uma medida de consolo que nunca vem nem mesmo com as notícias de resgates de corpos e de destroços do Airbus.

Ali nesse avião, havia sonhos dos mais diversos. Pessoas que estavam naquele avião estavam ansiosos por chegarem logo a Paris, o destino final. Pessoas que conheceriam Paris pela primeira vez, outras veriam pela segunda ou terceira ou até mesmo seria mais um vôo de costume, de trabalho. Mas o certo é que ali estavam pessoas como eu e você; cheias de vida e de expectativas que uma tempestade os jogou para o fundo do Oceano; literalmente os sonhos de todos ali foram por água baixo.

Famílias que agora só pedem para que possam em algum momento sepultar seus entes queridos de maneira digna e respeitosa. Famílias que pedem respeito nessa hora tão obscura de suas vidas. No 447 estavam famílias inteiras, incluindo um bebezinho. Esposas que nunca mais verão seus maridos; maridos que nunca mais beijarão suas esposas; filhos que não mais discutiram com seus pais; pais que nunca mais poderão apertar seus filhos junto ao seu peito.

Alguns conseguem reagir bem durante um tempo a essa tragédia. Vi a entrevista de um senhor que perdeu seus pais no acidente e tentando levar a vida por conta dos inúmeros compromissos assumidos. Uma frase que doeu a alma nessa entrevista foi quando em determinado momento ele disse: “Preciso levar a vida, preciso continuar vivendo!” Como se fosse um apelo pessoal diante desse caos, desse vulcão emocional que ele ainda está passando.

Quando vejo tudo isso e olho para minha vida chego a conclusões obvias, mas extremamente importantes para mim.

Devo olhar nos olhos dos meus queridos e dizer o quanto os amo, mesmo que muitas vezes eles possam errar comigo. Saber que o erro é algo natural do ser humano e que se ele mantém no erro nada mais é que um pedido de socorro, um grito de alerta quase que sufocante para que a ajuda chegue o mais rápido possível.

Chega de máscaras! Chega de máscaras! Chega de máscaras! Depois de morto não se pode fazer mais nada em favor do outro. Depois que foi embora, não dá tempo de dizer mais nada. Quanta falta algumas pessoas fazem na nossa vida simplesmente porque não deu tempo de fazer o que gostaríamos de fazer, mas por conta do que os outros poderiam pensar, o que os outros poderiam falar, o que os outros poderiam comentar, deixamos de fazer, de falar e de ser. Aí os outros nos enterram.

Gente, esse apelo é para aquele que se cansou de uma mediocridade de vida e que quer algo a mais para levar consigo no coração e na alma. Essa mensagem é para aquelas pessoas que querem viver uma vida além do que os olhos podem ver. Esse artigo é para alertar a todos nós que há tempestades mais graves do que essa que você vive no seu copo com água, mas que não deixa de ser uma tempestade, e mesmo assim, Cristo jamais deixará de estar ao lado daqueles que O amam e confiam em Sua providencial presença e atuação.

Quanto às famílias enlutadas, meu mais sincero apoio e minha sincera oração de que o Senhor que cura todas as dores alivie tão pesado fardo que agora essas pessoas estão sendo obrigadas a levar. Da mesma forma como foram surpreendidos pela tragédia, oro para que todos sejam surpreendidos pela paz.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Espinhos, Abrolhos e Cebolas


O mundo evangélico é recheado de jargões. Vários deles já se perderam no tempo e no significado. Muitos daqueles ditos cristãos não entendem o cumprimento: “A Paz do Senhor”! Não se procura entender o porquê de vários símbolos que temos ao longo da história cristã. Agora, o mais grave de todos é o fato de nós nos perdermos no significado da palavra “irmão”.
Já por várias vezes vemos essa palavra sendo usada de modo inapropriado e sem qualquer critério! Usa-se “irmão” para falar daquela pessoa que a gente esqueceu o nome. E nesse aspecto toda palavra é válida: “querido”, “amado” e etc. Nem se preocupa se de fato aquela pessoa é amada e querida mesmo. Na maioria das vezes não o é! A gente esqueceu, e pra não ficar feio esquecer o nome daquele presbítero importante, daquele médico renomado, daquele diácono emérito, a gente prefere chamá-lo de “irmão”.

O nosso Senhor em certa ocasião estava em um lugar onde seus familiares; mãe, irmãos e irmãs; chamavam-no para fora para lhe falar algo. Jesus diz de forma amorosa e profundamente tocante estendendo os braços em direção aos seus discípulos que eles eram seus irmãos, irmãs e mãe. Desde que eles cumprissem a vontade do Pai Celestial, estavam agora fazendo parte da família do Redentor.

Mas o que significa mesmo a palavra “irmão”? Façamos uma análise morfológica da palavra. No sentido primário, porém mais amplo, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a palavra “irmão” significa “filho dos mesmos progenitores”: do mesmo pai e da mesma mãe. Também significa uma pessoa de ascendência e parentesco comuns, particularmente um membro de um mesmo clã ou tribo. O termo também se pode estender aos membros da mesma raça ou nação ou de uma nação amiga. No Novo Testamento, especificamente, a palavra se refere aos seguidores de Cristo como sendo filhos de um mesmo Pai e, portanto, irmãos de Jesus, sendo Ele irmão mais velho dentre muitos irmãos.

Pois bem, tendo essa pequena explanação em nossa mente, podemos entender agora porque Cristo chamou todos os seus discípulos de irmãos, irmãs e mãe. Justamente porque Ele estava dizendo a todos que estavam ali presentes que fazendo a vontade do Pai, seríamos família de Deus. Por isso que Ele diz: “irmão, irmã e mãe”. Esse três elementos, junto com o pai, formam o que chamamos de Família. A questão não estava em saber quem era irmão, quem era irmã e quem era mãe. Todos ali eram tudo isso!

Não nos respeitamos mais como irmãos! O tempo passa e mais e mais percebo que perdemos a magia de conviver e de termos comunhão uns com os outros. Apenas nos encontramos nos fins de semana, e quando nos encontramos sempre acaba acontecendo uma coisinha chata ali, outra acolá que ajuda a aumentar ainda mais a distância que a semana já nos obriga ter!

A Palavra está cheia de versículos que nos ajudam a entender o relacionamento entre nós mesmos e as pessoas que estão à nossa volta! Ela diz como ajudar um irmão que está em pecado, ela dá diretrizes de como nos proceder diante de uma falsa acusação levantada para denegrir a imagem do nosso próximo, ela também nos ensina quando que devemos falar e quando devemos nos calar, entre muitas outras coisas.

Algumas características interessantes podemos aprender e melhorar como pessoas e cristãos nesse mundo que anda totalmente descontrolado, cego e, por conseqüência, incoerente.
Uma das coisas que aprendemos com Jesus é que irmão nunca trai o outro. E se acontecer, como por diversas vezes acontece, porque somos humanos e não somos deuses, graças a Deus, é totalmente viável a reconciliação e o perdão nesses momentos. Tem aquele momento da raiva, do choro e da dor, mas logo vem a paz e o desejo de estar junto de novo para brincar e conversar. Irmão é assim!

O que temos visto são pessoas que não se olham mais! E mesmo que se olhem, não conseguem enxergar a beleza das qualidades de cada ser humano. Só consegue enxergar defeitos e críticas. Passa a ser uma pessoa amargurada com a vida e frustrada consigo mesmo. As pessoas se falam, mas nunca se ouve o que uma está falando para a outra. Nunca que pessoas assim são irmãos! Ou não entenderam ou não experimentaram o relacionamento libertador entre Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo em sua própria vida, fazendo parte desse relacionamento, sendo parte integrante dessa família que aceita a pessoa do jeito que ela é, mas o amor é tão grande que acaba constrangendo a pessoa a ser alguém melhor a cada dia por amor ao outro e por amor ao Redentor!

Uma situação que é bem própria do relacionamento entre irmãos é que mostra qual é o nível e qualidade de relacionamento com seu pai! Sempre quando se vê irmãos convivendo bem, isso é um orgulho para o pai e para a mãe; mas quando se vê irmãos brigando e se devorando por qualquer questão, isso se torna um desgosto para a família. Algumas pessoas até podem falar: “O pai é gente boa, mas o filho não é flor que se cheire”! Dentro desse assunto me vem à mente a seguinte pergunta: “Que imagem temos passado para as pessoas de Deus, de nós e do nosso relacionamento em geral?”. Será que por algum momento a gente parou para pensar nessa implicação importantíssima no sentido prático do evangelho do Senhor? E não só isso. Se a gente é irmão de fato e de verdade, por que essa bagunça toda que temos presenciado e ainda ficamos com a boca fechada achando que não se trata de nós, mas sempre do outro?

Irmão que é irmão jamais se sentirá confortável em deixar o outro na mão; em todos os sentidos! É maravilhoso subir no púlpito e pregar sobre fraternidade e irmandade e sobre todas aquelas verdades bonitas que Jesus falou ao longo do Seu ministério e ver lágrimas no rosto das pessoas. É bonito ver cânticos que enaltecem a comunhão e nos mostram quem realmente somos, ou seja, filhos de Deus. É lindo ver textos e mais textos sobre unidade da igreja e sua urgência. Mas o que precisamos mesmo é mais do que isso. É tomarmos posição mesmo de gente que quer fazer a diferença e não só chorar quando se escuta um sermão tocante, mas tomar aquela palavra como se fosse alimento, como de fato o é, e digerir cada palavra, cada momento, cada verdade revelada. Não só cantar e cantar que “eu preciso de ti meu querido irmão”, mas mesmo não cantando saber que tem gente que se importa conosco e que nos ama impreterível e incondicionalmente. Não só saber da urgência, mas tomar providências para que a urgência seja amenizada e se torne um alvo onde todos persistem e não arredam o pé até que se cumpra a promessa da Redenção Final!

A prova maior que somos filhos de Deus não é o tempo que estamos arrolados em um hall de membros de uma determinada denominação, muito menos o cargo que ocupamos em nossa igreja local, nem sequer o fato de conhecer a Bíblia mais que alguém ou não. Tudo isso é válido desde que a motivação de tudo isso seja a glória de Deus e o amor ao próximo, mas a maior prova de que somos filhos do Pai Amoroso é justamente quando mostramos amor onde não se pode mostrar, onde o amor é negado e a justiça seria a melhor opção! Isso nos faz sermos filhos de Deus e reconhecidos como tais!

É um tanto quanto apavorante vermos como a Igreja, noiva do Senhor, é encarada nos dias de hoje. Ele é vista somente como uma instituição, onde pessoas mandam e desmandam e usam o nome de Deus para justificar suas idéias, pensamentos e conclusões. Não se vê graça, mas muita desgraça. Transforma a Igreja, que é linda em sua concepção divina, em um bando de tagarelas que não sabe fazer absolutamente nada mais do que falar da vida e dos defeitos dos outros! A idéia de Cristo e Seu plano de como se deve funcionar a Igreja estão claros no Novo Testamento, principalmente quando em Atos percebemos como a Igreja Primitiva, com todos os sérios problemas que lá existiam, funcionava. Nunca foi uma instituição apenas, com suas regras e burocracias; mas sim pessoas e suas vidas, uma comunidade que vive e respira, feita de todos aqueles que amam o Senhor, como bem revela o autor de A Cabana.

Ser irmão é compartilhar a vida, é dar risada, é chorar junto e também se alegrar junto. É contar piada e se divertir de coisas pequenas. É não levar os defeitos dos outros tão a sério, mas ajudar em cada um a recuperar o plano de Deus de sermos irmãos de verdade.

Não se trata os membros do corpo do Senhor como a gente bem quer ou entende que deva ser esse tratamento. Devemos tratar qualquer que for a pessoa da mesma maneira como o Senhor ordenou e orou para que fosse. Basta eu e você entendermos isso e praticarmos na nossa vida diária.


É claro que a gente encontra os espinhos, os abrolhos, as cebolas no meio do caminho, mas essas pessoas são assim porque o que elas experimentaram até agora de vida cristã foi espinhos, abrolhos e cebolas. Está na hora de mostrarmos que existe coisa melhor e que é possível estar de bem com a vida, apesar dos espinhos, abrolhos e cebolas!