terça-feira, 13 de outubro de 2009

A Maneira Menos Complicada!


Conforme os dias passam a gente começa a descobrir como é difícil viver essa vida de indiferenças e de injustiças. Mas mais difícil ainda é vivê-la sozinho. Quando a gente descobre que a vida pode ser melhor ao acharmos a pessoa certa com quem podemos abraçar e esperar a dor passar, a gente pode dizer que pelo menos sabe como é bom viver.

Quando tive o privilégio de achar a minha companheira, fiquei com as mesmas dúvidas que qualquer ser humano tem quando está diante de respostas óbvias para as perguntas mais importantes da vida. Dúvidas com respeito ao futuro e quanto ao presente. Percebi, no entanto, que essas dúvidas atrasavam minha maneira de ver a vida. Focalizava apenas nas dúvidas e na ansiedade de resolvê-las o mais cedo possível que deixava de experimentar e me deliciar com aqueles momentos tão únicos e especiais que eram justamente aqueles que iriam me preparar para os próximos.

Todos nós passamos por nossos vales de sombra e da morte todos os dias. Quando não é na saúde é na condição financeira; se não é na financeira é na emocional; quando não é na emocional é no espiritual; isso sem contar que muitas vezes todas as áreas entram em crise existencial juntas.

Mas é aí que aparece aquele ou aquela que Deus colocou na nossa vida para nossa auxiliadora ou auxiliador. No meu caso, uma auxiliadora idônea, semelhante a mim, carne da minha carne, que sente como ninguém as dores da vida e que tem aprendido de uma forma quase que insuportável que há seres humanos terrivelmente maus, sem coração, falsos e totalmente destituídos de senso de humanidade; mas também aprendeu que há seres humanos bons, que sofrem a nossa dor, que choram as nossas perdas, que deixam de enxugar as próprias lágrimas para enxugar as nossas, que saem de suas casas para irem à igreja pedir ao Pai do céu que se lembre sempre de nós, que juntamente conosco também aprendem que somos humanos e nada mais que isso.

Há uma forma mais amena de se viver. Há uma forma celeste que Deus o nosso Pai criou de termos um pouquinho do gosto de como é o céu quando nos deu nossos companheiros no casamento. Casando-nos Deus está nos ensinando que é dessa forma como Ele se relaciona conosco, como noivo que se relaciona com a noiva, que a ama de todas as forças e a perdoa quando há uma falha, que não consegue contar e nem ao menos se lembrar dos erros, pois já não são importantes e nem dignos de uma mísera lembrança.

Claro que nós como humanos não temos condições de tal perfeição, e nem é a vontade do Pai que tenhamos a obsessão sermos assim. Mas o que Deus quer mostrar é que é possível amenizar as dores da vida quando olhamos e fixamos nossos olhares Naquele que jamais desistirá de nós, jamais abrirá mão de nós, mesmo ainda falhos, fracos e em pedaços.

Deus nos ama tanto que quando quebramos o pacto que temos com Ele, a atitude de Deus não é julgar, não é condenar, não é culpar e muito menos castigar; é juntar os cacos. Quando Ele fala da Sua noiva como branca e pura, é claro que Ele não está falando da nossa maneira de enxergar a Igreja, mas da maneira Dele. Para Ele, a Igreja ainda é branca e pura porque não depende de mim e nem de você, mas Dele.

Quando achamos alguém que cresce junto com a gente, que não nos deixa cair ainda que a tempestade seja grande, quando é alguém com quem podemos contar, mesmo quando ninguém dá à mínima, podemos olha pra vida com mais alegria e esperança, pois fomos achados quando estávamos perdidos.

Homenagem ao Dia das Crianças!


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Um Pedacinho de Paz!


Lembro-me de quando criança via um coleguinha com um baita lanche, melhor do que estava comigo, e claro pedia um pedacinho daquele lanche. Era meu sonho de consumo naquela hora. Traria uma imensa realização de bem-estar e de prazer tendo pelo menos um pedacinho daquele que era um imenso lanche. Queria estar na casa daquele amiguinho, queria conhecer seus pais só pra saber de onde ele conseguia um lanche daquele tamanho.

Vejo que muitos de nós somos assim em relação à paz. Muitos não conhecem sequer o significado da palavra. E não estou falando aqui de etimologia ou morfologia, mas me refiro àquele significado pessoal, inigualável e incomparavelmente superior aos etimológicos e morfológicos.
Passamos por determinadas experiências que nos deixam perplexos. Não conseguimos dormir por “N” razões. O trabalho não vai bem, o casamento não vai bem, a gente não vai bem. Procuramos os culpados em toda parte e espalhamos cartazes de “Procurados” em toda nossa vida pensando que tudo está do lado de fora.

As palavras de Cristo não soam mais como sendo palavras confiáveis. Quando Ele diz: “Deixo-vos a minha paz. A minha paz vos dou” não acreditamos de fato. Aliás, tomamos essas palavras como amuletos e não como promessa que se cumpre. Mas que paz é essa que Cristo menciona se Ele sabia que tudo o que passaríamos aqui na Terra se resume em aflição em cima de aflição em cima de aflição? Que paz é essa que não faz com que filhos de Deus se libertem dos remédios para dormir e dos antidepressivos? Que paz é essa que nunca chega?

Às vezes achamos que tendo dinheiro se tem paz. Dinheiro pode comprar quase todas as coisas, e uma delas que não se compra é paz. Podem-se ter mansões e carros, roupas e jóias, mas não se tem paz. Às vezes achamos que indo a certos lugares, conhecendo certas pessoas, fazendo determinadas coisas conseguimos alcançar a paz, mas não chegamos nem parece que nem chegamos perto do tão sonhado sossego.

Precisamos definir paz. A palavra paz na Bíblia significa não a ausência de batalhas e de tribulações. Ela confirma que haverá inúmeras batalhas, inúmeros incômodos, inúmeras humilhações e situações que podem sugar até a última gota de sanidade emocional que possa restar em nós, mas confirma também que mesmo em meio a tudo isso, a mão de Deus jamais nos desampara. A paz eterna alcançaremos na eternidade, mas enquanto aqui nessa Terra de horrores e de injustiças inexplicáveis e de sofrimentos que ninguém pediu pra passar temos uma chance de provarmos um pedacinho daquilo que podemos chamar de paz.

A paz verdadeira é quando nos encontramos conosco mesmo e nos conectamos novamente com nosso Criador que agora já não nos trata mais como meras criaturas, mas como filhos que ainda insistem em brincar no barro, na terra, mas que podem voltar pra casa e tomarem um banho. A paz que todos ansiamos ter não é daqui, não pertence a esse lugar, a essa era, mas podemos pedir pelo menos por um pedacinho.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sempre Quis Fazer Isso!


Só Pode Ser Mentira!!!


Uma Dupla Alegria!


11 de Setembro de 2001 - 8 Anos!


Lembro muito bem do que eu estava fazendo há oito anos atrás. Estava no seminário e não tive as últimas aulas porque o professor não havia conseguido chegar a tempo. Fui embora e quando cheguei no famoso e saudoso Ap 21 vi uma galera parada em frente à TV vendo um prédio nos USA que acabara de ser atingido por um avião. A gente comentava algumas coisas quando um segundo avião vem e bate na segunda torre do famoso centro financeiro americano World Trade Center.

Ficamos assustados e conjecturamos muitas coisas. Até que depois de alguns poucos minutos os dois prédios desabam sobre milhares de pessoas. Aí sim, ficamos de boa aberta. Lembro das fisionomias dos meus amigos paralisados diante da tela. No mesmo instante escrevi para um amigo nos Estados Unidos. No dia seguinte a notícia: Era um atentado terrorista em solo americano perpetrado e executado pelo terorista afegão Osama Bin Laden.

De oito anos pra cá muita coisa aconteceu. Guerra no Iraque, morte de Saddam Hussein, prisão de Guantánamo, Bush fora e Obama eleito, Michael Jackson morreu e Osama Bin Laden continua vivo.

Eu não lembro o que comi ontem, mas lembro certinho dos horrores do 11 de setembro e suas consequências. Os americanos são atacados e atacam, ambos de forma vergonhos. Mais uma vez o cristianismo pregado pelas nações anglo-saxônicas e européias não faz o menor sentido tanto para eles mesmos quanto para o mundo.

O 11 de Setembro para mim, além de ser um dia trágico, é um alerta. Precisamos urgentemente entender de uma vez por todas o significado da palavra "respeito". Sem ele não poderemos conviver nem mesmo com o nosso vizinho, patrão, empregado, amigo.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Descubra Se Você É Um Danone!


Se você se encaixa em alguns desses 10 itens, você é um danone.

1. Almoço em grupo. Mesa retangular. Um de seus colegas, o Fulano, se senta numa das pontas da mesa. A primeira coisa que você diz é: "Quem senta na ponta paga a conta!”. Você é um danone.

2. Início da madrugada. 1h16 a.m. Alguém lhe diz:"cara, amanhã vou acordar às 7h”. Você se apressa em dizer: “Amanhã não. Hoje!”. Você é um danone.

3. Seu colega chegou mais tarde no trabalho e resolveu almoçar em casa. Quando ele chega ao local de trabalho, você o convida para almoçar e ele lhe esclarece que já almoçou. É quando você, ágil como um sapo apanhando uma mosca, solta a frase: “então você já veio comido?”. Muito danone…

4. Ou pior, o seu amigo chega atrasado no serviço e diz sorrindo: “Bom dia!!!”, e você responde: “Boa tarde!!!”. Você é Danone.

5. Quando as pessoas estão cantando parabéns, você tenta embolar a cantoria gritando os versos do início da música, enquanto todos já estão no meio da canção. Bingo !!! Você é um Danonasso.

6. Você fica rindo quando um homem diz que tem 24 anos, aludindo ao número do veado no jogo do bicho. Você é um baita de um Danone.

7. Você faz alguma piada quando alguém diz que é do signo de virgem. Vai ser danone assim na casa do chapeu…

8. Você diz para um amigo: “se esconda!!” quando passa o carro da polícia. Da-no-ne.

9. Quando uma mulher diz que está “de saco cheio”, você diz que isso não é possível porque ela não tem saco. Precisa dizer de novo ? Danone demais, e sem noção!

10. Se a anfitriã anuncia: “Temos pavê de sobremesa” e você pergunta: “é pra vê ou prá comer?” Não, não, não, de novo um danone se apresenta!!!

Inpirado no Bobagento.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Acampamento Transformers - MPC Uberlândia.


Gente, acabei de voltar de um super acampamento na cidade de Uberlândia, Minas Gerais, onde fui preletor junto com uma jóia de gente que é a Divina. Nós fomos ricamente abençoados por Deus ali na chácara Manancial, onde pudermos conhecer a galera, trocar umas idéias e ainda ser profundamente edificados pela Palavra de Deus.

A acampamento começou na sexta-feira (dia 04). O tempo não estava lá muito amigável. Nuvens carregadas estavam no céu prevendo dias de chuvas intensas. O medo e a apreensão tomaram conta do nosso coração, porque tinham muitas atividades que aconteceriam no campo. Caminhadas, brincadeiras, subidas no paredão, tirolesa, canoagem e, claro, aquele velho e indispensável joguinho de bola.

Deus foi muito bom. Muito bom mesmo! Choveu apenas durante a noite, quando estávamos dormindo, dando aquela refrescada básica pra um bom descanso. A galera da MPC trabalhou pra caramba. Eram os últimos a dormir e os primeiros a levantar. A comida maravilhosa. Todas as refeições uma melhor que a outra. As cozinheiras foram benção pra mim, pro meu estômago e consequentemente pro resto do corpo.

A Carol, minha esposa, foi comigo. Ela foi de grande benção pra mim nessa viagem, pois não estou muito legal por causa de algumas coisas que estou passando, mas isso é uma outra história.

Tivemos a Festa à Fantasia onde mais uma vez me fantasiei de "Coringa". Foi uma noite muito bacana onde tiramos fotos, brincamos e teve o tradicional desfile onde a grande vencedora, pasmem, foi a Morte.

O culto da fogueira foi mágico. Deus abençoou de forma explêndida, trazendo vida e ânimo aos cansados e sobrecarregados. Enquanto pregava, sentia umas gotas de água no meu braço. Orei pedindo a Deus pra Ele segurar a barra mais um pouquinho. Ele segurou. Em um raio de três kilômetros não choveu. Assim que acabamos o culto e toda a programação, Deus enviou a chuva e fomos dormir.

Na segunda (dia 07) pela manhã, tivemos um momento muito legal com os participantes do acampamento onde eles deram seus depoimentos de forma muito sincera e aberta e sem o menos preconceito dos que estavam ali ouvindo. Muito bom esse momento. Gente se abrindo e tomando novos rumos em sua vida.

Em resumo gente, o acamps desse final de semana foi Transformador na vida de muita gente, senão na de todas. Fica aqui meu agradecimento à galera da MPC e de todos os participantes. Foi muito legal estar com vcs. Um beijo no coração de cada um de vcs. Já estou com saudades. Até a próxima vez, se Deus quiser.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Caras, Bocas e a Poeira da Vida Diária!


Há um tempo atrás, um rapaz olhando minha página do orkut, que aliás, quase nunca visito por absoluta falta de tempo, decidiu que deveria me difamar em nome de Deus, num blog. Agora vai ser mais fácil ainda porque também estou no Twitter e no Facebook... Difamar as pessoas tudo bem, este é um dos pecados mais antigos do homem depois da queda. Difamar em nome de Deus, então, é um hábito, quase uma obrigação religiosa. Na obrigação de “zelar” pelo bom nome do evangelho, procuramos honestamente trabalhar pelo mau nome de alguns infelizes, como algozes de uma santa inquisição evangélica. Porém, difamar em blog é um privilégio de nossos cyber-tempos.

Ao ver o blog difamatório, fiquei pasma. Não achei que seria um assunto de interesse das pessoas as comunidades do orkut que escolhi para pertencer. E pior, que isto poderia afetar o que as pessoas pensam do meu caráter. Ledo engano pensar que a música que escuto no carro vai deixar de ser elemento de discussão religiosa. Na doença do “celebridadismo” que sofremos, tudo é relevante. Basta assistir ao programa de fofocas da rede TV, da Band, ou da Globo; basta ver na revista Caras que a marca de cueca que o Gianechini usa é D&G e que a Xuxa só se banha com leite importado de algum lugar caríssimo. O mundo evangélico poderia ser diferente, mas não é.

Estamos em busca de uma transcendência absoluta. O líder religioso não é humano -- é semidivino; deve ser persona, personalidade. Deve demonstrar uma superioridade absoluta. Não pode se cansar, não pode “estar num mau dia” ou dolorido, ou amargo, ou num daqueles dias em que Deus se esconde na nuvem. Ele (ou ela, principalmente ela) tem que estar límpido, leve, divinamente inspirado em todo tempo, apresentar uma humildade distante e lustrosa, ser bonito, e, se for mulher, magra (o homem não precisa, mas a mulher tem que ter formas de violão, mesmo que seu objetivo não seja atrair ninguém sexualmente. Aliás, engordei muito ultimamente -- orem por mim). Ele tem que orar de forma impressionante, de preferência com efeitos especiais, tem que falar manso, não pensar em dinheiro nunca num extremo, senão, será mercenário e obcecado por prosperidade, mesmo que seja explorado em todos os eventos dos quais participa (e esta infelizmente é quase a regra). Pior ainda, no meio evangélico suas falas serão gravadas e vendidas sem que você tenha direito a nem uma merreca (porque não fazem assim com os cantores?) e quando ganhar oferta, na maioria das vezes será apenas o suficiente para o táxi de volta pra casa.

As celebridades de Caras (preferia a B....s, quando existia) ganham para viver esta vida escancarada. As nossas, pagam pra isto. Esta é a regra do mercado; esta é a demanda do público, plebe ignara, ovelhas encurraladas numa cerca de preconceitos e dogmas, feridas demais, cansadas demais, emburrecidas demais, carentes demais para pensar por si sós... Alguns compraram o pacote completo: cabresto e viseira.

Ah, irmãos, me desculpem, mas não posso aceitar isto. Não creio que as pessoas não saibam que todos nós, mesmo os líderes, somos gente como qualquer outra gente. Gente de carne e osso, mais carne que osso muitas vezes... Temos nossos erros e acertos, pecados e perdões. Lia Morin e Capra (que descobri pelo blog que são bruxos) quando fiz meu orkut, assim como li Yancey e Nouwen ontem, ambos cristãos (um batista e outro católico), não pela sua religião, mas pela sua lucidez. Hoje voltei aos crentes Mangalwadi e Ramachandra, mas, como quase ninguém os conhece, nem os menciono. Vão concluir que me converti ao hinduísmo... Não basta ser cristão para ser honesto, ou sábio, ou inteligente.

Tem muito cristão escrevendo por aí cujo ensino não vale a folha de papel em que está escrito. Morin e Capra são filósofos -- um da pedagogia outro da física e da biologia, ambos tateando realidades com suas almas sedentas de Deus e de verdade; sede esta que não é exclusividade dos cristãos. Quem sabe, se ao tatear também, posso deparar-me com alguma verdade. A verdade de Deus é patente e manifesta no mundo para todos os que o buscam...

Escutei na voz de Damien Rice (que já enjoei) um desespero e uma angústia que eu precisava sentir para me comunicar de maneira compreensível com este mundo desesperado e angustiado. E também por gosto musical -- mas será que pode? Pode gostar-se mais de Clapton do que de Kleber, de Elis do que de Aline? Temos que ter direito ao gosto, pelo amor de Deus! Temos que ter o direito à vida, à arte, ao sublime, e não ser obrigados apenas a chafurdar no comercialismo gospel em nome de uma santidade que nem bíblica é...

Picasso disse que a arte tira do espírito a poeira da vida diária. Morro de medo quando vejo pintores evangélicos. Será que quando a arte da pintura evangélica se disseminar a ponto de dominar o mercado gospel ainda poderei ver beleza nos pescoços compridos das mulheres de Modgliani, no cubismo de Picasso, ou terei que negar-lhes a sublimidade de sua arte só porque um era bêbado e o outro mulherengo? Ai que medo deste totalitarismo religioso...

Ai que medo de uma fé tão frágil, de uma religião tão obtusa e obcecada consigo mesma. Ai que medo de um povo tão grande, tão nobre, e, ao mesmo tempo tão pequeno e tão medíocre.

Bráulia Ribeiro, missionária em Porto Velho, RO, é autora de Chamado Radical (Editora Ultimato). braulia.ribeiro@uol.com.br

domingo, 30 de agosto de 2009

Igreja: Máquina ou Humana?


“Não sois máquinas, humanos é que sois”!

Quando ouvi essa frase pela primeira vez não pude conter a comparação com a Igreja dos nossos dias. Igreja aqui se tratando dessa instituição chefiada pelos homens e corrompida pelos mesmos. Sei que há diversas qualidades e pontos positivos em relação à Igreja, mas minha intenção aqui não é tratar de pontos positivos, mas falar sobre o que tem assolado corações e aberto feridas quase que incuráveis em muitas vidas e ministérios.

Quero dizer que este artigo também é um clamor de um sonho de ver a Igreja curada em muitos dos seus aspectos. Isso implica cura de seus membros. A instituição está aí por causa dos homens e da organização que se faz necessária para termos uma direção, um norte para onde podemos seguir e colocar nossa confiança. Mas quando essa instituição está doente, quando seus líderes são pessoas doentes, o norte fica doente, a direção fica falha e o povo padece por causa da fome espiritual e de intimidade com Deus que eles não vêem seus líderes ter.

O que acontece em muitos púlpitos é uma mistura de obrigação, dever com uma profunda necessidade de apenas servir sem precisar mostrar serviço para ninguém, apenas para Deus, que por Si já é uma cobrança pesadíssima. Fazer essa máquina institucional girar o tempo todo gera um sentimento de frustração em muitos pastores e líderes de ministérios. Quando algo não dá certo, a gente quer procurar um culpado, quer achar um álibi para tirar o nosso da reta, quer encontrar mil e uma desculpas. Parece ser difícil encarar o “não deu certo” como uma intervenção de Deus para que aquilo não se realizasse; entender apenas que Deus não quis e pronto. Sem crise, seguindo a trilha sabendo que Ele sabe o que está fazendo.

Mas isso não basta. Parece que a fome por poder e por controle faz muitos lideres e pastores fecharem seus olhos e taparem seus ouvidos para aquilo que Deus quer e deseja realizar.

Somos chamados a sermos humanos nas mãos de um Deus amoroso. Chega dessa história de resultados por nossas mãos e esforços. Deus é quem dá o crescimento, já dizia o apóstolo Paulo. Agora se alguém aí tem mais experiência que Paulo e discorde dele, por favor, que o diga antes que eu termine.

Somos chamados para uma luta onde já somos vitoriosos, é só confiar e saber que Ele tem o melhor para nós, sem desespero e sem mágoas. Não precisamos negociar com Deus, não precisamos barganhar com Deus títulos e reconhecimentos. Isso é totalmente desnecessário quando se fala de relacionamento com Deus. Deus só quer nosso coração, só quer ter um relacionamento desprovido de qualquer fator externo de negociação onde o objeto da barganha seja a benção em troca de esforços físicos, emocionais e espirituais. Não precisamos de nada desse lixo.

A igreja só será o melhor lugar na terra quando ela se tornar o centro da vontade de Deus. Quando homens a usarem para angariar riquezas, protegerem seu patrimônio, manipular pessoas inocentes, ela continuará sendo uma máquina de causar sofrimento, desespero e decepção em muita gente. Mas acredito em Deus e não acho que Ele permitirá que sua noiva seja tão suja assim por esses porcos travestidos de pastores e por esses lobos travestidos de ovelhas. Um dia ela estará limpa, linda e purificada para o grande encontro com seu Noivo. Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós, todos nós!

domingo, 23 de agosto de 2009

O Outro Lado!


Sempre temos o outro lado de qualquer situação. Aprendi que todas as histórias têm três versões: a versão da esquerda, a versão da direita e a verdadeira. Mas na verdade, a sensibilidade de entender que todos nós temos nosso outro lado da história é conquistada com o tempo e com a disponibilidade de abrir nossos olhos para um mundo mais amplo do que nosso próprio umbigo.


Há um mundo de gente de que não sabe como é ter fome, não sabe o que é ter um filho querendo algo simples como uma fruta ou um doce e não ter o dinheiro para comprar e não tendo também oportunidade de trabalhar para conseguir essa grana. Mas também há um mundo de gente que sabe o que é passar por essas coisas e muitas outras que não citamos aqui por justamente não conhecer. Esse é o outro lado.


Vemos na tela na nossa televisão os seres humanos matando e se matando todos os dias, vemos mães e pais matando seus filhos e seus sonhos, vemos filhos matando seus pais em troca de um namoro ou de mais uma pedra de crack, vemos as favelas e os tiroteios que fazem parte de seu cotidiano, vemos muitas coisas que nos deixam perplexos e até mesmo sem entender o porquê dessa situação toda. A razão está no fato de que todas essas pessoas não conhecem o outro lado.
Elas não viveram nada além daquilo que está sendo visto por nós nos nossos televisores. Elas não experimentaram nada além de violência e morte. Muitas nem sabem que podem ter oportunidades e chances de mudar de vida e de realizar sonhos antes enterrados no passado. É muito fácil falar da violência e não ter práticas ações de incentivo à transformação de vida.


Isso é o que o Evangelho faz na vida do individuo; apresenta o outro lado da vida. Apresenta a oportunidade de ser aquilo que sempre a gente sonha ser; ou seja, gente decente que pode levar uma vida decente sem precisar apelar para medidas drásticas e desesperadoras. Não estou negando o mau existente no homem, mas estou dizendo que algo que eu creio ser a digna e suficiente solução para o homem moderno: a vida que o Evangelho apresenta.


Na vida há o outro lado e há uma oportunidade de encontrarmos uma maneira mais humana de se viver. O Evangelho mostra como podemos ser mais humildes e mais santos sendo mais próximos de Deus e de nós mesmos. O Evangelho mostra que podemos olhar a vida na ótica de Deus e não se decepcionar com isso. O Evangelho ensina que a vida é mais do que carne e sangue, é mais do que ouro e prata, é mais do que um beijo e um momento de prazer na noite; é alegria na dor, é ser surpreendido pela paz no meio do tormento. O Evangelho mostra que podemos experimentar um pouco daquilo que pode ser céu. O Evangelho mostra que há uma chance de vivermos bem sem maiores esforços e sacrifícios, pois o maior dos sacrifícios foi feito no Calvário onde o Filho de Deus mostrou ao mundo que há um outro lado, o lado da vida.

Obama X McCain


Passarinho... Que Som É Esse???


Se Hoje Fosse Seu Último Dia!


Uma vez me perguntei o que faria se recebesse um diagnóstico médico dizendo que teria mais um dia de vida apenas. Muitas coisas passaram pela minha cabeça; tantas que nem em 24 horas que conseguiria fazê-las, pois passaria mais tempo nas ruas, nas estradas e nas avenidas indo atrás de quem me interessaria me encontrar nesse meu último dia. Talvez dissesse umas meias palavras para quem precisasse ouvir, talvez fosse ficar tocando bateria com amigos até a hora chegar, talvez saísse com minha esposa e visitaríamos o lugar dos nossos sonhos. Na verdade, talvez, não faria nada; ficaria curtindo o tédio do fim.

É bom pensarmos de vez em quando nesses assuntos porque nem sempre sabemos quando será nosso último dia. Tantas coisas pra resolver, tanto para se fazer e sonhos que ainda não se realizaram, tantas oportunidades que ainda não foram aproveitadas e quando o fim chega a máxima de que “a gente só valoriza algo quando perde” se torna realidade.

Vale lembrar que sempre Deus nos convida a ser diferentes daquilo que é a proposta do mundo, ou seja, pensar em nós mesmos apenas. Mas acontece que nem isso as pessoas estão conseguindo fazer. Não conseguem realizar o tanto querem porque o tempo é curto, o trabalho escraviza e não paga bem, a família só existe na foto e a alegria é apenas mais uma palavra bonita que a gente escuta nos sermões de domingo.

Todo dia é uma oportunidade de se fazer o bem. Todo dia é uma novidade. Se a gente não aprender a viver cada dia como uma novidade, uma surpresa, um conto de fadas com bruxas e princesas, a gente perde sentido de ser e fazer as coisas. Aprender a amar os outros e respeitar quem nos aborrece é um exercício para os heróis da fé. Heróis esses que muitas vezes são anônimos e desconhecidos das revistas e jornais; são desconhecidos das colunas sociais evangélicas, mas são amigos de anjos.

Gente que vive como se fosse o último dia na Terra, não deixa nada em branco e nada no preto, mas deixa tudo certo sem taxar de preto ou branco. Gente que vive vendo o amanhã como uma oportunidade nova e uma aventura deslumbrante. Gente que não tem medo do fim, pois o fim para eles não existe, apenas uma mudança de endereço.

Se hoje fosse meu último dia na Terra eu certamente estaria cercado de gente, cercado de amigos que já provaram estar do meu lado nos momentos mais escuros e desesperadores. Pessoas que abrem suas casas; cedem suas camas, compartilham seus talheres e pratos, levam-nos em seus carros, abençoam-nos com investimento financeiro, emprestam suas roupas e nos dão licença para morar em seus corações. Para mim seria a melhor maneira de viver meus últimos dias; estar com essas pessoas. Sendo assim, cada dia é uma novidade, uma chance nova, uma fascinante história de encontros e desencontros, um aprendizado que custa caro, mas vale a pena! E como vale!